Análise – The Mandalorian T2

No final de 2019 havia terminado a saga Star Wars nos cinemas, ao mesmo tempo que esta começava no ramo das séries, nomeadamente no Disney Plus. A primeira temporada de The Mandalorian, a qual podem conferir a nossa análise aqui, foi muito bem recebida pela crítica especializada e, sobretudo, pelo público geral. Efetivamente, poucas pessoas arriscavam em apostar, que a série seria um estrondoso sucesso comercial, não só em merchandising (99% investidos em figuras do Baby Yoda), como em agregar subscrições deste serviço de streaming. Assim não era de espantar que mais temporadas estivessem a caminho, portanto aqui estamos.

Tal como a anterior, Jon Favreau regressa à cadeira de produtor, e Dave Filoni ao cargo de argumentista, e também director de alguns episódios. A proposta inicial manteve-se, de entregar uma história capaz de explorar uma vertente ligada ao universo dos Mandalorian’s. E agora pretende-se também, levando em conta que as bases da série já estão definidas, criar e expandir novos alicerces em torno desta produção, tal como seria de esperar de algo vindo de Star Wars. Salientar ainda que a escolha, novamente, de apenas oito episódios, volta encaixar-se acertadamente, na medida em que torna experiência concisa, sem perder muito tempo com eventos acessórios que pouco acrescentam à história, mas já lá iremos.

Esta segunda temporada começa onde a primeira terminou, Baby Yoda ou The Child, é agora procurada por toda a galáxia, em especial por Moff Gideon (Giancarlo Esposito), que alegadamente tem fortes conexões e um grande interesse nesta pequena criatura. O Mandalorian (Pedro Pascal) está assim numa jornada, contra os requisícios das forças do Império, em levar The Child junto de um Jedi que o possa acolher e treinar. Pelo caminho, e como já seria de esperar, irão surgir novas ameaças e obstáculos capazes de pôr à prova o laço entre os dois protagonistas.

Sem entrar em muitos detalhes, grande parte do elenco da temporada anterior, volta de alguma maneira a dar as caras nesta temporada, sem que a sua presença seja forçada, o que é um ponto muito positivo, se levarmos em comparação outras séries do mesmo género. Entre as quais se encontram Cara Dune (Gina Carano), Greef Karga (Carl Weathers) ou Peli Motto (Amy Sedaris).  Claro, que este elenco de veteranos é reforçado com a presença de novas personagens, que, tirando Boba Fett (Temuera Morrison) que já havia sido revelado, não irei mencionar, para não estragar a surpresa, portanto apenas irei fazer menção aos atores que as interpretam, como Katee Sackhoff ou Rosarui Dawson.

Como referi anteriormente, a longevidade da série permaneceu a mesma, nesta lógica, cada personagem tem o seu devido tempo de antena e desenvolvimento adequado, sem que para isso seja necessário sacrificar parte da narrativa principal. Levando em consideração que Jon Fraveau, conseguiu de uma forma melhorada, em comparação com a temporada anterior, otimizar e encaixar na medida certa, cada personagem a um momento chave da série, tornando-as imprescindíveis. Mesmo que para alguns, a reduzida aparição de determinadas personagens possa parecer injusto, visto que acabaram de a introduzir, deve-se ver que o foco aqui é no Mandalorian e em The Child, e que tudo o resto é um complemento para mover a história em frente.

Ainda nesta perspectiva devo dizer que um dos principais problemas que tinha na temporada anterior, foi resolvido nesta nova temporada, graças ao esforço da equipa da Lucasfilm, em ouvir os seus fãs. Certos episódios focavam-se em aventuras paralelas, que pouco ou nada tinham a ver com a narrativa principal, acabando por ser uma desilusão, quando verificava que dali não havia nada de importante que era acrescentado. Agora, estes episódios mais contidos e fechados, trazem sempre algo de novo para cima de mesa, e é raro encontrar algum elemento apresentado, que não tivesse o devido payback no final do episódio.

Em termos negativo, esperava mais do vilão principal, Moff Gideon. A temporada anterior deixou em aberto várias possibilidades, que levariam a crer que este vilão tivesse um foco mais interessante e notável, mas este não é o caso. Faz lembrar em certa medida o vilão de Far Cry 4, que tinha uma presença contínua num dado momento, mas que no restante tempo, era esquecido. Apesar daquilo que a terceira temporada poderá trazer, nesta aqui, não foi a melhor escolha deixar Moff Gideon, mais uma vez de parte.

No que toca às questões técnicas é importante reforçar que mais uma vez, os efeitos especiais e os práticos misturam-se adequadamente. De modo a entregar aquilo que seria de esperar, de algo vindo dos filmes clássicos de Star Wars, tornando toda a experiência algo remanescente do passado, ao mesmo tempo que se atualiza com novas práticas modernas de direção. Mais do que nunca, se nota aqui, que a linha entre a qualidade de uma série em comparação com aquela de um filme, se está a tornar muito ténue. Vários efeitos especiais são dignos de ser comparáveis com algo visto nos cinemas, e isto só torna o meio das séries mais bem visto aos olhos dos grandes executivos, o que em última análise, só favorece o consumidor.

Posto isto, também a qualidade da banda sonora e a expressividade dos mundos e áreas apresentadas se manteve desde a temporada anterior. Nada é colocado ao acaso, cada aspecto sonoro é relevante para a tensão de uma cena, cada detalhe num plano sequência é importante para construir uma personagem ou situação. The Mandalorian consegue, para a minha surpresa, empregar conceitos e referências do universo expandido de Star Wars, em grande quantidade, sem que isso afecte a premissa central. Muito pelo contrário, expande e encaixa cronologicamente algumas peças do puzzle que haviam ficado soltas, tanto na temporada anterior, como em outras produções, como em Star Wars: The Clone Wars ou em Star Wars: Rebels.

Na primeira temporada as referências e callbacks a outras produções, tais como The Good The Bad And The Ugly (1966) e Yojimbo (1961), respectivamente, faziam apenas parte da influência criativa trazida por Jon Fraveau para a série. Agora, estes elementos fazem parte integral da história e constroem-se em torno desta. Acima de tudo, The Mandalorian é uma mistura perfeita entre aquilo que se podia esperar de um Western Spaghetti, juntamente com uma atmosfera típica de um filme Samurai de Akira Kurosawa.

Como referi na análise da temporada anterior, The Mandalorian já tinha uma fórmula de sucesso que podia seguir, e assim foi. Contudo não esperava, que a já elevada fasquia de qualidade, fosse elevada. O facto de ter dado um “Excelente” nessa análise, torna um pouco redutor agora dar a mesma nota, pois dá a entender que o padrão se manteve, no entanto, é totalmente o oposto.

A segunda temporada é realmente uma experiência fantástica e única. A palavra-chave que melhor a define é Equilíbrio. Pois consegue dar aos fãs aquilo que eles querem, através do retorno e introdução de personagens dos episódios cinematográficos e das séries animadas, ao mesmo tempo que constroi a personagem de Mandalorian e a sua relação com The Child. E como disse, nada é colocado ao acaso, tudo é relevante, o que em última instância, torna-a a melhor série do serviço do Disney Plus, e como grande candidato a melhor série do ano.

Positivo:

  • Trabalho de direção e fotografia;
  • Episódios contidos têm importância na continuidade da história;
  • Efeitos especiais aprimorados;
  • Química entre Mandalorian e The Child;
  • Retorno e introdução de personagens veteranas do universo de Star Wars na série;
  • Banda sonora e sonografia;
  • Homenagens à filmografia de Sergio Leone e de Akira Kurosawa;
  • Coreografia das cenas de ação;
  • Climax do último episódio;

Negativo:

  • Moff Gideon deixado de lado na narrativa e sem nada de grande que acresça na personagem;

João Luzio
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