Parece que passaram apenas uma meia dúzia de anos, mas já lá vão mais de 20 anos desde que Pokémon Leaf Green / Pokémon Fire Red foram lançados no Game Boy Advance. Estamos a falar dos anos 2004, o mesmo ano em que foi o Euro 2004 em Portugal, o mesmo ano em que Shrek 2 estava no cinema, todos estavam a jogar GTA San Andreas e tanto os Green Day como a Nelly Furtado não paravam de tocar no rádio. O mundo parecia, sem sombra de dúvidas, um lugar mais simples e menos assutador do que 2026.
Mas aqui estamos nos em 2026 a passar por momentos incertos e Pokémon Leaf Green / Pokémon Fire Red chegaram à Nintendo Switch quase de surpresa, para nos lembrar desses tempos e para causar alguma confusão a toda uma geração que ainda nem era nascida na altura, pois Pokémon mudou muito, embora as bases sejam as mesmas.
Jogar Pokémon Leaf Green / Pokémon Fire Red é uma boa viagem ao passado, pois é o remake dos primeiros jogos da série, mas com muito mais elementos, mais fácil de jogar, de perceber e bem mais completo do que Pokémon Blue e Pokémon Red, que eram bem mais lentos e muito mais rudimentares. Claro que isto era tudo aquilo que nos lembramos, pois afinal a nostalgia é forte a tocar as nossas memórias, mas a realidade é que este é um jogo bastante ultrapassado segundo os moldes mais recentes.
Como fã da saga e jogador dos originais e destes, para mim, ambos parecem óptimos e cheios de nostalgia, mas visto do ponto de vista de um qualquer jogador convencional ou de um miúdo que jogou os jogos recentes e vai descobrir estes, então é natural ver que existe aqui muita coisa boa que continua a ser, mas que se encontra “ultrapassada” pelos moldes atuais.
Para começar, Pokémon Leaf Green / Pokémon Fire Red são claramente lentos, limitados e até enferrujados. A exploração é lenta e presa, a interacção com quase tudo demora o seu tempo e se formos a falar dos combates, pois bem, são ainda mais lentos, com as ações e animações a consumir muito tempo da vossa vida. Como é natual, para veteranos, é pefeitamente normal, mas pelos standards de jogos, mesmo a simular jogos retro, tudo aqui acontece a passo de caracol.
Claro que o jogo em si, funciona muito bem e o sistema de combate por turnos é clássico por algum motivo. É simples de aprender, fácil de jogar e altamente profundo com apenas quatro ataques por Pokémon de cada vez. Como o jogo foi ampliado em relação ao Pokémon Red e Pokémon Blue originais e lançados no Game Boy Advance, podia ser ainda mais arcaíco e lento, mas foi afinado para esta geração e com muito melhor visual.
Curiosamente, na altura em que o jogo chegou para análise, foi também jogado no Evento dos 30 anos de Pokémon em Free-Play e consegui ver como alguns miúdos sofreram durante a primeira hora de jogo. Sim, ao que parece, os miúdos de hoje, que são mais velhos do que eu quando joguei Pokémon Blue e ainda era menos acessível, ficaram perdidos durante os primeiros momentos de jogo, sem saber o que fazer na maioria dos casos. Será que é um problema do jogo, ou das novas gerações de miúdos?
No geral, este lançamento de Pokémon Leaf Green / Pokémon Fire Red cumpre os mínimos dos mínimos do que seria de esperar dele. É o jogo do Game Boy Advance sem qualquer melhoria e por 20 euros! Sim, 20 euros, é um exagero, eu sei, especialmente tendo em conta que existe um serviço online na Nintendo Switch onde ele poderia ter entrado, certo? Cobrar este preço é demasiado alto, mesmo sendo jogos muito bons e cheios de nostalgia. Não parece muito justo quando aquelas pessoas malvadas que usam chapéus pretos com caveiras, o vão jogar facilmente de borla.
Pelo preço pedido, é difícil recomendar Pokémon Leaf Green ou Pokémon Fire Red na Nintendo Switch. Mas se querem mesmo muito ter o jogo na consola, então vocês são o público alvo e tenho a certeza que vão adorar reviver estas lufadas de nostalgia. Por isso, para vocês é um Muito Bom na nota. No geral a nota que merece por este preço para um jogo desta idade, nesta era, é o seguinte:
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