Análise – Resident Evil HD Remaster

resident-evil-hd-remastered-rev-top

Em Março de 1996 a Capcom lançou um jogo que iria tornar-se num dos nomes mais conhecidos da indústria dos videojogos e que serviria como inspiração para os que se seguiram. Falo certamente de Resident Evil, uma das primeiras criações do produtor japonês Shinji Mikami. A maneira como entregou os jogadores para um mundo de terror e criou o conceito survival-horror foi tão grande que a marca continua a ser revelante ainda hoje em dia.

Em 2002 a Capcom decidiu lançar um remake deste jogo exclusivamente para a Gamecube e o resultado não podia ter sido mais positivo. O impacto deste remake foi tão grande que até aos dias que decorrem sempre ouvi pessoas a suspirarem uma versão HD deste remake…algo que acabou por acontecer.

resident-evil-hd-16-pn

Passados 13 anos desde o lançamento do remake a Capcom decidiu dar nova vida a esta versão e lançá-la numa versão HD remasterizada. Dada à apresentação já bastante impressionante da versão Gamecube, foram feitos alguns ajustes à resolução para que atingisse os 1080p bem como aos controlos do jogo.

Resident Evil conta a história de um grupo de forças especiais de nome STARS que após uma missão de investigação acabam por se separar e ficar presos num mundo de terror e zombies. A muito conhecida mansão de Racoon City servirá como palco para esta história aterrorizante e no qual podemos escolher entre dois protagonistas, Jill Valentine ou Chris Redfield. Ambas as personagens terão praticamente o mesmo trajecto de jogo pelo que existem algumas diferenças nos acontecimentos que irão testemunhar.

resident-evil-hd-17-pn

Este survival-horror irá levar-nos para uma exploração da dita mansão e resolver vários mistérios e puzzles que a rodeiam, mas se esperam uma tarefa facilitada então “tirem o cavalinho da chuva”. O vírus que invade Racoon City criando zombies de seres humanos e cães até aos tipos de criaturas mais grotescos chegou também à mansão, por isso teremos que usar várias armas de fogo e não só para conseguir prosseguir o nosso caminho.

A nossa progressão é feita na base da exploração e resolução de puzzles, pelo que a mansão tem muitas barreiras como portas fechadas ou zonas danificadas, por isso cabe-nos a tarefa de procurar por chaves e outros objectos que nos abram caminho e nos levem a novas zonas. Tudo isso ainda mantêm-se relevante e intuitivo, dando a entender que o tempo foi generoso nesse aspecto.

resident-evil-hd-18-pn

Este survival-horror foi um dos primeiros jogos a conseguir criar em pleno um ambiente de terror sem usar constantemente o factor de susto. A mansão é sombria e está cheia de perigos, o que grande parte das vezes consegue criar inquietação e ansiedade ao jogador, algo que continua a ser fabuloso com a apresentação melhorada deste remake.

Como é óbvio, o jogo possui a sua quantidade de monstros e teremos também medo disso, havendo os zombies que nos fazem palpitar só com o barulho dos seus pés a arrastar, cães sedentos que saltam para cima da personagem e até todo o género de mutações e aberrações que vamos encontrar pelo caminho. Estas criaturas conseguirão também pregar os muito conhecidos “cagaços” aos que nunca experimentaram o jogo e ainda conseguem assustar os veteranos que pensam que ainda se lembravam de muita coisa.

resident-evil-hd-13-pn

A nossa personagem terá que estar equipada não só com armas mas também com equipamentos que a curam caso sejamos atacados. Aqui centra-se também um ponto vital do jogo, o inventário. Basicamente temos um número limitado de items para carregar com a personagem, o que faz com que escolhamos bem aquilo que queremos levar e que façamos uma gestão da nossa munição, porque se acabarmos com a que temos de reserva temos que correr para um save point e ir buscar mais às arcas que lá se encontram.

Um dos pontos que cria uma maior barreira nos jogadores que nunca experimentaram um dos jogos clássicos da série Resident Evil é os controlos. Até ao Resident: Evil Zero que saiu em 2002, a série principal adoptou um sistema de controlo chamado tanque. Basicamente ordenávamos a personagem a seguir em frente carregando para cima nos botões direccionais independentemente do ângulo de câmera e os botões da esquerda e direita para se virar. Em suma tínhamos um sistema que não era muito acessível e demasiado preso para alguns, mas a Capcom veio dar uma nova alternativa.

resident-evil-hd-4-pn

Para esta nova versão foi inaugurado um sistema de controlo 360 para uma movimentação mais livre, algo que tem os seus prós e contras. Agora com o analógico podemos apontar para uma direcção e a personagem segue, dando uma maior rapidez em momentos de fuga e não só, mas não ajuda em alturas de exploração. Ao carregarmos – por exemplo – para a esquerda para a personagem se deslocar para essa direcção, quando mudamos para outro ângulo de câmera – algo que vou falar mais à frente – a personagem poderá estar voltada para outro sítio diferente, o que poderá causar momentos de confusão e alguma frustração. O que é certo é que esta funcionalidade é bem vinda mas nem sempre resulta.

Ao contrário dos mais Resident Evil, este jogo não possui uma visão fixa na terceira pessoa ou parecido, mas sim ângulos de câmera estáticos que vão alternando sempre que atravessamos os cenários. Apesar de parecer um modelo um pouco arcaico – e prejudicar um pouco o novo modelo controlo de que falei em cima – este sistema continua a ser muito importante para este jogo. Estes ângulos de câmera oferecem uma certa identidade cinemática que cria ambientes e visões do acontecimento bastante distintos.

resident-evil-hd-6-pn

Falando um pouco da apresentação, como já afirmei em cima este jogo é uma versão ligeiramente melhorada do remake da Gamecube, logo existirão texturas e não só que estão obsoletas. Mesmo assim e no cômputo geral, esta versão consegue mostrar um grau de beleza e ambiente que foram conseguidos nessa altura que estão à vista, conseguindo mesmo assim cativar e impressionar o jogador com cenários fabulosos.

O som cumpre também aqui um papel muito importante. Nem sempre iremos ouvir música, mas vamos sim ouvir todo o tipo de efeitos sonoros. Para enfatizar este clima de tensão, os sons são do mais mínimo que podemos ter, sendo que tirando os passos e barulhos das nossas armas, pequenos aspectos como o gemidos de um zombie, trovões que rasgam o céu e pequenos barulhos como portas a mexer irão deixar-nos de cabelos em pé.resident-evil-hd-3-pn

A verdade é só uma, a Capcom teve aqui uma grande chance para relembrar os fãs da era dourada de Resident Evil e conseguiu muito bem. Entregou um produto que apesar de atrair alguns críticos quanto à enxente de versões HD e Remasters desta geração, não defrauda a mística e a imagem que muitos tinham deste clássico.

Resident Evil HD Remaster é um bom esforço que irá deliciar muita gente graças à capacidade de manter todo o ambiente e mística. Se não gostam da jogabilidade clássica, têm sempre os novos controlos que apesar de não funcionarem a 100% oferecem uma boa alternativa.

Positivo:

  • Apresentação e ambiente continuam impressionantespn-recomendado-ana
  • Desempenho geral do jogo
  • Pequenas adições complementam a experiência
  • Controlo 360 da personagem
  • Modelos alternativos para Jill e Chris

Negativo:

  • Controlo 360 poderá frustrar alguns
  • Algumas texturas

pn-muitobom-ana

Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram