Análise – Marvel’s Spider-Man: Miles Morales

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales é uma continuação direta e consciente dos eventos do jogo original, tendo lugar uns meses mais tarde e com a mudança de estação para o inverno. Este capítulo faz-nos percorrer Nova Iorque com uma nova roupagem. É o mesmo mapa, mas existem algumas mudanças, nomeadamente as consequências do jogo original que ainda se fazem notar.

Estou claro a falar de edifícios e pequenos locais que foram modificados, a parte que achei mais interessante foi a pouca familiaridade que tive com esta cidade. É certo que desde o último dlc de Marvel’s Spider-Man que não voltei a este mundo, ainda assim o facto de a história se focar em locais diferentes dentro da cidade, ajuda a que não pareça o mesmo local pelo qual atirámos teias de forma desenfreada anteriormente.

Miles é um Spider-Man mais novo e de certa forma faz-nos passar pela fase de descoberta que o anterior jogo ignorou por completo. Miles ainda está a aprender e conta com poucos meses de experiência, sendo auxiliado por Peter, no entanto este é deixado à sua sorte enquanto Peter Parker vai de férias. Como qualquer início de história que se prese, a desgraça está sempre ao virar da esquina, e assim que Peter sai de cena, entram os nossos futuros problemas.

No geral, a história vai beber ao que funcionou no jogo original, mas com personagens diferentes. Continuamos a ter uma linha condutora familiar, e o dilema de Miles enquanto pessoa e herói, apesar de este estar mais que decidido sobre quem é. Os novos vilões, por outro lado, acabam por cair no cliché no que diz respeito a ambições, apesar de um deles ser uma versão inédita de um vilão pouco conhecido e gostei da forma como este está escrito.

A jogabilidade é agora mais dinâmica, os novos poderes Venom Shock dão a Miles diferentes formas de enfrentar os mesmos inimigos do costume. Na verdade, grande parte dos desafios que nos aguardam vão exigir estes novos poderes para serem resolvidos e a história acompanha esta evolução. Existe uma pequena árvore de habilidades em conjunto com diversas modificações para ir preenchendo e cada nódulo tem impacto.

O combate básico mantém-se praticamente inalterado, com os mesmos botões, timings, QTE, etc., podem ler a nossa análise original para ficar a par dos mesmos aqui. No entanto, o estilo de Miles acaba por ser único e os seus movimentos não são os mesmos de Peter, existem pequenas diferenças que acabam por destacar Miles enquanto individuo e não apenas uma cópia.

Os novos desafios foram desenhados para dar ao jogador um sentimento de continuidade na história. Desde os desafios dados por Peter que permitem desbloquear habilidades quando terminados, pequenos objetos que contam histórias do passado de Miles assim como uma espécie de caça ao tesouro com ficheiros de áudio, que funciona como uma nova mecânica. É também possível utilizar o telemóvel de Miles para aceder a uma rede de serviços, o que acaba por facilitar algum do trabalho como responder a emergências espalhas pela cidade. No geral os sistemas do original sofreram pequenas alterações que fazem desta uma melhor experiência.

A exploração continua a ser uma parte integral do jogo. Espalhados por Nova Iorque estão imensos colecionáveis e novos desafios. Os colecionáveis acabam por permitir a evolução de Miles, quer seja pela construção e melhoria de novas engenhocas assim como dos novos fatos. Parte destes poderes só serão desbloqueados no modo New Game +, o que acaba por dar mais longevidade a um jogo que acaba por ser bem mais curto.

Na sua versão PS4, Marvel’s Spider-Man: Miles Morales tem alguns problemas de performance em situações especificas. Quando estamos em arenas algo complexas o jogo tem quebras de frame rate notórias e em algumas atividades secundárias, quando morremos, o jogo muitas vezes congela. Este último poderá ser resolvido eventualmente, mas não deixou de ser uma situação chata ter que reiniciar o jogo várias vezes. Falando na realidade da PS4, os loadings até não estão longos, e são bastante esporádicos não quebrando a ação.

Vão explorar uma Nova Iorque repleta de neve a cair, e as novas cores que definem as fações inimigas a emergir pela cidade dão-lhe uma vida única. As animações, quer seja de Miles ou de personagens secundários estão bem executadas e as interações com o cenário até foram expandidas. Diria, no entanto, que esta aventura é muito mais ousada na utilização da cor, especialmente durante os combates que transmitem efeitos muito mais poderosos comparativamente ao original de 2018.

O jogo tem um estilo bem definido, tudo encaixa de forma perfeita e muito disso deve-se à banda sonora. Num primeiro impacto é tão diferente do esperado que se estranha, mas poucos minutos depois já estava dentro do ritmo. Quanto às vozes não tenho nada de negativo a apontar à versão original.

A dificuldade está bem trabalhada, é difícil o suficiente para não sermos invencíveis, mas não ao ponto de termos medo de arriscar nas acrobacias e explorar oportunidades. Conta ainda com algumas opções de acessibilidade que fazem desta uma aventura para um público que vai do jogador casual ao acérrimo.

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales é uma aventura curta, mas repleta de conteúdo. Com uma jogabilidade naturalmente divertida que, mais uma vez, me levou a evitar os sistemas de fast travel para andar de teia em teia até ao meu destino, é evidente que me faz querer fazer tudo o que há para fazer. Um jogo recomendado para os fãs do aranhiço.

Podem contar com a análise da versão PS5 de Marvel’s Spider-Man Miles Morales feita pelo Daniel Silvestre já amanhã!

Positivo

  • Novos poderes e novas responsabilidades
  • Banda sonora
  • Combate mais dinâmico
  • Narrativa constante
  • Conteúdo extra que incita ao New Game +

Negativo

  • Algumas quebras de fluidez

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