Análise – Solar Opposites

Por de trás das mentes criadoras de Rick and Morty, nomeadamente de Justin Roiland, co-criador da série, chega ao serviço de streaming Hulu,  juntamente com a contribuição do produtor Mike McMahanSolar Opposites. Há semelhança de outras séries, como Rick and Morty, Simpsons, Family Guy, entre outras. Esta foca essencialmente nas situações apresentadas e consequentemente no sentido de humor, que as mesmas desencadeiam, e não tanto em contar uma história coesa ou na construção do mundo  (apesar de haver algumas doses em pequenas quantidades, ao longo dos episódios).

A série acompanha a história de quatro alienígenas, que se encontram no planeta Terra, um ano após o seu planeta natal, Shlorp ter sido destruído por um asteróide. Estes são Korvo (Justin Roiland), que se auto-intutula de génio (semelhante à personalidade de Rick), e aquele que está mais focado em reparar a nave, capaz de os levar para fora da Terra. Terry (Thomas Middleditch), que ao contrário de Korvo, apenas se quer divertir na sua estadia no planeta, e é o mais animado de entre os quatro. Yumyulack (Sean Giambrone), tem um enorme interesse em estudar os humanos e os seus hábitos de vida, contudo é bastante arrogante e frio. E ainda Jesse (Mary Mack), a mais nova do grupo, a qual pretende ser adorada e aceite pelos humanos, muitas vezes, a qualquer custo.

Cada episódio conta uma aventura diferente, recheada de situações e peripécias. Estas contam ainda, com o delírio criativo (no bom sentido) que Roiland tanto nos habitou com Rick and Morty, no entanto, em menor escala e com menos propensão para o risco de inovar. Por falar nisso, toco já num dos aspectos negativos da série. Solar Opposites apresenta boas ideias em cada episódio, porém poderia ir com mais profundidade em cada uma delas, explorando todas as nuances que as mesmas poderiam desencadear.

Ainda no que diz respeito às personagens, e sendo os quatro aliens os protagonistas de toda a série, é neles que recaí todo o apego do espectador. Pois sem este aspecto tornar-se-ia difícil interessar-me por Solar Opposites, são estas quatro personagens que têm todo o desenvolvimento, do início ao fim da série, servindo as situações apresentadas, para fortalecer ou enfatizar as relações entre ambos. Contudo, a série não foca necessariamente, na dinâmica dos quatro, pois em inúmeras situações, a narrativa acaba por ser dividida em plotlines. Numa primeira, acompanhamos Korvo e Terry, numa aventura de maior proporções, geralmente é esta a melhor parte de cada episódio. Por outro lado, acompanhamos Jesse e Yumyulack, a tentar resolver problemas de menor dimensão. Há ainda a exceção de alguns momentos em que os quatros protagonistas compartilham os mesmos momentos de tela, geralmente no final de cada episódio.

Apesar de rapidamente ficarmos familiarizados com a personalidade de cada uma das personagens, a série demora a ganhar um rumo. Só a partir do terceiro e quatro episódio, é que a qualidade das histórias se mantem, e igualmente no que toca ao ritmo e pace. Solar Opposites, ao longo de todos os episódios dá uso ao recurso das referências e easter eggs, a todo o tipo de personagens e símbolos da cultura pop, sem hesitar a fazer críticas frontais e, por vezes, duras.

Há ainda o detalhe, que em todos os episódios temos uma porção do tempo, dedicada a uma história alternativa, o The Wall,  que se passa dentro de um pequeno mundo encolhido numa parede do quarto de Jesse. Dentro deste mundo, encontram-se todos os tipos de pessoas que foram encolhidas por esta, contra a sua vontade, e agora são obrigadas a viver num mundo distópico, com as suas próprias regras. Por um lado, este elemento narrativo, pode atrapalhar a fluidez da premissa principal de um determinado episódio. Por outro lado, às vezes, este elemento chega a ser mais interessante do que a própria história principal, portanto tem altos e baixos, mas não deixa de ser um dos grandes highlights de Solar Opposites.

A presença do humor e o facto da série ter sido criada por Roiland, estes acabaram por ser os principais chamarizes de Solar Opposites (inclusive no meu caso). Contudo, afirmo que apesar da série ter o seu devido mérito, esta não faz jus à genialidade da série de Rick and Morty, refiro isto porque em comparação, as duas séries são muito semelhantes em vários aspectos. Em termos de banda sonora e de animação, não há muito para apontar. Em ambos os aspectos não revoluciona pela positiva, mas também não desilude pela negativa.

Em síntese, o que faz Solar Opposites ser bom efetivamente, é o facto de os seus elementos originais, serem únicos, e portanto fazerem toda a diferença, ao ponto de valer a pena, a quem ficou interessado, em assistir. Contudo, numa segunda temporada (confirmada pelo gancho final do último episódio) tem tudo para elevar a fasquia de qualidade, e quem sabe, ganhar igual ou maior popularidade que o seu antecessor, Rick and Morty.

Positivo:

  • Dinâmica entre os protagonistas;
  • Sentido de humor;
  • Arco secundário de The Wall;
  • Sucessor espiritual de Rick and Morty

Negativo:

  • …mas não faz jus há genialidade do mesmo;
  • Pouca profundidade nas ideias apresentadas;

João Luzio
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