Análise – Hunters T1

Apesar de a concorrência roubar o spotlight enumeras vezes com as suas estreias de renome, a Amazon Prime conseguiu roubar um pouco dessa atenção, através da série Hunters, que com um elenco de peso e um enredo cativante, consegue mostrar que este serviço de streaming está par a par com a concorrência, sobretudo em qualidade.

Hunters passa-se nos anos 70, onde um jovem judeu, chamado de Jonah (Logan Lerman), após a morte trágica da sua avó, se vê no meio de um grupo que almeja caçar os resquícios da presença nazi, que fugiu para o território americano. A série, apesar de em alguns momentos ter bastante ficção, consegue relatar e tocar com exatidão histórica num dos eventos mais trágicos da história do homem na Terra, o Holocausto. Com sede de vingança, Meyer Offerman (Al Pacino) o líder do grupo, e os restantes membros, composto pelas personagens de Murray (Saul Rubinek) e Mindy Markowitz (Carol Kane), Lonny Flash (Josh Radnor), Roxy Jones (Tiffany Boone), Joe Mizushima (Louis Ozawa) e Sister Harriet (Kate Mulvany) que tencionam acabar com o plano dos nazis de construir o Quarto Reich.

Apesar da ação presente se passar nos anos 70, temos em Hunters durante o decorrer da série, vários momentos em que nos é mostrado através de flashbacks, o passado misterioso de Meyer e de Ruth (Jeannie Berlin) a avó falecida de Jonah, e o que estes tiveram de passar nos campos de concentração e o que lhe motivou a criarem o grupo hunters. Como referi anteriormente, apesar da precisão histórica em bastantes momentos importantes da série, Hunters consegue ir buscar às teorias da conspiração mais célebres desta época, a sua vertente de ficção e de criatividade narrativa.

Contudo mesmo com estes elementos presentes, Hunters muitas vezes tem dificuldades em assumir claramente qual o seu género narrativo. Ora estamos a tratar de um assunto sério e tenso, através de memórias do Holocausto, ora estamos acompanhar momentos de comédia com os delírios da imaginação de Lonny, com quebras da quarta parede, ora estamos a assistir uma série criminal, parecida com o CSI. Ainda assim, em alguns destes elementos consegue mostrar a sua qualidade do guião e em como desenvolve cuidadosamente cada personagem, para que no final encaixe tudo numa só narrativa coesa. No fundo, é como se estivéssemos numa montanha russa, onde em uns momentos estamos tensos e presos à cadeira a torcer pelas personagens, e em que outros estamos a rir com a forma macabra e sádica da atitude dos vilões.

Por falar nisso, Hunters consegue ao mesmo retratar a presença nazi, de forma ameaçadora, através de The Colonel (Lena Olin), a alegada chefia do grupo nazi, como também de forma cómica e estranha através de Biff Simpson (Dylan Baker), um ex-oficial nazi que mudou a sua identidade e vive uma vida aparentemente pacata e luxuosa nos EUA. Adicionalmente, a série não tem medo de retratar a monstruosidade dos atos cometidos por este grupo, tendo momentos inclusive que nos deixam em choque e com raiva de certas atitudes. Vale ressaltar ainda a personagem de Travis Leich (Greg Austin), um jovem americano, com tendências de psicopata, que decide juntar-se ao grupo, mas cujos métodos são diferentes do mesmo e acabam por entrar em convergência com aqueles da organização, o que resulta em vários momentos intensos e cheios de adrenalina.

Já que estamos a falar do elenco, este é talvez um dos factores que mais dá brilho à produção de Hunters, seja pela capacidade atuação excepcional de Al Pacino, que por sinal é a melhor personagem da série, e aquela que arrisco dizer tem mais desenvolvimento acima de todas as outras, mas não entro em mais detalhes para não dar spoilers. Seja ainda pela forma como Dylan Baker consegue alternar entre uma pessoa empática e prestável, para uma criatura sociopata e extremista, em poucos segundos de tela.

Devo dizer que a escolha de apenas dez episódios foi acertada, não senti que houvessem momentos desnecessários, pelo contrário todos tinham algo para acrescentar, o que se traduziu no último episódio, com a junção de todas as pontas soltas. Aliás no final de cada episódio, a série deixa o espectador investido e com curiosidade para assistir ao episódio seguinte, portanto é um bom trabalho de ambos os lados. Porém devo ressaltar que Hunters aborda temas religiosos, como é o caso do judaísmo de forma detalhada, com vários termos e conceitos que me deixaram algumas vezes perdido, no entanto, apesar de leigo no assunto, consegui acompanhar a restante narrativa, sem me fazer diferença no climax de Hunters.

Adicionalmente os cenários, os figurinos e também a banda sonora contribuem bastante para nos deixar imersivos em ambas as épocas retratadas, um pouco semelhante àquilo que Stranger Things faz para nos deixar imersivos nos anos 80. No geral, e a apesar da mistura de géneros, esta é uma série que recomendo vivamente a toda a qualquer pessoa interessada em história, ou até simplesmente um espectador casual que esteja interessado em assistir a uma boa doze de momentos cómicos, de momentos de ação com muita porrada e tortura em nazis.

Em suma, Hunters destaca-se em diversos aspectos, os quais são enfatizados pela brilhante prestação do elenco e da precisão narrativa. Para quem está interessado em ver a série, esta encontra-se disponível na Amazon Prime como referi inicialmente, e desde já digo que é uma boa forma de vos entreter durante esta quarentena.

Postivo:

  • Enredo;
  • Elenco;
  • Precisão histórica;
  • Coesão e culminação das pontas soltas no final.

Negativo:

  • Dificuldade em definir o seu próprio género narrativo.

 

João Luzio
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