Domingo Nostálgico #6 – Geoff Crammond e a série Grand Prix

Como cresci ao lado do conhecido Autódromo do Estoril, palco de muita actividade relativa à Formula 1 desde os anos 80 até ao final dos anos 90, grande parte da minha família criou uma obsessão pela modalidade inclusive eu mesmo. Aos fins-de-semana parávamos para ver os Grande Prémios, eu tinha uma pequena coleção de cartas com os vários pilotos e carros, eu criei as minhas equipas em brinquedos, e tal como seria de esperar, também tive a minha dose de videojogos.

Apesar de ter jogado muitos na minha infância, houve uma série criada por um estúdio de nome Microprose que me marcou, uma série de nome Grand Prix by Geoff Crammond. Para começar, Geoff Crammond é um programador que ganhou uma paixão pelo desporto motorizado após tentar criar um jogo baseado na Formula 3 em 1984 de nome Revs, mas até lá ainda teve outros projectos.

Super Invaders e Aviator são os dois primeiros grandes projectos de Geoff Crammond, mas o sucesso que conseguiu com Revs mudou o seu mind-set para desenvolver projectos baseados em simuladores de condução e corrida.  Dentro dos simuladores seguiu-se Stunt Car Racer, um impressionante jogo que mostrava as capacidades de Crammond em replicar e manipular as físicas de um veículo em movimento.

Em 1991 Geoff Crammond lançou o Microprose Formula One Grand Prix, um jogo que apostava fortemente em replicar a condução de veículos da modalidade de uma forma bastante mais realista. Os circuitos também estava incrivelmente bem replicados havendo uma preocupação em recriar todas as curvas, inclinações e ambiente envolvente da melhor maneira possível.

Apesar da enorme falta de detalhes seja em termos de texturas como dos cenários, o jogo era uma experiência altamente realista e divertida. O estúdio não tinha os direitos oficiais da modalidade, portanto era necessário alterar os nomes das equipas e pilotos manualmente para podermos ter detalhes mais oficiais.

Formula One Grand Prix 2 foi o jogo que seguiu e talvez o que mais joguei de toda a série. Lançado em 1996, lembro-me de ver o jogo a correr na casa de um amigo e ficar muito impressionado pelo que estava a ver. O estúdio teve a mesma abordagem que o primeiro jogo mas tecnicamente era um projecto muito mais evoluído.

Para além de ser graficamente mais detalhado, este novo jogo Grand Prix passou a ser um produto oficial da Formula 1 o que implica ter todos os pilotos e equipas com os seus nomes e designs oficiais da temporada de 1994. Foram também adicionadas inúmeras opções deste Hotseat, onde vários jogadores jogavam por turnos, Replay, Quickrace e modificar cada vez mais as assistências de condução.

Mais tarde acabei por encher o jogo de Mods e dessa forma foi possível testar inúmeras pistas, situações ridículas, até modificar por completo todas as equipas e veículos. Experimentar estes veículos evoluídos em pistas muito arcaicas como Reims são algumas das minhas melhores memórias deste jogo.

Em 2000 seguiu-se Grand Prix 3, talvez o jogo da série que joguei menos. Na verdade não foi de todo o meu favorito por inúmeras razões, mas o jogo teve uma excelente recepção à mesma e considerado um dos melhores simuladores de condução da altura.

Foi nomeado como o melhor simulador do ano mas perdeu o título para Motocross Madness 2. Infelizmente o jogo foi pragado por vendas fracas devido à excessiva pirataria que acontecia na altura.

Dois anos depois chegou-nos Grand Prix 4, um dos meus jogos favoritos e a ferramenta que praticamente usei para testes de benchmark nos meus PCs futuros e nos dos meus amigos. Graficamente era um jogo fenomenal e com uma sensação de realismo impressionante. Adorava percorrer o circuito de Indianapolis Motorspeedway e ver a vedação do circuito a centímetros do meu carro.

Mais uma vez foi um jogo que foi nomeado para vários prémios quando foi lançado e teve um bom sucesso na altura. Uma versão Xbox foi equacionada mas acabou por ser cancelada mais tarde.

Este seria o último jogo desta série, isto porque após o fecho da Microprose em 2001, Crammond afastou-se do desenvolvimento de videojogos e decidiu ficar à margem de toda a indústria. Grand Prix by Geoff Crammond fica para a história como uma série que deu largos passos no que toca à simulação de corridas nos videojogos.

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