Análise – Kirby and the Forgotten Land

Kirby é uma das entidades mais antigas do mundo dos videojogos e desde que apareceu pela primeira vez no Game Boy com Kirby’s Dream Land, a criatura redonda já passou de branco para rosa e teve direito a todo o estilo de jogabilidade nos seus jogos, sendo até uma das entidades mais poderosas do universo segundo a sua aparição no mais recente Smash Bros.

Porém, depois de anos e anos a receber jogos com jogabilidade base em 2D, Kirby tem finalmente a sua estreia no mundo em 3D com Kirby and the Forgotten Land, que embora seja uma evolução nessa direcção, não é exactamente um universo 3D ao estilo de um Mario Galaxy ou The Legend of Zelda.

Kirby and the Forgotten Land atira Kirby para uma nova aventura num universo distante que tem várias semelhanças com o nosso. Imaginem que os humanos desapareceram e em vez de haver zombies, existe uma série de animais e criaturas fofas que são os maus da fita. Cabe a Kirby salvar os Waddle Dees que foram capturados e descobrir como regressar ao seu universo.

 

Aquilo que se nota logo bastante depressa é que Kirby and the Forgotten Land usa um sistema de câmara e movimentação em 3D ao estilo de um Super Mario 3D World, sendo que a liberdade de movimentos é total, mas sempre segundo a posição da câmara, o que o afasta de outros jogos de plataformas mais abertos. Isso não o impede no entanto de ser um verdadeiro jogo de plataformas em 3D, mesmo que este posicionamento de câmara dificulte por vezes a percepção ou a visibilidade sobre alguns dos pontos do cenário.

No global, o facto de raramente ser necessário ajustar a câmara faz de Kirby and the Forgotten Land um jogo ideal para novatos e crianças. A isto ajuda que também seja a jogar no modo normal ou mais fácil, o jogo não ofereça assim grande dificuldade ao longo de toda a campanha. Caso queiram tornar a experiência ainda mais fácil, podem sempre adicionar um segundo jogador que entra a qualquer momento e controla o Bandana Waddle Dee. Este sistema de coop funciona bem e é muito bem-vindo, embora limite muito segundo jogador, o qual só pode atacar com ataques básicos e fica preso às movimentações do Kirby pelo cenário.

Sendo uma aventura de Kirby, esta recorre a tudo aquilo que Kirby consegue fazer. No seu centro, Kirby and the Forgotten Land é um jogo de plataformas, mas a personagem continua a poder aspirar quase tudo o que o rodeia, o que permite não só usar aquilo que aspira como balas, mas também absorver as habilidades dos inimigos. Isto abre o leque de habilidades a coisas como lançar fogo, atirar bombas, disparar tiros à distância ou transformar num tornado. Algumas destas habilidades são claramente poderosas e fazem com que certos segmentos pareçam ainda mais fáceis. Além disso, estas habilidades podem ser melhoradas na aldeia dos Waddle Dees, por isso o Kirby pode ficar imparável.

Imparável fica também quando começamos a usar a nova habilidade Mouthfull. Isto quer dizer que Kirby não consegue transformar tudo o que engole, ficando a fazer parte do próprio objecto, isto resulta em transformações hilariantes como Kirby dar vida a carros, cones de rua, escadas e até máquinas de venda de bebidas. Cada um destes modos tem várias habilidades e formas de atacar bastante criativas. É verdade que este modo perde algum impacto depois de ser visto pela primeira vez, mas nunca deixa de ser divertido.

Os mundos de Kirby and the Forgotten Land estão pejados de segredos e áreas alternativas onde podem aceder caso tenham muita atenção ao cenário ou usem os power-ups correctos. Cada zona tem os seus objectivos e fazer tudo ajuda a desbloquear novas coisas na aldeia. Além dos cenários principais, podem também por à prova as vossas capacidades com as habilidades em cenários secretos que servem como Time Trials. Estes são bastante criativos e divertidos e o facto de terem tempo levam a tentar bater o tempo recorde.

Visualmente, Kirby and the Forgotten Land é um jogo bastante apelativo, com cenários bem coloridos e uma atenção muito boa ao detalhe. Os mundos de jogo parecem uma versão alegre de um The Last of Us e estão sempre compostos de coisas que lhe dão um aspecto de algo que já foi habitado. Infelizmente o jogo sofre com alguns problemas típicos da Nintendo Switch. Como seria de esperar o jogo tem várias quebras de fluídez recorrentes e escolhe também sacrificar os frames de movimento de personagens mais afastadas para não sobrecarregar o jogo, algo que fica um bocado feito na pintura geral. Os modelos das personagens por seu lado são óptimos e tudo parece bonito e fofinho. A banda sonora é supreendentemente boa e épica, acabando por ser uma óptima companhia ao longo do jogo.

No que toca a longevidade, Kirby and the Forgotten Land pode ser acabado em menos de 10 horas, mas existe aqui muito para fazer e coisas para apanhar. Existem muitos caminhos secretos com missões alternativas para realizar e bolas de prémio com figuras para coleccionar. É bastante comum não descobrir tudo o que um nível tem à primeira vista, por isso os coleccionadores vão ter de adicionar pelo menos mais 15 ou 20 horas para encontrar e fazer tudo.

Kirby and the Forgotten Land é um jogo bastante alegre e altamente divertido. É daquele estilo de experiências que foi feito para agradar a todos e consegue ser fantástico de jogar do princípio ao fim. É verdade que tem os seus problemas, mas prova que Kirby tem mais do que espaço para visitar mais vezes os mundos 3D dos seus colegas. Agora que a porta está aberta e o resultado é muito positivo, fico muito curioso para ver qual será a direcção da série no futuro.

Positivo:

  • Visualmente apelativo
  • Muito alegre
  • Mouthfull mode é um fartote
  • Coop a qualquer momento
  • Muito para fazer e coleccionar

Negativo:

  • Câmara nem sempre tem o melhor ângulo
  • Problemas de fluídez e quebras de frames
  • Segundo jogador algo limitado

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