Análise – Star Wars: The Clone Wars: Final Season

Das inúmeras produções feitas pela Lucasfilm, que tentam expandir o universo de Star Wars, sem dúvida, que a série animada, Star Wars: The Clone Wars, é uma das melhores (senão a melhor) entre elas. Apesar da popularidade e da grandiosidade da série em 2014, aquando da sexta temporada, a Lucasfilm decidira terminar a produção da série, contudo para muitos fãs, aquele não parecia ser um final satisfatório. Só na San Diego Comic-Con, em 2018, é que a esperança foi confirmada. Neste sentido, agora em 2020 no Disney Plus, chega por fim a verdadeira conclusão de uma das fases mais épicas e marcantes de Star Wars.

De forma a por a par a quem é conhecedor de Star Wars, mas que nunca viu a série, vou fazer um breve contexto. Star Wars: The Clone Wars tem lugar entre o Episódio II: Attack Of The Clones e o Episódio III: The Revenge Of The Sith, a qual conta os eventos deixados de lado nos filmes, da guerra e dos conflitos entre o exército de clones da república e os separatistas. A série tem a presença dos já conhecidos, Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Yoda, Mace Windu, entre outros. Conta com algumas personagens novas, como Ahsoka Tano, a aprendiz de Anakin, e de Captain Rex, um dos comandantes do extenso exército de clone troopers, entre muitas outras personagens que vão sendo introduzidas ao longo da série.

No geral, como a série pretende contar o período das guerras dos clones, esta acaba por dar ênfase aos soldados da república, que apesar de serem todos clones de Jango Fett, estes ao longo da série, acabam por ser desenvolvidos enquanto indivíduos únicos, com as suas próprias particularidades. Como é o caso do já mencionado, Captain Rex, Cody ou de Jesse, o que acrescenta alguma humanidade, a um exército aparentemente programado. Outro assunto que a série aborda, é o treino de Ahsoka Tano, que pretende tornar-se uma mestre Jedi. Além disso a série aproveita para enfatizar os motivos que levaram à futura transformação de Anakin, uma vez que os episódios cinematográficos, apenas dão 1/3 daquilo que foi a ascensão do mesmo para o lado negro da Força.

No que toca à sétima temporada em específico, esta continua onde a última acabou. Ahsoka Tano havia abandonado a Ordem Jedi, onde acaba por ir viver, isolada, nos níveis inferiores de Coruscant. De outro ângulo, Captain Rex, está de luto pela suposta morte de Cody, evento este que o abalou e lhe fez questionar os próprios métodos dos seus companheiros no combate. Neste seguimento, a série acaba por ser dividida em três grandes segmentos. O primeiro arco da temporada é focado nos clone troopers, e na procura do soldado Cody. O arco seguinte foca no desenvolvimento de Ahsoka, e na sua jornada em perceber qual o seu verdadeiro papel, naquele cenário de guerra.

O último arco é onde reside o verdadeiro valor desta temporada, e arrisco dizer de toda a série. Aqui acompanhamos de perto o Siege Of Mandalore, o período onde Darth Maul tomou o poder à força em mandalore, o planeta dos mandalorianos, onde impõe a sua própria autoridade. Desta maneira cabe aos Jedi, não só descobrir quais os planos do Sith Lord, como também de parar a guerra que estava a chegar a um ponto crítico. Por falar nisso, Darth Maul é uma das grandes surpresas desta temporada, pois para o meu espanto, acaba por ter muito mais desenvolvimento do que aquele até então apresentado anteriormente. No geral, nesta temporada acabamos por perceber o impacto das guerras dos clones, e as consequências pessoais que esta acaba por ter no desenvolvimento das personagens e daquilo que estaria por vir na história dos filmes.

Ainda no que toca ao último arco da temporada, este é trabalhado e construído, como se fosse um filme, ao estilo daqueles já vistos. Contando com o letreiro e música habitual, para acompanhar a abertura de cada episódio desse arco. Nesta continuidade, a banda sonora é outro ponto forte, pois encaixa que nem uma luva na ambiente do universo, como também serve como homenagem aos filmes. Até a própria sonoridade ajuda neste sentido.

Outro ponto a ressalvar é a animação, que supera as temporadas anteriores. Cada mínima coisa apresentada é cheia de detalhes e fluí bastante bem com a passagem das cenas, tendo sido trabalhada ao pormenor. É igualmente nas cenas de batalhas espaciais e nos confrontos de lightsabers que é possível ver o primor da animação, que é um espectáculo audiovisual fascinante. Arrisco mesmo a dizer que supera os próprios filmes e tudo aquilo até agora visto no universo de Star Wars. Como se trata de uma série animada, importa frisar o trabalho de vozes. Até ao fim do segundo arco os atores escolhidos para dar voz são os mesmos que a série já nos havia habituado. Contudo, a partir do terceiro arco, as vozes das personagens, mudam para ser dobradas pelos próprios atores que as interpretam nos filmes. Com Hayde Christensen como Anakin, Ewan McGregor como Obi-Wan, Frank Oz como Yoda e Ray Park como Darth Maul, entre outros.

No que diz respeito à estrutura dos episódios, nem todos têm a mesma qualidade, com os primeiros dois arcos a serem significativamente inferiores, em relação ao primoroso último arco da temporada. Star Wars: The Clone Wars já seguia um pouco esta estrutura nas restantes temporadas, em que a variação da qualidade dos episódios é mista e varia como uma montanha -russa, contudo, sendo esta a última temporada, esperava um pouco mais primor neste aspecto. No entanto, estes dois primeiros arcos são bons, mas não têm grande impacto no panorama global da série, no entanto, têm o seu devido mérito.

Outro feito que acentua a qualidade do guião, é o facto de que esta temporada, não só se passa momentos antes do Episódio III, como também chega a decorrer ao mesmo tempo deste filme. Ou seja, a determinada altura, acabamos por estar nos mesmos acontecimentos da Revenge Of The Sith, mas de outra perspectiva diferente, nomeadamente acompanhamos a visão de Ahsoka, Maul e Rex. E que por sinal, são estes os verdadeiros protagonistas da temporada, pois recaí neles contar de outro ângulo, os eventos já apresentados, mas que não tinham sido explorados por outros caminhos, que até então eram desconhecidos.

Em modo de conclusão, Star Wars: The Clone Wars: Final Season acaba por ser tudo aquilo que esperava e muito mais, muito mais mesmo! Fechando  com chave de ouro, não só a série como também a junção do Episódio II com o Episódio III, sem deixar nenhuma ponta solta, e com tudo explicado de forma inteligente e audaz. Por último, digo que até mesmo para quem só acompanhou os filmes, não me canso de recomendar que vale mesmo a pena, ver no mínimo o último arco da temporada, que a meu ver, ultrapassa de longe até a excelência de alguns filmes clássicos da saga.

Positivo:

  • Une com sucesso o Episódio II e o Episódio III;
  • Prestação de Darth Maul;
  • Desenvolvimento de Ahsoka Tano;
  • Último arco da temporada;
  • Qualidade da animação;
  • Referências e callbacks ao universo de Star Wars;
  • Ambientação grandiosa;
  • História;
  • Fecha com chave de ouro a série;

Negativo:

  • Nem todos os episódios têm a mesma importância;

João Luzio
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