Análise: The Fault in Our Stars – A Culpa é das Estrelas

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Isto de adaptar obras literárias para o cinema pode originar grandes problemas. Se a obra não corresponde às expectativas dos leitores, existem tumultos. Se a obra cinematográfica consegue ir mais longe do que a palavra escrita, a obra original perde em comparação, criando sensações mistas.

Num passado recente, a literatura juvenil tem revelado imenso potencial financeiro, especialmente nas adaptações cinematográficas. Talvez o género de acção seja o preferido (Saga Twilight e The Hunger Games), mas o pano de fundo não prescinde do romance, que acaba por estar no centro das atenções.

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Nesse contexto, The Fault in Our Stars (obra original do youtuber John Green) narra a história de dois adolescentes (Hazel e Gus), que conhecem o amor no cenário adverso da luta contra o cancro.

O elenco conta com a extremamente talentosa Shailene Woodley no papel de Hazel, que confirma a suspeita de que a curto prazo será uma das estrelas maiores da Hollywood, misturando carisma e uma expressão natural, fundamental na arte de representar. Apesar de menos experiente, Ansel Elgort consegue estar à altura de Gus, exumando a verdadeira essência do personagem, conseguindo divertir, emocionar, surpreender e espicaçar todos os actores com quem partilha cenas. O elenco conta ainda com o promissor Nat Wolff, Laura Dern, Sam Trammell, Lotte Verbeek e Willem Dafoe (uns furos abaixo da qualidade habitual).

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A realização de Josh Boone requer alguns apontamentos… especiais. Trata-se de uma realização consciente das necessidades e da faixa etária dos personagens, explorando o funcionamento e a importância do telemóvel (reação dos personagens perante a informação escrita) e da adaptação social dos adolescentes com doenças terminais. A realização é segura, com clara influência do estilo clássico, ficando a sensação de que faltou calo na abordagem aos momentos dramáticos.

Nos restantes domínios técnicos, ficam algumas lacunas. O filme padece de uma direcção de fotografia retirada de um programa de televisão (demasiadas luzes ligadas), manifesta falta de qualidade do elenco secundário e uma edição pouco dinâmica, que estica a duração dos planos e cai na tentação de explorar os momentos dramáticos em slow motion.

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Cinema estava a precisar de uma história de amor, daquelas que emocionam e provocam sentimentos. Paradoxalmente, num passado recente, o par romântico mais credível existe num filme com super-heróis (Gwen Stacy e Peter Parker), até o aclamado Her não é muito mais do que um homem solitário, que se apaixona por si mesmo (desculpem os fãs do filme de Spike Jonze). Portanto, The Fault in Our Star tinha uma responsabilidade acrescida, com uma temática delicada, capaz de apelar aos dois géneros e a várias gerações.

The Fault in Our Stars esteve prestes a conseguir, os diálogos são ricos e a química entre os actores principais funciona, contudo, o drama e a tristeza são explorados a meio gás. O amor entre Gus e Hazel cresce aos olhos do espectador, mas os momentos dramáticos existem fora de cena, ficando o filme entretido com um plot paralelo durante o clímax. O filme transmite a ideia que a morte é triste, no entanto, faltou transmitir a inequívoca certeza de que é uma injustiça diabólica, aqueles dois não acabarem juntos, restando a mensagem de que se trata de uma inevitabilidade.

 

Positivo

  • Química entre Shailene Woodley e Ansel Elgort
  • Uma história de amor com adolescentes que não envolve vampiros nem lobisomens
  • Linguagem actualizada
  • Capacidade de humorizar a tragédia

Negativo

  • Não é assim tão emocional
  • Edição com demasiados momentos mortos
  • Twist mais ou menos previsível
  • Willem Dafoe pouco empenhado

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