Análise – Ys IX: Monstrum Nox

Interessante ver como até há bem pouco tempo a Falcom era uma empresa com pouca expressão no ociente e de um momento para o outro, jogos com Ys e The Legend of Heroes encontraram as suas audiências e deram à empresa o destaque merecido.

Claro que a série Ys é uma das mais antigas até no que toca a RPG e depois do bem sucedido Ys VIII: Lacrimosa of Dana, eis que nos chega Ys IX: Monstrum Nox que conta a história de uma forma algo diferente do que estamos habituados a ver.

Como é costume, Adol e o seu amigo Dogi continuam a sua demanda como aventureiros. Pouco tempo depois dos acontecimentos do episódio anterior, os dois amigos chegam a uma cidade conhecida por ter uma fortaleza gigante convertida em prisão. Curiosamente, Adol é indiciado imediatamente por crimes que não cometeu e é preso.

Como a aventura continua sempre a chamar, Adol consegue escapar e pelo caminho é transformado num Monstrum, um alter-ego com poderes que a pessoa pode usar a qualquer momento. Preso na cidade por esta maldição, é preciso viver a história e descobrir o mistério por detrás dos Monstrum e da própria cidade em si.

 

Embora grande parte dos jogos de Ys recorram à exploração de cenários, Ys IX: Monstrum Nox faz com que a movimentação seja ainda melhor do que antes, sendo que cada Monstrum que se junta à nossa equipa, permite utilizar novos poderes. Adol consegue saltar entre pontos com uma espécie de gancho, enquanto a White Cat permite subir paredes e o Hawk desbloqueia a habilidade de planar. Isto faz com que os cenários tenham uma verticalidade muito maior e existam mais coisas para explorar do que parece à primeira vista.

Não sou é grande fã da forma como a cidade está bloqueada e vai abrindo com recurso a barreiras invisíveis que precisam de ser abertas na dimensão alternativa do Grimwald Nox. É preciso obrigatoriamente realizar missões e lutar contra inimigos para juntar uma essência especial para desbloquear estas zonas, o que a meu ver só acabam por limitar as zonas de jogo sem grande sentido.

Além da cidade em si, existem zonas mais fechadas que respeitam aos esgotos ou passagens subterrâneas da cidade que estão mais próximas do estilo clássico de navegação de Ys, embora estes comecem a ficar cada vez mais amplos e mais interessantes à medida que vamos avançado na história e mais Monstrums se juntam à nossa equipa principal.

O combate é o típico de Ys, recorrendo a a movimentação em tempo real e confrontos directos contra os inimigos que estão presentes no mapa. Além dos ataques básicos, as personagens podem usar as suas habilidades base, assim como outras que vão sendo desbloqueadas há medida que se somam níveis de evolução. Sendo um RPG, é sempre possível adicionar novas armas, armaduras e até desbloquear especiais de ataque mais poderosos.

Embora goste bastante do combate e da fluídez do mesmo, por vezes somos forçados pela história a entrar numa dimensão alternativa onde temos de proteger um cristal contra vagas consecutivas de inimigos. Isto mistura elementos de Tower Defense com combates contra vagas, o que é algo que neste jogo não me parece tão divertido como seria de esperar. No final somos medidos consoante a nossa prestação, mas parece sempre demasiado repetitivo e simplório.

Os bosses são um dos elementos clássicos de Ys e também regressam em Ys IX: Monstrum Nox. Jogando no modo normal não posso dizer que tive grandes dificuldades contra qualquer um deles e se estão habituados a MMO mais recentes, vão perceber depressa que existem ataques que devem ser evitados de certas formas e alturas certas para atacar. Embora a maioria deles tenham estratégias específicas de combate, percebi que se atacasse com força com os devidos cuidados, também é fácil vencer à mesma.

Outro elemento que ajuda à variedade é o facto de pudermos mudar de personagem em tempo real a qualquer altura, desde que ela faça parte da nossa equipa principal, ela estará presente e disponível para combate. Fora do combate em si, temos também a ajuda de outras personagens que se vão reunindo na base. Estes não só oferecem serviços únicos, como até ajudam nas batalhas de Grimwald Nox onde temos de proteger os cristais. Algumas são mais úteis que outras, mas são boas adições no geral.

Se já viram as imagens que acompanham a análise, já devem ter percebido que Ys IX: Monstrum Nox continua a usar o mesmo motor de jogo que Trails of Cold Steel 4 e o anterior o Ys VIII. Isto significa que estamos a jogar com personagens com bom design, mas temos muitos elementos e cenários que parecem saídos da geração da PS3. É especialmente estranho jogar na PS5 como eu fiz e ver que está vários furos abaixo do que até a PS4 consegue fazer.

No departamente sonoro a qualidade dispara para valores bastante elevados. A NIS America fez um bom trabalho e alguns bons actores de Trails também fazem parte deste elenco o que garante bastante qualidade. Os mais puristas podem sempre jogar com as vozes em japonês. Quanto à banda sonora, temos uma mistura de bons temas de ambiente e algumas músicas mais agressivas para o combate. No geral a banda sonora é bastante boa e ouvir algumas das músicas durante a escrita desta análise deu para perceber que vivem além do jogo.

A nível de conteúdo, Ys IX: Monstrum Nox consegue ser terminado em pelo menos 25 horas. Existe uma catrefada de dificuldades extra e algumas coisas para coleccionar que aumentam até ao dobro se assim quiserem.

Ys IX: Monstrum Nox tinha a responsabilidade de seguir nas pisadas bem estabelecidas de Ys VIII: Lacrimosa of Dana e manter a relevância do estúdio no ocidente. O resultado é um jogo que não faz tudo bem e sofre com algumas limitações. No entanto está munido de uma exploração divertida, combate que entretem e um grupo de personagens que mesmo não tendo tanto tempo para brilhar como os de Cold Steel, acabam por ficar na memória.

Por isso mesmo, Ys IX: Monstrum Nox é um óptimo JRPG de acção que deve ser considerado por todos os fãs do género. Agora que a Falcom está a mudar para um novo motor de jogo e tem tido muito mais apoio com as vendas no Ocidente, fico com boas expectativas para Ys X.

Positivo:

  • História interessante
  • Habilidades de exploração
  • Combate divertido
  • Boa banda sonora e vozes

Negativo:

  • Grimwald Nox parece algo fora do sítio
  • Motor visual mostra a sua idade
  • Limitações de exploração

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