Análise – Star Wars: The Rise Of Skywalker

Após 42 anos de George Lucas nos presentear com o primeiro filme de uma das sagas mais populares da cultura pop, chega em 2019, o último capítulo desta aventura espacial, com Star Wars: The Rise Of Skywalker. O qual é também o último filme da nova trilogia criada a partir da integração da Lucasfilm na Disney.

J.J. Abrams retorna para o papel de director, mais uma vez, a sua missão era a de não só concluir esta trilogia, mas simultaneamente fechar o arco da família Skywalker de forma coesa. Além dele, voltam os veteranos, Rey (Daisy Ridley), Kylo Ren (Adam Driver), Finn (John Boyega), Poe (Oscar Isaac), C-3PO (Anthony Daniels), Luke Skywalker (Mark Hamill), Leia Organa (Carrie Fisher), Chewbacca (Joonas Suotamo) e General Hux (Dornhall Gleeson).

De forma geral, todos eles, mantiveram ou melhoraram a sua prestação neste filme, salvo o caso de John Boyega, que devido a escolhas narrativas, acabou por ser um pouco sacrificado em termos de desenvolvimento de personagem. Por outro lado, foram introduzidas novas personagens, como é o caso de Zorii Bliss (Keri Russell), que apesar de uma aparência visualmente interessante e de um passado misterioso, deixa a desejar pela falta de visibilidade na grandeza do guião, ponto este que irei abordar mais à frente nesta análise. Adicionalmente, é nos apresentado General Pryde (Richard Grant), um dos novos reforços da First Order, e Jannah (Naomi Ackie), ex-stormtrooper que agora se vê como aliada da Resistência.

A história passa-se um ano após os eventos de The Last Jedi, onde Rey continua o seu treino, com o auxílio de Leia, com o intuito de se tornar mestre Jedi. Por outro lado, Kylo Ren prossegue o seu plano de se assimilar cada vez mais com o lado negro da força, sendo agora o supremo líder da First Order. No meio desta divergência, os resquícios da Resistência tentam sobreviver num planeta isolado dos radares dos inimigos. Neste seguimento, um dos principais plot devices, passa pelo retorno, do até então falecido, Imperador Palpatine (Ian McDiarmid), que com o apoio de Kylo pretende não só dizimar a Resistência, como também trazer a Rey para o lado negro da força.

Nesta sequência, o guião, tal como referi anteriormente, incorpora a história como uma grande aventura, em que os heróis terão de passar por inúmeros desafios e obstáculos até chegarem ao verdadeiro desafio e confrontar a ameaça central. Este elemento narrativo, faz lembrar a trilogia original (Episódio IV, V e VII). Reforçando a ideia de que a nova trilogia é uma homenagem aos filmes que lhe antecedem, havendo várias semelhanças entre as duas histórias . Contudo, neste aspecto, J.J Abrams tentou “disfarçar” esta sensação de familiaridade, sem sucesso, ao tentar incorporar demasiados novos elementos à história seguidos, sem que haja um desenvolvimento real e claro das personagens, do espaço e da acção, que estão a ser introduzidos.

Como resultado, temos momentos onde o bombardeamento de nova informação é tão constante que se torna avassalador. Não dá tempo ao espectador de se familiarizar com o novo conteúdo, residindo o investimento emocional naqueles que já conhecemos. Num momento estamos a acompanhar a perseguição frenética de Rey e companhia por parte da First Order em Pasaana. De seguida somos colocados num ambiente de espionagem em Kijimi, o qual se consuma numa missão de resgate numa das naves do inimigo. No geral, apesar dos conceitos introduzidos serem pouco trabalhados e muito corridos, estes tinham bastante potencial, o qual acabou por ser deixado de lado em prol da continuação da história.

Posto isto de lado, a relação das personagem é dos pontos fortes deste episódio. Seja pela relação materna e de mentoria entre Rey e Leia, seja pela relação da rivalidade entre Kylo Ren e Rey. Neste filme, estes são uma força bivalente dos lados opostos da força. Por falar nisso, Adam Driver, apesar de forma prematura, consegue completar o arco de história da sua personagem com excelência, demonstrado o seu potencial enquanto actor. Já Rey sofre do problema já aqui referido, a sucessão contínua de plot devices e da pressa que a história tem em chegar ao climax. De outra perspectiva, sente-se a importância que a personagem de Luke tem no desenvolvimento de Rey, no sentido, em que o mesmo a faz realmente mover-se para o fecho do arco da família Skywalker como um todo.

O retorno de Lando Calrissian (Billy Dee Williams) é muito bem-vindo, de tal forma, que a meu ver, já deveria ter sido re-introduzido no filme anterior. Lando continua com o seu carisma e atitude de sempre, porém não tem muito tempo de antena, acabando por parecer mais um figurante no plano geral da narrativa, do que uma personagem secundária.

Outro aspecto a sobressair, são os efeitos especiais, que estão melhores do que nunca, nomeadamente no que diz respeito às batalhas no espaço e às cenas coreografadas de lightsabers. É realmente notável a evolução desde o primeiro episódio ao último. Neste requisito, nunca conseguem deixar de surpreender. Por oposição, está a banda sonora, que apesar de se manter relativamente igual, o nível de qualidade a que John Williams já nos habituou, deixa muito a desejar. Praticamente todos os filmes tinham pelo menos uma faixa que se destacava e que marcava o filme. Neste, à excepção das antigas, nenhuma se destaca. Arrisco dizer que houve pouca criatividade e inovação neste aspecto.

Em suma, com os seus altos e baixos, The Rise Of Skywalker consegue minimamente entregar um final satisfatório à saga da família Skywalker. Com alguns momentos um tanto duvidosos por entre algumas revelações surpreendentes, J. J. Abrams consegue entregar uma experiência positiva, contudo falha, quando observamos este episódio no panorama geral da saga, com alguns momentos que não se encaixam bem ou poderiam ter sido mais trabalhados e polidos. Ainda assim consegue expandir e introduzir conceitos que enriquecem o universo de Star Wars.

Positivo:

  • Elenco;
  • Efeitos especiais;
  • Final satisfatório;
  • Bastante fan service;
  • Alguns momentos surpreendentes…

Negativo:

  • …mas sem grande pay-off;
  • Introdução em demasia de plot devices;
  • Soundtrack deixa a desejar;
  • Dispersão da história;
  • Fecho de alguns arcos de forma prematura;
  • Personagem secundárias com pouquíssimo desenvolvimento.

 

João Luzio
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