The Elder Scrolls 3: Morrowind continua rico e impressionante…mas a idade já pesa

Enquanto espero religiosamente por novidades relacionados com The Elder Scrolls VI decidi navegar pelas profundezas da série e rever alguns dos jogos mais antigos. Oblivion e Skyrim são dos meus jogos favoritos de sempre, mas nunca cheguei a debitar tempo considerável para formular uma opinião pessoal em relação aos capítulos mais antigos como Arena, Daggerfall ou Morrowind, mas isso irá mudar.

Deparo-me então com Morrowind, que fora lançado em 2000 para PC e Xbox e na altura teve um sucesso tremendo. De uma forma resumida, é um jogo com uma dimensão e história incrível, mas grande parte do meu tempo senti que a idade já pesa, e sem alguns mods seria mais difícil de digerir. Seja também de frisar que os mods que usei para este playthrough limitaram-se a melhor aspectos técnicos e visuais do jogo, sendo que todo o resto se manteve intacto.

Mas antes de falar sobre o jogo, um pouco de história: o continente principal da série The Elder Scrolls, Tamriel, tem uma enorme variedade de biomas e de raças mas a verdade é que a ilha de Vvanderfell, onde decorre o jogo, é uma das zonas mais hostis em praticamente todos os aspectos, mas que se mostra como um pano de fundo muito bom para o jogo. Mesmo no seu centro encontra-se um vulcão que está constantemente em actividade e que deu origem a zonas com nomes como Ashlands, Red Mountain Region e não só. Nas suas periferias temos margens mais pantanosas e húmidas como The Bitter Coast ou The West Gash, zonas perfeitas para escapadinhas com bilhete de ida apenas…

Apesar da riqueza que em termos de missões, lore ou até de personagens carismáticas, o jogo tem algumas particularidades técnicas que hoje em dia se consideram quase inaceitáveis. O combate é baseado em matemáticas que determinam a nossa capacidade para usar elementos como armas e magias, e se não se for proficientes em uma destas, ao atacarmos o inimigos iremos atingir apenas ar durante 30 segundos, mesmo que fisicamente a espada esteja a atingir o alvo em questão.

A incapacidade de podermos usar algo que não conseguimos é levado ao extremo em Morrowind, e para alguns torna-se frustrante no início ver a nossa personagem a falhar ataques como se estivesse a deferir golpes a um fantasma, mas com o aumento das estatísticas da mesma e com o constante uso de um tipo de armas, os ataques começam a ter efeito e sentimo-nos mais confiantes. O mesmo acontece com as magias e não existe nada mais frustrante do que gastar o nosso MP e não conseguir fazer uma única invocação de magia.

Infelizmente o jogo está munido de bugs que apesar de não estragarem a experiência, tornam tudo um pouco mais hilariante….sejamos honestos, na realidade não existe nada de hilariante ao vermos um estúdio conceituado a fornecer um produto com este tipo de problemas e isto tornou-se um apanágio por parte de futuros jogos da Bethesda. Desde esqueletos a correrem no ar, a Cliff Racers a ter ataques epilépticos no ar, muitas coisas deste género acontecem em Morrowind.

Hoje em dia o sistema de teleport de Morrowind seria um elemento quase imperdoável, mas um pouco como acontecia com os recentes capítulos, não temos a capacidade de nos deslocarmo-nos facilmente e instantaneamente por zonas. Se acabarmos por cair no encanto do jogo, acabamos por dar valor às viagens a pé que fazemos por Vvanderfell e interiorizar todo o terreno envolvente, sem falar que iremos cruzar-nos com situações hilariantes como a missão “A Man and His Guar“. Mas dito isto, tudo no jogo praticamente tem um preço, e as deslocações através de Silt Striders ou barcos irão obrigar-nos a planear trajectos.

Sendo francamente honesto, Morrowind é uma experiência incrível e bastante diferente do resto da série, é também considerado por muitos como a “jóia da coroa” de The Elder Scrolls, e eu entendo o porquê. Comparando com os jogos anteriores e posteriores, toda a apresentação, personagens e direcção artística tornaram Morrowind quase como um alienígena dentro da sua própria casa, e apesar de ser o primeiro a dar largos passos no que toca a problemas técnicos que nos fazem lul, é um jogo com uma enorme riqueza em praticamente todos os restantes aspectos.

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