Análise – Greyhound

A presença de Tom Hanks em filmes de guerra, não é uma novidade, veja-se o clássico do cinema, Saving Private Ryan de 1998. Agora, em Greyhound (2020), Hanks regressa novamente enquanto protagonista, numa obra que recria partes de uma batalha naval da Segunda Guerra Mundial. Sendo um grande apreciador de filmes históricos fiquei bastante satisfeito com as escolhas narrativas do diretor, Aaron Schneider que conseguiu reter toda a imersão e fidelidade desta época tão marcante da história.

Quanto à história de Greyhound (2020), e como referi, esta é baseada em factos e acontecimentos verídicos. Aqui, um comandante da marinha americana, Ernest Krause (Tom Hanks) terá de liderar a embarcação Greyhound, em águas perigosas no meio da batalha do North Atlantic. Esta batalha situa-se historicamente, nos primeiros dias do envolvimento americano na Segunda Guerra Mundial, o que justifica o facto, desta ser a primeira missão de Krause.

Contudo, para além de salvaguardar a sua tripulação e o bom estado da Greyhound, Krause terá também de proteger as embarcações aliadas, como por exemplo a Eagle, dos ataques inimigos oriundos de um batalhão da Alemanha nazi. Estes últimos são liderados por Greywolf (Thomas Kretschmann) que em conjunto com a sua armada de submarinos de guerra, irão fazer de tudo o que estiver ao seu alcance, para afundar as embarcações dos Aliados.

Tratando-se de um filme histórico do sub-género de guerra, fiquei impressionado com os detalhes e fidelidade dos factos apresentados ao longo do filme. Isto deveu-se muito, porque a ação desta obra decorre, maioritariamente, a bordo da Greyhound, onde acompanhamos a rotina de Krause e respectiva tripulação. Não apenas isso, mas também os aspectos técnicos navais estão muito bem expostos, de uma forma convincente e acessível, para que qualquer pessoa possa e consiga acompanhar facilmente a informação apresentada.

Uma vez que esta batalha é a primeira missão, deste tipo, do comandante Krause, a direção do filme mantém um tom cordial com a experiência da  personagem, ou seja, a personagem de Tom Hanks vai aprendendo, simultaneamente com o espectador, quanto aos eventos que ocorrem em alto mar. Portanto, não é daqueles filmes em que a personagem é um expert sem precedentes no assunto, aqui, o director tentou ao máximo humanizar o protagonista.

Com exceção do Tom Hanks, todo o restante o elenco fica à sombra, sem ter grande desenvolvimento ou caracterização mínima, que permita ao espectador diferenciar cada tripulante, tanto em termos de personalidade, como das próprias funções que desempenha na embarcação. Situação esta, que não me permitiu importar com o destino destas personagens, até mesmo nas situações de vida ou morte. Sem sombra de dúvida, Tom Hanks leva o filme às costas.

Os efeitos especiais encontram-se apropriados e bem executados. Toda a vertente, que diz respeito, à pós-produção do filme está de parabéns. Consegue colocar o espectador a bordo da Greyhound, facilmente, logo no primeiro acto do filme. Já o mesmo não posso dizer quanto à narrativa, pois apesar de estar bem estruturada, acaba por contar estes acontecimentos, de uma forma presumível. E isso tem um impacto enorme no clímax do filme, que acaba abruptamente, estendendo-se ainda com mais cinco a dez minutos de peroração.

A banda sonora está também dentro do padrão deste género de filmes, sem qualquer tipo de faixas que se destaquem. Sendo o mérito atribuído aos efeitos sonoros, que trabalham primorosamente, a tal verosimilhança histórica, que falei anteriormente.

Em modo de conclusão, Greyhound (2020) é daqueles filmes que facilmente entretém tanto o espectador casual, como o elitizado intelectual. Muito graças à prestação de Tom Hanks, o filme consegue chegar a bom porto, mesmo estando presentes algumas falhas na questão da caracterização das personagens e respectiva elaboração narrativa. Assim recomendo-o, vivamente, a quem gosta de filmes históricos, e em particular, àqueles interessados na vertente bélica e naval da Segunda Guerra Mundial.

Positivo:

  • Exatidão e rigor histórico;
  • Imersão a bordo de Greyhound;
  • Efeitos especiais;
  • Contributo de Tom Hanks

Negativo:

  • …que acaba por sombrear o resto do elenco;
  • Pouca construção e desenvolvimento das personagens secundárias;
  • Clímax;
  • Algumas escolhas narrativas;

João Luzio
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