Review – Lorcana: Wilds Unknown

Com a mudança de Lorcana para o sistema de rotação de Sets para Standard, o que eliminou sets antigos de participar nos eventos mais convencionais, foi visível um certo esmorecer do interesse no TCG da Disney. O set Winterspell não fez maravilhas pela saúde do jogo e era claro que Lorcana tinha de ter um momento de viragem se quisesse ter um futuro. Como jogador com gosto por este TCG, fiquei muito curioso quando soube que era desta que a Pixar ia chegar a Lorcana e logo com uma das minhas sagas favoritas: Toy Story.

Vamos rebobinar a cassete uns anos para vos contar isto. Há muitos, muitos anos atrás, havia um Daniel muito mais novo que tinha um boneco do Woody igual ao do filme, que tinha um Buzz, que coleccionou os brinquedos do Happy Meal, que tinha um livro com imagens do filme que contava a história e ainda o jogo de Toy Story para a Mega Drive (muito bom jogo por sinal). Eu estava lá, eu era o público alvo e eu tinha a cassete de VHS. Eu era um miúdo do Toy Story. Desde essa altura, quase tudo o que é Pixar tem um free pass na minha prioridade de filmes, por isso também não fiquei triste pela chegada dos Incredibles e de Brave a Lorcana neste set.

Com Lorcana: Wilds Unknown, a história das vinhas continua e o seu aparecimento maluco (que vai culminar com a próxima expansão “Attack of the Vine“), trouxe mais personagens para uma nova aventura. A ideia é clara, os heroís estão a trabalhar em conjunto para resolver um mistério e começa a ser clara a influência de uma entidade maligna. Isto é o mote para o aparecimento de mais universos em Lorcana dentro do panteão da Disney e alguns tipos novos de cartas, como Toy e Super.

Algo que salta logo à vista nesta expansão é a forma como foi mantida a arte 2D apesar de entrarem as sagas da Pixar. O mesmo já tinha acontecido antes com filmes da Disney, como é o caso de Tangled, mas o facto de manterem o visual coerente, não só dá mais força à arte do set, como parece que tráz uma vida extra às personagens. A arte da expansão é incrível com grandes destaques para as Iconic e Enchanted que são muito bonitas e chamativas. Claro que não é fácil ver uma destas no vosso booster, mas mesmo as restantes também tem artes muito boas, sendo algumas das minhas favoritas:

Outra coisa que me apercebi também, é que existe um maior fluxo de cartas lendárias e a inclusão de cartas Epic também ajudam a ligar a distância entre as raridades até à Enchanted. Hoje em dia é quase tão raro abrir uma Enchanted como era antigamente, mas surgem muito mais cartas Lendárias nos packs e algumas Epicas. No Display que abri para realizar esta análise, consegui ver a diferença logo nos primeiros packs, pois foram quase 3 lendárias em 5 packs e duas vieram no mesmo pack, com um belo Dale – Ready for his Shot foil (uma das lendárias mais caras do set) e uma Snow White – Merry as the Morning. Apesar de continuar a parecer impossível tirar uma Enchanted e ainda mais uma Iconic, ao menos a introdução da Epic e maior fluxo de Lendárias faz com que a abertura de packs seja mais divertida e empolgante.

Além da diversão, surge outra mais valia. Com algumas das melhores cartas a serem relegadas para Enchanted ou Epic, as cartas mais abaixo que joguem, não são o principal alvo dos scalpers, por isso acaba por ser mais fácil concluir um deck e gastar menos dinheiro a conseguir comprar as cartas necessárias para terminar o vosso baralho. Isto é muito mais importante agora, pois as cartas estão a fazer a sua rotação em breve com a nova expansão e tudo o que está para trás de Fabled, deixa de estar em Standard. Claro que podem jogar o formato mais divertido (e o meu favorito): Infinity, onde todas as cartas jogam, mas não podem jogar na maioria dos torneios oficiais com as cartas mais antigas.

No que respeita às cartas e jogo com elas, dá para perceber que a Ravensburguer quis trazer algumas novidades a este universo. Com Toy Story e Incredibles, chegam os tipos de criatura Toy e Super que servem o efeito tribal tal como as princesas e os heróis. Além disso, existe uma nova aproximação às cartas Floodborn que usam bastante o Shift, que vão abrir caminho para a maior quantidade de cartas Floodborn que vão aparecer na próxima expansão. Claro que existem muitas outras cartas que vão buscar conteúdo que impulsionam cartas de sets anteriores, mas mesmo que queiram comprar uma data de boosters desta edição ou fazer um draft com amigos, então a experiência não vai ser nada má. Algumas cartas são claramente mais úteis ou mais fortes que outras e algumas até são boas surpresas em jogo. Uma delas é a Casa Madrigal, que além de curar personagens dentro dela, ainda cura a localização também, tendo dois de Lore, o que é uma grande ameaça em ambientes mais limitados.

No geral, a experiência de abrir Lorcana: Wilds Unknown, embora mais limitada desta vez por se tratar apenas de um Display (na análise anterior também foi adiconado um Trove), foi bastante mais divertida em todos os aspectos. Existe um sentimento constante de que estamos a abrir mais cartas de qualidade e a mistura entre Epics e Lendárias ajuda a propagar a felicidade e entusiasmo. Não saltou nenhuma carta Enchanted ou Iconic da “manga”. Talvez aumentar a chance de uma Enchanted para 50% por Booster Box fosse mais interessante e divertido, pois existem uma boa quantidade delas e continuavam a ser raras, deixando as Iconic para as hipóteses malucas que devem ter na mesma.

Já abordei o visual das cartas, mas há que dizer novamente que a arte das cartas no geral é bastante impressionante. Além do mais, dependendo das finalizações, foils e versões mais raras, existem aqui cartas com muito boa arte. A Disney e Ravensburguer também estão a conseguir faturar especialmente nas cartas com arte inteira. Tentar juntar Enchanted e Iconic à colecção deve conferir um grande espetáculo visual, pois estas também são vibrantes. A única real que vi à frente foi a Enchanted do “You Have a Friend in Me” e o foil em conjunto com a imagem eram deveras de encher o olho.

O primeiro ano de Lorcana foi um grande arranque para um comboio que não parecia querer parar, até que a rotação chegou e o entusiasmo começou a esmorecer. Quem não parou de jogar, viu o potencial e acreditou que ainda havia aqui destino para o TCG. Lorcana: Wilds Unknown é uma verdadeira vitória para a Ravensburguer e a Disney, não apenas por ter trazido a procura desenfreada pelas Iconic que fez com que o interesse muliplicasse, como a experiência de abertura dos Boosters e a qualidade das cartas em visual e jogabilidade são igualmente de grande qualidade. O futuro ainda não está certo, pois ainda não se sabe quantos coleccionadores vão ser convertidos para o jogo, mas mantendo este ritmo, Lorcana vai começar a rivalizar com os grandes TCG do mercado.

Daniel Silvestre
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