Análise – Out of Line

NOTA: Antes de avançar nesta análise, quero deixar claro que eu sou o coordenador do curso de Animação e Videojogos da ETIC e cheguei à escola no ano seguinte ao jogo sair das instalações. Além disso, tanto o Alexandre Barbosa como a Ana Pinto trabalham em postos diferentes na Nerd Monkeys, como tal podia não ser a pessoa certa para escrever esta análise. Na verdade sou a pessoa ideal para o analisar pois soube estar alheio ao projecto durante todos estes anos e como director do PróximoNível, sou o responsável máximo por entregar uma análise isenta e sem engandecimentos. Pois bem, aqui está ela, feita na versão de PC.

Apesar de muitos não darem muita importância ao que se faz por Portugal, existem vários estúdios que continuam a produzir produtos originais dentro do nosso território. Out of Line fez um percurso ainda mais embrionário, tendo sido imaginado como um projecto escolar, vencido os prémios Playstation e tendo crescido nas mãos da Nerd Monkeys até ao seu lançamento feito pela Hatinh Interactive.

Algo que gosto bastante em Out of Line é que conseguimos olhar para ele sem perceber exactamente as suas origens. É um jogo universal que conta uma história envolta em mistério que podia ter sido feito por qualquer estúdio espalhado pelo mundo. O seu aspecto minimalista é bem-vindo e fiquei agradado pela sua subtileza no que toca a explicar o que está a acontece sem nunca o fazer realmente.

Aqui jogamos a história de San, um rapaz que vive num mundo cheio de rapazes como ele, garras metálicas gigantes com ar pouco amigável e ambientes estranhos que variam entre rochas com ar místico, florestas e fábricas esquecidas no tempo. É o ambiente ideal para contar uma história que tem bastantes interpretações e até pontos de vista.

Out of Line é na sua base um jogo de puzzle e plataformas em 2D onde vamos ganhando habilidades que nos permitem progredir e desvendar novos bloqueios colocados pelo caminho. A habilidade base de San é a de atirar uma vara que pode servir de travão, plataforma ou até de alavanca, mas mais coisas vão surgindo que nos ajudam com os diversos puzzles do jogo. O mais interessante é que a maioria é externa a San, sendo as adições coisas que surgem no cenário.

Para alguém que já esteja habituado a jogar videojogos, Out of Line não é um jogo que seja muito desafiante e grande parte dos puzzles são bastante lógicos. Por isso mesmo um jogador mais casual é quem vai sentir mais o desafio dos puzzles que foram criados. Recordo de ter ficado preso apenas em dois puzzles e não durante muito tempo.

O desafio e longevidade extra surgem no formato das gemas azuis que podemos coleccionar nos cenários. Estas estão normalmente colocadas em sítios que nos obrigam a sacrificar tempo de puzzle para as apanhar, por isso quem quiser coleccionar tudo, vai precisas de gastar pelo menos mais uma hora em redor do jogo.

Out of Line não é um jogo muito longo. Mesmo o tendo deixado aberto por um bocado no Steam sem jogar, no final da minha sessão tinha feito perto de três horas, o que não é um tempo nada mau para o valor pedido de base pelo jogo. Além do mais, a experiência é bastante curiosa e atraente, o que vai acabar por prender o jogador até ao fim.

Apesar de tudo, gostava que alguns dos puzzles e ferramentas de Out of Line fossem um pouco mais exploradas, especialmente na fase final onde parece que tudo acontece tudo um pouco depressa demais e até o último aliado aparece com pouco tempo de antena (ao contrário do primeiro aliado).

Seja a jogar com rato e teclado ou com comando, Out of Line é um jogo bem comportado. Apanhei muitos poucos bugs e só em duas situações achei que o Checkpoint estava demasiado afastado para uma zona onde era fácil morrer. Claro que a mecânica da Vara e de apontar não é 100% eficaz, mas no meu caso, só em dois ou três cenários onde precisamos de fugir é que me atrapalhou ou abrandou a personagem.

No que toca ao departamento visual, há que dar os parabéns à equipa que desenvolveu a arte e animações para este jogo. Out of Line é um jogo bonito e que enche a vista com os seus personagens e cenários desenhados à mão. Também gostei bastante da banda sonora. A música tem bastante qualidade e encaixa muito bem no geral. Tenho apenas que apontar que tive alguns problemas com o som que faziam com que certas coisas acontecessem antes ou depois dos sons respectivos, especialmente nas sequências mais cinemáticas.

Estou seguro ao dizer que Out of Line consegue facilmente ser visto como um Indie de qualidade. É um jogo que não precisa de ser português para merecer a nossa atenção e já vimos estúdios maiores a fazer parecido. Por isso se gostam de jogos de Puzzle e Plataformas com ambientes místicos, vale bem a pena jogar Out of Line.

Positivo:

  • Visual desenhado à mão
  • História aberta
  • Bom encadeamento de puzzles
  • Banda sonora

Negativo:

  • Final parece apressado
  • Alguns bugs por limar
  • Bastante fácil

 

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