Análise – Wonderbook: Livro de Feitiços

Incentivar as crianças a ler um livro sempre foi uma epopeia para grande parte dos pais, e até ao aparecimento de livros como a saga Harry Potter de J.K. Rowling, ler um livro era quase sinónimo de castigo.

Os anos passaram e nos dias que correm, jogar um bom jogo com uma boa história é uma experiência tão rica como ler um livro. Como tal, não iria demorar muito tempo até que os dois estilos de média criassem um fusão, da qual, o resultado mais recente é Wonderbook.

Wonderbook não é mais que uma plataforma para a nova série de jogos interactivos da Sony, um livro recheado de códigos visuais ao estilo dos QR Codes, que são lidos pela Playstation Eye e assumem forma na vossa televisão.

Incluído no pacote de lançamento está O Livro de Feitiços, um livro de introdução à feitiçaria inspirado no mundo de Harry Potter e idealizado pela própria J.K. Rowling. Até aqui a premissa parece ser a melhor, mas Wonderbook fica algo aquém das expectativas.

Com uma direcção claramente apontada para os mais novos, o Livro de Feitiços não é muito mais do que um guia interactivo para uma certa quantidade de feitiços. À medida que vão avançado pelos vários capítulos vão ter de virar as páginas do Wonderbook para descobrir o novo desafio desse capítulo.

Normalmente as actividades não vão muito além da leitura de uma determinada frase, as quais estão narradas na generalidade. Depois de uma introdução ao novo feitiço, podem praticá-lo ou interagir com o livro para aprender mais sobre o mesmo. No final de capa capítulo, são testadas as vossas capacidade ao realizar cada um dos feitiços em zonas de avaliação que servem como um teste.

A interacção com o Wonderbook é feita na sua totalidade com o PS Move, mas este não funciona sempre com precisão, não são raras as vezes que foi necessário voltar a fazer o mesmo movimento para que a Playstation Eye conseguisse detectar o que queria fazer e em alguns casos, os símbolos de certos feitiços são facilmente confundidos com outros.

Quanto ao Wonderbook, a detecção funciona bastante bem e só mesmo se alguém passar à frente da televisão é que o efeito é perdido. É verdade que por vezes é necessário levantar o livro para calibrar, mas não é algo que seja intrusivo ou estrague a jogabilidade.

A apresentação do Livro de Feitiços pode ser muito simples e até básica por vezes, mas capta bem a essência do universo de Harry Potter, desde os seus cenários até às suas actividades. Podia ter sido mais trabalhado, mas os mais novos vão gostar essencialmente de sentir que estão em alguns espaços de Hogwarts.
Quanto ao livro em si, o cartão usado faz com que o livro seja ao mesmo tempo bastante sólido, mas macio ao toque, o único problema será mesmo a sua arrumação entre as colecções devido ao seu tamanho.

Sonoramente, podem contar com as músicas típicas de Harry Potter que são de boa qualidade. Já as vozes, podem ser ouvidas tanto em português como em inglês, e mesmo que a versão inglesa esteja superior, o público a quem se dirige vai ficar encantado com o trabalho dos actores portugueses.

Como disse no início, O Livro de Feitiços é uma boa ideia, mas falha em muitos pontos, não aproveitando todas as potencialidades do Woonderbook. Não consigo perceber a ausência de um modo multijogador que permita que dois ou mais amigos possam passar o Move entre si, ou de uma aventura totalmente interligada. Muitas vezes parece que estamos apenas a ler um livro desconjuntado com capítulos que partilham apenas do mesmo tema.

Outro problema é a longevidade bastante curta. Estamos a falar numa “espécie” de jogo que pode ser terminado em duas horas e que não vai além de uma experiência interactiva que não pede para ser repetida.

Nesta análise foi possível ver que o Wonderbook é um conceito que pode vir a dar frutos e até quem sabe, ser mais um incentivo para adquirir o Move, no entanto, O Livro de Feitiços está longe de ser o exemplo ideal e como tal, não vai agradar a muito mais pessoas do que os mais novos ou fãs de Harry Potter. Que venha daí Diggs Nightcrawler para esclarecer estas dúvidas.

Positivo:

  • A temática de Harry Potter foi bem recriada
  • Ideal para entreter os mais novos
  • Quando o Move não falha parecemos feiticeiros a sério

Negativo:

  • Termina depressa e não existe grande incentivo para repetir
  • Move é bastante impreciso
  • A interação com o livro não cria uma experiência inovadora
  • Deviam ter sido criados desafios extra para um ou mais jogadores

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