Lembram-se dos tempos em que um jogo de plataformas feito a pensar nos mais novos também podia ser jogado e apreciado pelos mais velhos sem pensar em lucros exorbitantes?
Jogos como Sly Cooper Thieves in Time e o recente Ratchet and Clank Nexus (análise em breve) lembram-se claramente disso, mas parece que Invizimals O Reino Perdido não.
Invizimals foi um dos grandes sucessos da PSP, (especialmente em Portugal) o que ditava um regresso certo na PS Vita. Porém, foi também feita uma versão para a PS3, que embora tenha várias sinergias com Invizimals: A Aliança, é um jogo bem diferente, para pior.
Enquanto a versão PS Vita é um jogo de coleccionismo e interacção com os Invizimals, a versão PS3 é um jogo de plataformas e acção desajeitado e com problemas graves.
Para começar Invizimals O Reino Perdido faz-nos viajar até ao mundo dos Invizimals na pele de Hiro, um rapaz que ganha a habilidade de se transformar em vários Invizimals e de usar os seus poderes para percorrer os cenários ou combater. Curiosamente, esta habilidade de se poder transformar e usar cada um dos poderes funciona num dos poucos sistemas realmente interessantes deste jogo, pois alguns puzzles só são resolvidos com a mudança entre os vários Invizimals e a versão humana.
No que toca à jogabilidade, Invizimals O Reino Perdido é funcional, embora tenha vários problemas de colisão e muitos movimentos pesados. As plataformas são simples e pouco desafiantes e os combate seguem o mesmo caminho, sendo a maior dificuldade o facto de os ataques dos Invizimals serem lentos e com animações demoradas que os deixam expostos a ataques que seriam facilmente evitados. Podem evoluir cada um dos Invizimals com as muitas esferas que vão apanhando, mas a verdade é que podem derrotar a maioria dos inimigos apenas com ataques básicos.
Além da campanha, Invizimals O Reino Perdido ainda inclui um modo extra de combate com até quatro Invizimals ao estilo da versão PS Vita. Esta é sem dúvida uma forma interessante de poderem interagir e cruzar os conteúdos que tenham na consola, mas é um extra bem feito que vem agarrado a um modo campanha bastante fraco.
Visualmente, Invizimals O Reino Perdido é um jogo visualmente apelativo, especialmente para os mais novos, embora não seja um portento técnico. Os inimigos parecem clones uns dos outros e grande parte da construção dos cenários usa plantas ou árvores em formato “copy/paste”, mas sinceramente, eu devo ter notado nisso apenas porque já me estava a sentir aborrecido.
A música não me pareceu nada má e até faz lembrar a de coisas como Spyro ou Skylanders, porém, as vozes não são nada de especial e curiosamente, as vozes das pessoas que tentam parecer humanas soam pior das que foram feitas para os Invizimals.
Porém o melhor deve sempre deixar-se para o fim e Invizimals O Reino Perdido ainda sofre de um mal maior. Caso não tenham acesso à internet para instalar o patch de quase 2.5 GB emtão preparem-se para ser brindados com vários bugs e problemas. Sem o patch a personagem ficou presa no meio do nada pelo menos por duas vezes e em algumas zonas certas texturas perderam a sua solidez, deixando-me entrar para o vazio do cenário. Isto faz-me perguntar se realmente alguém testou o jogo como deve ser, pois foram problemas que me aconteceram logo nos primeiros minutos de jogo e que foram sucedendo ao longo da aventura.
Invizimals and the Lost Kingdom é uma tentativa directa de capitalizar no “irmão” mais novo lançado para a PS Vita, e embora fosse de esperar que não seria um jogo do ano, posso dizer que até os mais novos mereciam mais. Se juntarmos a isto o facto do jogo vir com problemas de origem que só podem ser corrigidos com um patch, então quem não tem a consola ligada à Net vai passar por momentos ainda maiores de frustração.
Só posso recomendar Invizimals O Reino Perdido aos fãs da série ou jogadores mais novos que não liguem a questões tão técnicas. Mas antes de comprar, certifiquem-se que têm a vossa consola ligada à Internet.
Positivo:
- Podem jogar na pele dos Invizimals
- Poderes dos Invizimals fazem parte dos puzzles
- Podem combater com Invizimals em arenas até 4 jogadores
Negativo:
- Jogo em bruto lançado com erros
- Jogabilidade atabalhoada
- Plataformas e combates pouco desafiantes
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