Análise – Scorn

H.R. Giger é um artista que influenciou e trabalhou para inúmeros meios, desde a música com várias capas de bandas e artistas, até ao cinema com a série Alien e mesmo nos videojogos com o clássico Dark Seed. A Ebb Software tomou alguns apontamentos do artista suiço e decidiu criar uma experiência sinistra que foi lançada recentemente para o Game Pass estando disponível no PC e plataformas Xbox.

Temos então em mãos Scorn, um jogo que tem uma excelente capacidade de nos fazer sentir num autêntico pesadelo no sentido em que todo o cenário e ambiente é altamente desconfortante e grotesco. A mistura entre fraca iluminação e a névoa constante ajudam também nesse sentido. Tentar fazer sentido de todo o cenário pulsante que está à nossa volta irá passar-nos pela cabeça várias vezes, mas a realidade é que ficamos sempre com a sensação de querer fugir dali.

Este é um jogo que puxa um pouco pelo nosso instinto e a capacidade de nos conseguirmos manter no caminho sem qualquer tipo de mapa ou guia, sem falar que a comunicação e texto é praticamente inexistente. Felizmente todos os engenhos como elevadores, guindastes e interruptores são sempre iguais e fáceis de decorar, o que torna o jogo menos críptico. Resumidamente, somos literalmente atirados para este mundo sem nada nem ninguém e à mercê do que iremos encontrar.

Já o sistema de combate deixa um pouco a desejar. Apesar de alguma lentidão e dificuldade em manobrar as armas parece ter sido deliberado, no formato vídeojogável torna-se bastante frustrante e irritante. Matar inimigos deixa-nos ansiosos não pela força ou susto, mas mais porque sentimos que estamos a lutar contra os comandos do jogo do que propriamente outra coisa.

Scorn é sem dúvida um jogo fascinante do ponto de vista visual e facilmente um dos melhores jogos que joguei este ano no que toca à direcção artística. O ambiente é grotesco e por vezes indescritível, mas consegue deixar-nos altamente impressionados e isto graças a atenção aos detalhes e à complexidade das várias estruturas envolventes. Aspectos tecnológicos como iluminação, névoa ou texturas estão bem trabalhadas e encaixam na perfeição neste jogo.

A reacção que sentimos centra-se num misto de confusão e satisfação sempre que activamos algum tipo de engenho ou abrimos uma porta nova, isto porque apesar de ser algo no qual nos sentimos realizados, todo o mecanismo visual que mais se parece como um conjunto de órgãos humanos a contorcer-se e a emitir ruídos nojentos deixa-nos vezes enojados.

Não sabemos bem descortinar se o que estamos a ver é mecânico, alienígena, humano, ou uma mistura entre os três. O choque e o terror irá acompanhar-nos constantemente e isso cria uma experiência que dificilmente iremos esquecer. Existe um bom aproveitamento de todo o estilo artístico do artista suiço H.R.Giger e que se nota muito bem em todo o jogo. Temas como penetração e sangramento que causam um desconforto e arrepios constantes. Sem dúvida que artisticamente está aqui um trabalho bem feito.

Este é um daqueles jogos que está acompanhado por uma sonoplastia bastante sinistra e muito bem trabalhada. Não temos temas musicais mas sim um constante acompanhamento de sons e efeitos que enfatizam todo o ambiente. Sempre que nos aproximamos de um engenho mais complexo somos acompanhados por um elemento sonoro mais electrónico que poderá ter sido conseguido com um sintetizador ou semelhante. Da pouca comunicação que existe temos pequenos gemidos e grunhidos que servirão como pequenos sinais de incapacidade.

Em suma, o jogo tem um ritmo característico e que nos faz apreciar ainda mais o ambiente que nos rodeia, mas podia estar mais polido para que não fosse tão enfadonho ou estéril. Tudo o que faz no que toca à jogabilidade parece estar pouco aprofundado ou até parece ter sido colocado um pouco à pressa, o que é uma infelicidade.

Se puzzles e um ambiente envolvente são o vosso go-to, então Scorn é um jogo que vos poderá interessar, infelizmente peca por ter um sistema de combate pouco polido e acaba por oferecer uma experiência bastante desequilibrada.

Positivo:

  • Fantástico trabalho na direção artística e ambiente
  • Terror muito conseguido
  • Sonoplastia é um regalo imenso

Negativo:

  • Combate com armas muito fraco
  • Poucos momentos de jogabilidade memoráveis
  • Repetição de algumas tarefas
  • Alguns puzzles demasiado simples

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