Save Files – Parte 3: Dados corrompidos

Até agora já se falou nesta pequena “mini-série” de artigos do mítico “ataque da cegonha” (ou quando a luz vai a baixo) e dos famigerados dias de tortura de jogar sem cartão de memória.

Outra coisa que muitos já não se devem lembrar ou nem sequer sabem que existe está relacionado com um dos grandes terrores de outros tempos: os ficheiros corrompidos.

Hoje em dia, quase todos os jogos que tenham ligações ao online gravam os dados do jogador nos servidores. Outros permitem que estejam sempre a fazer backup para a nuvem. Por isso o pior cenário é se o PC ou a consola acabe por falecer e leve consigo o disco rígido ou SSD.

Outrora, quando todos os sistemas eram bem menos certos e quando tudo podia acontecer com a fantástica “fiabilidade” da tecnologia, a hipótese de perder uma data de informação era bem real e uma presença constante, como aquela aranha no tecto que apareceu uma vez e nunca mais a vimos, mas sabemos que ela anda pela divisão.

Para um jogador de RPG como eu que tinha imenso tempo quando era mais novo para tentar completar um jogo a 100%, ter mais de 200 horas de jogo não era invulgar, aliás, bem me recordo das 190 horas no Pokémon Blue e 240 no Final Fantasy X.

Um ficheiro ficar corrompido é mais fácil do que imaginam, daí haver tantos avisos nos computadores que avisam sobre a remoção das PEN USB e Cartões de Memória. Por isso coisas como ir a luz a baixo durante uma gravação, uma queda de um cartão de memória ou até a bateria de uma portátil ir a baixo eram hipóteses bem reais.

Ainda me lembro de ao jogar Pokémon no Gameboy ter gravado o jogo à queima com a luz da bateria quase sem força ou de jogar RPGs na PS2 quando o quadro da minha casa disparava pelo menos uma vez por dia.

Mas o pior caso que vivi aconteceu de outra forma e inteiramente por minha culpa. Um dia levei o cartão de memória da PS2 para a casa de um amigo para jogar algo em conjunto. Esse mesmo cartão regressou comigo para casa, mas com escola no dia seguinte não usei a PS2 nessa noite.

No dia seguinte, quando regressei a casa, reparei que o cartão de memória não estava na consola. Depressa me lembrei que tinha ficado no bolso das calças do dia anterior. Calças essas que a minha mãe tinha posto nesse mesmo dia para lavar.

80 horas de Dark Chronicle, 60 de Dragon Quest VIII e mais uns quantos jogos desapareceram nessa manhã e curiosamente, o cartão continuava a funcionar normalmente, mas tudo o que lá estava a consola não conseguia ler. Felizmente não era o meu cartão principal, mas foram horas e horas de jogo “por água a baixo”.

Nos dias que correm, coisas destas vão ser cada vez menos prováveis de acontecer. Os jogos estão sempre a gravar e existe forma quase sempre de recuperar dados perdidos. Os mais novos nunca vão saber o que é viver com o coração nas mãos de estar a jogar Pokémon no Gameboy e a meio de um combate contra um treinador ver a luz a começar a desaparecer. Eram tempos para gente com nervos de aço.

Fiquem atentos ao PróximoNível para a quarta e última parte desta série de artigos onde irei falar de outro episódio clássicos dos Save Files.

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Rubenmiguel

eu perdi muitos saves nos cartuchos do blue e do red ,se nao joga-se o jogo durante uma semana perdia o save

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