Review – Pokémon Legends Z-A

Pokémon Legends Z-A marca uma nova entrada na subsérie Legends, conhecida por redefinir a forma da jogabilidade de Pokémon mais próxima dos jogos centrais. O jogo foca-se na cidade de Lumiose, na região de Kalos, e na sua ambiciosa “re-urbanização”. Apesar de estar na Nintendo Switch original, a nossa análise foi realizada à Nintendo Switch 2, e esta especificação é crucial, pois ajuda a transformar este jogo em algo melhor, apesar de longe da evolução necessária para a série.

A principal expectativa para a versão Nintendo Switch 2 reside na sua fidelidade visual e performance. Espera-se que o jogo corra a uma taxa de fotogramas estável de 60 FPS e isso é atingido em grande parte do jogo, especialmente no modo doca, eliminando a maioria dos soluços e quebras que afetaram as experiências de mundo aberto da série na consola anterior. Além disso, a capacidade do novo hardware permite uma resolução mais nítida, texturas de maior qualidade e um aumento significativo na distância (draw distance) de objetos e NPCs. A diferença entre consolas é bastante grande, mas dá para perceber que a base do jogo começou na primeira consola.

O foco nesta nova Lumiose City é um desvio interessante da fórmula de exploração da natureza vista em Pokémon Legends: Arceus. Em vez de percorrer vastas áreas selvagens divididas por zonas, o jogador encontra-se no meio de uma metrópole em constante mudança. A premissa de “re-desenvolvimento” sugere um ciclo de jogabilidade onde as escolhas e as ações do jogador impactam a estrutura da cidade, desbloqueando novas áreas e personagens de forma progressiva. O loop de jogabilidade faz proveito do ciclo de dia e noite, sendo o dia mais virado para exploração e a noite icentiva a entrar nas áreas de combate para lutar contra outros treinadores para ganhar pontos para progredir no jogo e dinheiro.

Além da história envolta na evolução descontrolada de Mega Pokémon, existe no centro a liga Z-A onde a ideia é lutar contra outros treinadores e ganhar bilhetes para desafiar os outros treinadores e subir no ranking. O sistema de batalha mantem o formato de transição imediata para o campo de batalha visto em Legends: Arceus, mas com foco ainda maior no movimento. A densidade de objetos e estruturas em Lumiose City adiciona uma nova camada tática, permitindo que os jogadores utilizem o ambiente para esconder ou ganhar vantagem. A complexidade estratégica está ampliada pela gestão de equipas e pela antecipação dos movimentos dos adversários.

A grande adição é o regresso das Mega Evoluções. Esta mecânica não é apenas um aceno à nostalgia de Kalos, a capacidade de usar uma Mega Evolução estrategicamente, no momento certo da batalha, adiciona uma camada de profundidade que faltava nos títulos recentes, incentivando os jogadores a construir uma equipa em redor da possibilidade da maioria dos Pokémon poderem Mega Evoluir. Acima de tudo, os combates contra os Mega rebeldes são muito mais fáceis de combater se tiverem os vossos própios megas. Não são momentos incríveis, mas são divertidos de fazer.

Ao início, o combate parece algo estranho e nem sempre muito preciso, mas após algum tempo de habituação, acaba por enraizar. O maior problema, é que a utilização do botão para seleccionar o combate, é o mesmo que usam para atirar as bolas ou seleccionar objetos no cenário para destruir e como existem vários momentos onde o “lock” nem sempre funciona ou salta apenas da personagem, sendo necessário perder tempo a tentar focar novamente no alvo e levar dano e perder ataques pelo caminho, o que se revela bastante frustrante quando os Pokémon são bastante mais fortes que os nossos.

Outra coisa que não funciona assim tão bem, é a acção furtiva dentro das Battle Zones. Apanhar um adversário distraído e atacar com o nosso Pokémon coloca-nos em vantagem, mas em vez de ser possível esconder atrás de coisas, como os cenários são vazios, a maioria das vezes temos de morrer de aborrecimento à espera que o adversário se vire de costas. Tendo em conta que as zonas têm vários adversários, isto faz com que seja preciso aproximar e caso exista outro treinador, podemos ser apanhados desprevinidos em sequência. O mais frustrante é que nem precisam de nos atacar, basta cruzar o olhar com a nossa persongem para que ganhem “vantagem”. Vantagem onde? Também os estamos a ver!

As novas funcionalidades introduzidas pelo tema de “urbanização” incluem um sistema de missões baseado na arquitetura e na engenharia civil. Os jogadores podem participar em missões que envolvem a recolha de recursos específicos, a resolução de problemas ambientais ou a ajuda na construção de novas instalações. Este tipo de missão introduz a sensação de que as ações do jogador têm algum impacto no mundo de jogo, embora não seja verdadeiramente notório, além do que está a acontecer apenas pelo que a história avança.

Os modelos dos personagens e dos Pokémon são notavelmente mais detalhados do que nos jogos anteriores e são certamente muito melhores, um benefício direto do hardware da Nintendo Switch 2. As animações faciais e as interações com o ambiente são mais fluidas e expressivas. Por outro lado, a cidade de Lumiose parece saída de um MMO. Embora existam mais NPC na cidade, parecem demasiado estáticos, como se não tivessem vida ou estivessem apenas lá só para dizer coisas genéricas à nossa personagem. A Game Freak precisa de trabalhar muito mais este sistema e até pode pedir ajuda à equipa que trabalhou em Majora’s Mask, é um jogo que fazia isto bem e só foi lançado há quase 25 anos. Os edifícios e espaços de cenário também são claramente cópias constantes uns dos outros e existem vários (podem pesquisar sobre a questão das janelas), que são claramente um processo de Control+C e Control+V.

A banda sonora é bastante boa e encaixa muito bem no mundo que a Game Freak criou, tendo a “vibe” da inspiração clara em Paris e ainda várias músicas que englobam bem o ambiente dos combates e os momentos de história. É por isso uma pena, que uma vez mais, as personagem não tenham qualquer tipo de vozes para acompanhar os diálogos, nem que fossem os relacionados com a história e algumas vozes aleatórias a surgir durante a exploração da cidade. Isto faz com que o jogo pareça desatualizado e muito low-budget.

Em termos de longevidade, Pokémon Legends Z-A pode ser terminado na sua história principal em menos de 30 horas. Com as missões secundárias e encontrar a maioria dos eventos, podem adicionar mais 10 a 20 e se quiserem fazer o Pokédex, apanhar shinies e fazer rankings, então aí sim, podem contar com o dobro. Apesar disso, é um dos jogos Pokémon com pior Endgame e dá para perceber que algumas das boas ideias devem só vir a surgir com a expansão Mega Dimension, o que é uma pena. Ponto positivo (pelo menos na Nintendo Switch 2), vai para os tempos de loading, que até são bastante rápidos.

Em conclusão, Pokémon Legends Z-A é um jogo com muito potêncial, mas que poderia ser muito mais e melhor. A história é interessante e contada de forma faseada, mas a forma como avança pelas missões é inconstante. O mundo de jogo é apelativo, mas pouco vivo, não esquecendo também que o visual dos Pokémon e personagens são bons, mas tudo o resto é melhor do que parecia nos trailers, mas podia ser muito melhor. Por fim, o combate funciona bem, mas ainda sofre de alguns bugs e a movimentação da personagem não é tão livre quanto parece, seja nos combates, seja a trepar os edifícios.

Entre os dois Legends, Pokémon Legends Arceus ainda é o meu favorito, mas Pokémon Legends Z-A consegue criar um loop de jogabilidade viciante com personagens cativantes e alguns objetivos que são divertidos de fazer. Podia ser melhor? Podia. É um mau jogo? Longe disso. Porém, só o consigo recomendar os fãs de Pokémon. Eu passei bons momentos com ele e quando tenho pena que um jogo podia ser algo mais, é porque o que apresenta é bom o suficiente para pensar no que podia ser ainda melhor. Vamos ver o que a próxima geração cresce a partir do que temos aqui.

Daniel Silvestre
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