Desculpa Final Fantasy 8, mas não te suporto

Preciso de confessar uma coisa: até hoje ainda não consegui finalizar Final Fantasy 8 e não é por falta de oportunidade. Apesar de ser tecnicamente um marco para a PSOne, o jogo tem alguns problemas que me estragam a experiência.

A minha experiência pela série Final Fantasy começou por ver um amigo meu a jogar o icônico (mas na minha opinião o segundo melhor jogo da série) Final Fantasy 7. Para mim, simplesmente ver uma consola PlayStation a funcionar era algo de mágico, então ver Final Fantasy 7 em funcionamento como todo aquele grafismo e banda sonora com tecnologia de ponta, marcou-me para sempre.

Ao contrário de como acontece hoje, quem não tinha internet podia simplesmente especular ou partilhar o “diz que disse”, e um dos vários rumores que esse meu amigo da altura dizia e comentava, é que Final Fantasy 8 seria ainda mais brutal através de algumas funcionalidades como a capacidade de gravar o jogo automaticamente assim que tocamos no botão de power para desligar a consola..WOW!

Curiosamente, Final Fantasy 8 foi o primeiro jogo da série que joguei, mas infelizmente fiquei na parte final do terceiro disco, portanto se me faltou informação vital que foi partilhada posteriormente, sintam-se à vontade para me corrigir. Preparem-se então porque a minha opinião sobre Final Fantasy 8 é capaz de deixar alguns revoltados.

Obviamente que Final Fantasy 8 foi um marco gigante mas a meu ver, mas nunca conseguiu ser aquilo que prometeu e muito por culpa de um dos elementos mais fundamentais de qualquer RPG, a personalidade e desenvolvimento de algumas das personagens. Peço desculpa, mas eu não suporto grande parte das personagens.

Posso dizer que de todas, apenas senti alguma simpatia e admiração pela bela professora do colégio de Balamb, Quistis. Esta personagem é uma rapariga determinada e linda mas que mesmo assim acabou por se apaixonar pelo protagonista que não quis nada com ela…e ainda bem!

Falemos então do protagonista, Squall. Lembro-me de falar e discutir com o nosso Daniel Silvestre sobre os dois jogos acima mencionados, Final Fantasy 7 e Final Fantasy 8, e um dos pontos mais hilariantes era tentar descobrir quem era o maior emo, ou choramingas deprimido, dos dois.

Eu continuo a defender que Cloud é um personagem com muito mais personalidade mas que infelizmente sentiu a dor através das várias experiências que foi sujeito pelas mãos da companhia Shinra, tornando-o numa pessoa bastante revoltada, já Squall até pelo menos o 3º disco do jogo, não consegue oferecer uma justificação plausível para tamanha performance de tristeza e indiferença para com o mundo inteiro, e isso só torna a personagem mais irritante. Apesar de ter alguns momentos de coragem pelo jogo fora, toda a abordagem dele perante os eventos do mundo é um pouco “sem sal” e simplesmente decadente. Torna-se frustrante ver certos acontecimentos a desenrolarem e olhar para aquela criatura constantemente cabisbaixa num canto qualquer simplesmente a ouvir.

Apesar do grupo de Squall ser bastante diverso no que toca à personalidades, sinto uma falta de click no geral apesar de uma amizade que possa haver entre ambos. Eu entendo que sejam todos jovens e que vivam toda aquela insegurança da adolescência ao extremo, mas num videojogo e com eventos de tamanha importância, certas discussões entre algumas das personagens não favorecem o ritmo do jogo.

Se formos procurar na internet, vemos que Rinoa é uma das personagens que mais divide os fãs e isto pela simples razão de ter uma personalidade altamente irritante e o seu desenvolvimento como personagem é praticamente inexistente. Vê-la constantemente a ser tonta em certas atitudes também não ajuda. Selphie é outra rapariga completamente desinteressante e dispensável para a história apesar de ter toda a sua atitude positiva, sem falar que gosta de comboios…

Falando um pouco dos pontos altos deste jogo, eu coloco a banda sonora facilmente no meu top 3 de bandas sonoras favoritas. Nobuo Uematsu executou mais um trabalho genial e a música de Balamb Garden ficará para sempre gravada na minha memória. Eu acho que foram usadas muitas das capacidades da consola para conseguir trazer uma experiência sonora digna de um jogo Final Fantasy, mas as composições de Uematsu-san são muito boas.

Vejo muita gente a queixar-se do sistema de Draw e até entendo as queixas, mas neste aspecto é um pouco difícil apontar o dedo a alguém que depois de tantos está a tentar algo de novo. Sem falar que a série Final Fantasy sempre tentou “inventar” algo com o decorrer dos anos e eu estou a olhar para ti Final Fantasy 2. Passados tantos anos eu consigo entender que seja um sistema chato e feito um pouco às três pancadas, mas neste sentido eu não censuro a Square.

Com tantas queixas, isto não quer dizer que eu odeie Final Fantasy 8, simplesmente é um dos meus jogos menos favoritos de toda a série apesar de haver muita gente que goste dele. Talvez um dia consiga juntar alguma paciência para acabar o jogo de uma vez por todas e ver para além dos seus defeitos.

O jogo está disponível em versão Remastered para PC, PS4, Xbox One e Switch.

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