Por vezes são lançadas pequenas pérolas para o mercado dos videojogos, normalmente passam despercebidas por entre os grandes lançamentos repletos de publicidade, mas acabam por chegar ao mundo num boca-a-boca publicitário. No fundo, que melhor publicidade existe do que a recomendação directa de alguém que jogou?
Tal como no ano passado recebemos Shadow of Mordor, este ano foi a vez de Mad Max. O jogo foi anunciado e de imediato foi associado aos famosos “Cash-grab” aquele tipo de jogo que existe para atormentar a vida de consumidores incautos. Felizmente e com o tempo, o jogo foi-se mostrando cada vez mais como uma prometedora aventura por um deserto de fanáticos e, deixem-me que vos diga, trata-se da maior surpresa que já tive este ano.
Mad Max é um jogo ao estilo SandBox, diga-se de passagem bastante adequado ao mundo do jogo. Começamos a nossa aventura a conduzir pelas areias daquilo que outrora foi o fundo do mar e rapidamente somos atacados por membros da facção de Scrotus. Este início foi-me especialmente duro, pois ver o carro a ser rebocado trouxe-me à memória certos eventos recentes e de imediato me propus a distribuir uma boa dose de pancadaria a quem se intrometesse no meu caminho.
Momentos depois encontramos um mecânico maluco, o que não é novidade neste mundo, este mecânico dá pelo nome Chumbucket, Chum para os conhecidos, por alguma razão venera deuses de carros e acha que nós somos um Santo enviado dos campos de petróleo para o auxiliar na construção da sua obra-prima, o Magnus Opus. Chum acaba por ser um companheiro na maioria das nossas excursões automobilistas mas apenas quando guiamos o Magnus Opus, ele repara a viatura e carrega os arpões entre outras tarefas.
A condução é parte integrante desta aventura e como tal torna-se essencial ser dominada. Algo que está muito bem reproduzido em Mad Max são as partículas de areia quando aceleramos ou travamos, o seu movimento é espetacular. Conduzir numa estrada ou na areia é completamente diferente, desde a aceleração até ao virar do volante.
Conforme se avança no jogo vamos colecionando ferro velho, este é como uma moeda de troca em Mad Max e acaba por servir para fazer melhorias ao carro e a alguns aspectos de Max. O carro que temos a início é bastante fraco e cada melhoria feita é sentida.
Em adição aos melhoramentos do carro que vão desde o tubo de escape aos espinhos metálicos, para evitar uma abordagem por parte de malucos que não costumam ter problemas em saltar para o nosso carro em andamento, existem também várias melhorias para Max. Existem dois tipos de melhorias, as que afectam as habilidades base como a vida, e quantidade de água extraída de certos aparelhos espalhados pelo jogo e outras que vão dos combos à aparência de Max. As primeiras custam Griffa Tokens e são ganhos conforme completam desafios e as segundas melhorias são feitas com o tal ferro-velho que dão pelo nome de Scraps (restos) no jogo.
No deserto podem utilizar água do vosso cantil para recuperar saúde ou matar algumas criaturas que deambulam pelas areias incautamente para que as possam devorar, ou simplesmente larvas num cadáver ou até comida de cão, que aprece ser a única comida enlatada que resta neste mundo. O vosso cantil pode ser cheio em vários pontos do deserto mas estes pontos contém água limitada e só se regeneram passado algum tempo. Ainda que não tenha tido grandes problemas de sobrevivência, mantive sempre o cantil cheio, e foi isso mesmo que me salvou um par de vezes.
Neste mundo desolado e desértico existe muito para fazer, a área de jogo de Mad Max está dividida em 5 partes principais sendo que o primeiro objectivo é chegar a GasTown, local onde Scrotus reina sobre todos, ou quase. Durante este primeiro grande objectivo vamos ser obrigados a explorar as áreas que o jogo oferece. Acontece que existem alguns fortes na área exterior de Gastown que ainda resistem e é nessas fortificações que vamos encontrar algumas das personagens mais carismáticas do jogo que de uma maneira ou de outra nos acabam por ajudar mediante a nossa pré-disposição para completar tarefas.
A maioria das missões destes fortes são secundárias e outras completamente opcionais mas com grandes recompensas. As missões opcionais estão espalhadas pelo mapa, certos campos inimigos, pequenos ou grandes, contém peças para construir engenhos que nos acabarão por proporcionar bónus cada vez que visitamos o forte. Por exemplo colecionar todas as peças de um depósito de água faz com que cada vez que visitemos o forte fiquemos com o cantil cheio novamente.
Esta mecânica fez com que eu quisesse explorar toda a área. Como devem calcular explorar uma grande área sem pontos de referência é bastante complicado, nunca sabemos o que poderíamos ter encontrado há esquerda onde decidimos ir à direita. Para isso existem uns balões de ar quente espalhados pelo mapa em áreas estratégicas. Estes podem estar ou não protegidos por uma fortaleza ou inimigos, tanto da facção de Scrotus como de uma outra qualquer.
Quando entramos nestes balões podemos então subir e utilizar os binóculos para marcar pontos de referência. Estes vão desde espantalhos, a campos e até perigos vários. Assim que saímos do balão estas localizações são marcadas no mapa. Assim depende do jogador o quão fácil é a exploração. Uma outra mecânica que pode apresentar um desafio extra ao jogador é o combustível. Aqui cada gota conta e o combustível não é abundante mas também não é escasso, aliás dependendo da área poderão mesmo encontrar muito ou nada.
O combustível serve para mais do que atestar o carro, podem pegar fogo ao “garrafão” e utiliza-lo para explodir fortificações. Podem transportar um destes garrafões convosco no carro, o que dá uma certa segurança. No entanto também podem utilizar o sistema de viagem-rápida para qualquer forte ou balão de ar quente já visitado e utilizado. Alguns destes pontos colocam-nos desafios e é raro existirem dois locais parecidos.
O mundo de Mad Max não tem fim, é verdade se atingirem as bordas do mapa entrarão numa zona de tempestades de areia onde poderão encontrar mais ferro-velho no entanto cuidado pois estas zonas são altamente perigosas e se avançarem demasiado a areia irá acabar por vos matar lentamente. E como variedade é algo que não falta a este mundo, desde antigos recifes até autoestradas e destroços de aviões passando por poços de petróleo e terras repletas de enxofre, que tal tempestades de areia aleatórias?
Qualquer local pode ser invadido por estas tempestades a qualquer momento, e se não escaparem rapidamente terão que lidar com destroços a esvoaçar e ventos muito fortes que deitam a nossa personagem ao chão ou mesmo os imperdoáveis relâmpagos. O espetáculo gráfico é também bastante imponente durante estas secções e no entanto a versão PC não perdeu nenhum dos seus 60 FPS. O que me leva a um ponto interessante, Mad Max é um jogo extremamente bem optimizado para o PC.
Se a vossa escolha recair sobre a versão para consolas estas estão bloqueadas nos 30 FPS constantes, pequenas quedas aqui e ali mas nada de gritante.
Voltando então às tempestades estas para além de serem bastante emocionantes e uma corrida constante para sair das mesmas em segurança, obrigam-nos a uma exploração quase forçada da área que nos rodeia. Na minha primeira vez tive que procurar rapidamente um casebre mas lá me aguentei enquanto a tempestade não dissipava.
O próximo detalhe em análise é o combate, não é um sistema inovador, existe um botão de ataque que dependendo da pressão utilizada fará um ataque rápido ou forte, um botão para contra-atacar, um outro para esquivar, e finalmente um para usar a caçadeira e outro que pode ser utilizado para executar um inimigo atordoado ou distraído.
Parece fácil? Parece. Mas é? Não. Existe grande variedade nos inimigos e apesar de conseguirmos prever o comportamento de alguns, o que nem sempre é possível pois os padrões variam, o desafio aumenta com o número de oponentes. Existem mais algumas mecânicas que influenciam os inimigos e geralmente só nos complicam a vida.
Como já disse, é possível aprender novas habilidades de combate para Max e estas farão falta, por exemplo uma das habilidades mais úteis é aprender a destruir os escudos dos inimigos, é claro que podem esmurrar o escudo 50 vezes mas com esta habilidade precisarão de muito menos.
Se acham que por termos uma caçadeira estamos safos, pensem duas vezes, aliás pensem tês. As munições são extremamente escassas, a menos que façam missões para os líderes dos fortes e recebam/construam uma reserva de munições preparem-se para encontrar as agulhas no palheiro.
Enquanto viram o deserto do avesso irão também encontrar relíquias, estas são normalmente fotos com uma mensagem escrita por alguém e Max tem sempre algo a dizer sobre a foto e mensagem. Estas falas ajudam a cimentar tanto a personagem como o mundo e aqui dou os meus parabéns a Bren Foster que fez um excelente trabalho ao dar a voz a Max. Aliás quase todos os diálogos existentes no jogo estão muito bem construídos, desde os malucos aos tolos.
Mad Max é um jogo grande, repleto de locais para explorar, missões para fazer e muito que colecionar. Se forem o tipo de jogador que tem que completar tudo, então estamos perante um jogo que facilmente atingirá as 60 horas, se forem um jogador que apenas está interessado na história principal estamos a falar de pouco mais de 15horas. Isto claro partindo do pressuposto que conseguirão chegar ao fim sem fazer missões secundárias que vos dão melhoramentos e muito mais, a escolha é vossa e a habilidade é um requisito.
Pessoalmente decidi demorar o meu tempo com Mad Max, decidi colocar o território de Jett, o líder do primeiro forte, o mais seguro possível. Para isso fiz todas as missões secundárias e destruí os espantalhos e perigos, incluindo as caravanas que percorrem uma rota e proporcionam verdadeiros testes de habilidade e resistência à vossa condução e destreza.
Algumas destas missões requerem o uso de um veículo especifico, por exemplo apenas o buggy de Chum está apto para transportar o nosso cão e detectar campos de minas. Por outro lado existem cerca de 32 carros únicos que podem ser colecionados durante o jogo. Estes não podem ser modificados mas vêm equipados com as suas próprias características. Existem várias formas de os encontrar, no entanto, e para mim, são apenas artigos de colecção pois o nosso Magnus Opus é bastante superior.
Finalmente o departamento sonoro do jogo. Enquanto que os sons dois veículos, combate e a voz das personagens estão muito bons, existe uma quase ausência da banda sonora. Infelizmente não existe nenhuma música que me tenha ficado na cabeça e por vezes o vazio sonoro do deserto, entenda-se o vento e o som do Magnus Opus a rugir em liberdade, acabam por se tornar enfadonhos.
Estamos a chegar ao fim da análise e algo que gostaria de dizer. Este artigo reflecte a minha opinião pessoal e eu não achei que o jogo se tornasse repetitivo, aliás como descrevi, apesar de termos missões com objectivos idênticos elas decorrem quase sempre de forma diferente. O facto de os inimigos irem ficando gradualmente mais duros de roer também proporciona abordagens diferentes da nossa parte. No entanto compreendo que exista quem se aborreça com este pormenor que para mim não é um problema.
Mad Max é um jogo repleto de conteúdo que vale cada cêntimo, e tem uma qualidade capaz de colocar muitos jogos no canto da vergonha, foi uma surpresa extremamente agradável e que recomendo a todos. Até eu que não fiquei fã do filme me converti a este mundo em formato de videojogo.
Positivo
- Combate
- O mundo de Mad Max é espectacular

- As relíquias históricas são uma adição fundamental para compreender Max
- Condução
- Aspecto gráfico
- Eventos aleatórios conseguem trazer mais emoção à aventura
- Muitas horas de jogo, com mundo repleto de coisas para fazer
- Sistema de evolução de personagem e de progressão geral
- Vários carros, colecionáveis e opções de costumização
- Narrativa simples e eficaz como nos filmes…
Negativo
- … o que nem sempre é positivo num videojogo como este
- Ausência de uma banda sonora marcante
- Alguns personagens sofrem com uma falta de brilho na narrativa principal
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