Análise – Good Job!

Good Job! é o que acontece quando nos dão uma tarefa mas não nos dizem como a querem feita, e muito menos se importam como lá chegámos. O resultado é uma desgraça, ainda que, a tarefa esteja concluída com sucesso.

Para ajudar à festa somos o filho do patrão, pelo que nenhum empregado se atreve a reclamar connosco. Talvez seja por isso que não se importam com a destruição que causamos, ainda que prefira pensar que ninguém reclama porque o nosso trabalho tem uma qualidade soberba. Existem duas maneiras de ser bem sucedido, uma delas é ser bastante rápido a outra é ser bastante cuidadoso e não partir nada, algo que é bastante complicado quando parecemos um elefante numa loja de porcelana.

Muito do que nos espera em Good Job! está relacionado com a imaginação. Se precisam de substituir um projector na sala de reuniões e o substituto está no armazém e existem paredes pelo caminho; porque não fazer uma catapulta com um fio e atirar o projector para a sala atravessando paredes, janelas e aquele vaso que claramente alguém comprou para decorar a secretária? Certo, causaram imensos danos, mas o trabalho está feito, podem picar o ponto e ir para casa. A ideia é causar a máxima destruição possível enquanto completamos a tarefa, é a forma mais divertida de aproveitar Good Job!.

Dependendo do cenário e do objectivo vamos encontrar diversas mecânicas que obrigam o jogador a adaptar-se aos novos desafios. Conforme avançam na empresa vão ter acesso a novas ferramentas de destruição, também conhecidas como ferramentas de trabalho. Estas encontram-se espalhadas nos níveis e vão ajudar a concluir as tarefas propostas. O inserir de novas mecânicas é um factor chave na diversão, uma vez que bastante depressa Good Job! passa de entretenimento a trabalho.

Para mitigar o trabalho que Good Job! requer podem fazê-lo com outra pessoa localmente. Provavelmente vão ter ainda mais trabalho, mas é garantido que se vão divertir, ou ficar incrédulos quando eventualmente estiverem quase a conseguir atingir a meta e alguém estragar tudo. No entanto este modo revela desde logo uma das falhas de Good Job!, o aspecto visual sofre bastante com a movimentação dos objectos. Quando existem dois jogadores em campo estas falhas tornam-se mais comuns mas mesmo jogando sozinhos elas vão aparecer, dependendo claro está da confusão que acabam por criar.

Em termos de jogabilidade existem vários problemas inerentes ao género. O facto de se conseguir mexer em quase tudo de diferentes ângulos acaba por criar conflitos quando tentamos agarrar um livro mas em vez disso agarramos a estante ou uma mesa, e assim que o fazemos tombamos um copo ou um livro e lá se vai a pontuação perfeita. É possível ter cuidado mas nem sempre é fácil e por vezes até se torna num jogo de tentativa e erro. Tendo em conta que cada objecto tem tem o seu próprio peso e comportamento a capacidade de destruição e tragédia é bastante grande, pelo que é importante que a forma como manobramos cada um seja a mais precisa e como já referi, nem sempre é esse o caso. Ainda dentro da jogabilidade, a falta de um botão de viragem no local em que nos encontramos é uma das minhas maiores reclamações. Quantos puzzles não teriam sido facilitados se simplesmente pudesse girar um objecto em vez de dar uma volta gigantesca, bater num quadro e ter um prejuízo de centenas de euros/dólares ou seja lá qual for a moeda do jogo.

Apesar dos problemas técnicos de que já falei é um jogo visualmente apelativo onde é fácil distinguir os objectivos. Good Job! utiliza um sistema de formas e cores para destacar que tipo de peças podemos conectar, ou quais são os objectivos, é simples e eficaz. Espalhados pelos níveis existem também peças de roupa que podemos apanhar para vestir o nosso personagem. São imensas peças e acabam por dar alguma identidade ao nosso boneco genérico.

Existem vários níveis para desbloquear e todos eles têm um objectivo e uma pontuação. A pontuação de Good Job! parece ser feita apenas com o resultado mais alto das 3 avaliações. No final de cada nível é atribuída uma pontuação ao tempo, prejuízo e itens partidos. Posteriormente recebemos uma pontuação geral que normalmente corresponde à nota mais alta das 3 avaliações.

No geral Good Job! faz um bom trabalho ao entreter durante curtos períodos de tempo. É um jogo que se torna ligeiramente enfadonho com o tempo e o desafio de tentar obter as pontuações mais altas nem sempre se revela como a melhor solução de diversão. Good Job! acaba por ser para quem procura um desafio ou para quem tem com quem partilhar momentos de caos, se jogarem sozinhos o caos só consegue entreter até certo ponto.

Positivo

  • Diferentes formas de realizar as tarefas
  • Visualmente apelativo e funcional
  • Caótico

Negativo

  • Alguns soluços equiparados ao caos criado em certas situações
  • Nem sempre é fácil agarrar no que pretendemos

Latest posts by Alexandre Barbosa (see all)
Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram