Análise – Game of Thrones: The Sword in The Darkness

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O terceiro episódio de Game of Thrones da TellTale chegou, e abriu-nos as portas com um bafo de fogo.

Devo dizer que fiquei surpreendido pela abertura do episódio, com Drogo claramente exposto no anúncio do mesmo, seria de pensar que este apareceria lá para o fim. De qualquer maneira abriu The Sword in The Darkness de uma forma espetacular.

Mas como está este episódio comparativamente aos seus antecessores? Em termos visuais devo dizer que se mantém como uma tela viva, como um quadro pintado à mão. Mas o pintor descuidou-se e algures no episódio é possível ver algumas falhas, como olhos revirados e paisagens que andam sozinhas…  árvores por exemplo! Aqueles troncos com raízes que andam e oferecem a noção de movimento…

Game of Thrones Proximo nivel 1

Pronto, já chega… não fosse o jogo conter a seguinte fala “words are wind, it’s choices that define us.”. Pois bem, escolhas! As escolhas que não passam de ventos pelos vistos. Durante este episódio somos confrontados com grandes escolhas, ou pelo menos parecem. Aliás em vários momentos dei por mim a fazer uma escolha presidencial, ou seja entre a má e a horrível. O problema é que algum tempo depois a escolha tornou-se totalmente irrelevante.

Ainda sobre as escolhas, por esta altura o jogador já antevê que certos segmentos estão lá para nos dar um soco na barriga brevemente. Seria simpático ter uma opção que evitasse estes golpes baixos. Ou o simples facto de num abrir e fechar de olhos o objectivo para o qual temos trabalhado nos últimos episódios se esfume constantemente.

Game of Thrones Proximo nivel 2

Mas nem tudo é mau, a história começa finalmente a tomar contornos mais complicados. As personagens que foram estabelecidas já se deram a conhecer o suficiente para poderem ser postas à prova, diria que este é o primeiro episódio onde se começa realmente a sentir o peso de Game of Thrones. The Sword in The Darkness ocorre em simultâneo com um dos pontos altos da série, confesso que fiquei um pouco desiludido por não ver essa cena diretamente, mas bastou-me o som para ficar satisfeito.

Game of Thrones Proximo nivel 3

Como já tem vindo a ser habitual, andamos sempre a saltitar entre os vários membros da família, e um ponto que volta do segundo episódio é que estou sempre à espera por uma oportunidade de jogar como Asher, pois este continua a ter os segmentos mais interessantes, pelo menos no momento.

Apesar de perceber que estes episódios têm de construir uma razão para o que vem a seguir, não deixa de ser frustrante jogar como Rodrik. Mas essa é também a razão por adorar esta série como um todo, fazer-nos passar por todo aquele tormento, tendo vontade de espetar um punhal no nosso inimigo na primeiro oportunidade, resta-me dizer, bom trabalho! Não é fácil odiar uma personagem com tanto desdém como me tem acontecido.

Game of Thrones Proximo nivel 1 4

No geral The Sword in The Darkness é um episódio que dá mais contornos a uma história que parece estar a caminhar para nada abaixo de épico, no entanto peca pela falta de importância. Um mal necessário? Talvez. Espero que o próximo episódio justifique The Sword in The Darkness.

Positivo

  • História começa a entrelaçar-se
  • Momentos de jogabilidade variada
  • A construção das personagens chega a ser irritantemente boa
  • O fim deixa a nossa imaginação voar sobre o próximo episódio

Negativo

  • Alguns problemas visuais
  • As escolhas deste episódio não se fazem sentir como importantes
  • Alguns segmentos forçados que por esta altura já se antevêem que são utilizados como isco

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Marco Correia

“Pronto, já chega… não fosse o jogo conter a seguinte fala “words are wind, it’s choices that define us.”. Pois bem, escolhas! As escolhas que não passam de ventos pelos vistos. Durante este episódio somos confrontados com grandes escolhas, ou pelo menos parecem.”

hahaha e é por isso que me fiquei pelo 1º episódio. Mal terminei o 1º episódio fiquei logo com uma impressão que esta nova serie da Telltale ia ser AINDA MAIS irritante no que conta a escolhas.
Boa análise, alias excelente análise! Uma análise com piadas é sempre fixe de se ler 🙂

Nirvanes

Mais uma vez discordo completamente com esta ideia de criticar as escolhas. Diria que este episódio tem excelentes escolhas, e estamos a falar de uma série com 6 episódios, acham mesmo que é altura para julgar os caminhos? E acham que num universo tão fechado como o de GOT é possível criar tantos caminhos? Ainda por cima eles estão-se a manter mesmo por perto de personagens importantes, é de ter cuidado.
As escolhas justificam um sentido de avanço, não necessariamente caminhos diferentes. Nem deve, porque a Telltale escreve UMA excelente história, e vocês querem uma ramificação enorme que dá várias histórias diferentes. O que tiver de acontecer vai acontecer, com as suas devidas variações.

Neste episódio por exemplo, existe no ínicio a típica escolha entre um personagem ou outro, e na verdade nenhum morre. Acharam estúpido? Eu não, achei um twist porreiro, porque a única coisa que afecta é a opinião de uma das personagens, e isso a longo prazo pode ajudar ou prejudicar. Não é altura para julgar.

A história tem andado consideravelmente e houveram duas ou três escolhas neste episódio que de certeza que ajudaram a algumas variações lá para a frente, mas a história geral é para ser contada como eles a têm de contar dentro do universo, não sei porque ainda lutam contra essa ideia. As escolhas são o trigger para a imersão na narrativa, nem é suposto estarem a pensar muito nisso. Eu acho que não é minimamente saudável estar a ‘quebrar o jogo’ fazendo duas gameplays ou mais só para se ver se algo muda e se não mudar nada de jeito reclamar.

Vi por alto a tua review do novo episódio de TotB (que ainda não joguei) e lá é exactamente o contrário, usa-se as escolhas como um elogio. A única diferença é que vocês não fazem a ideia da liberdade que eles têm num ou noutro ou na margem de manobra. TotB tem carta branca para fazer humor, e basicamente qualquer coisa dentro do reduzido e deserto universo de Borderlands onde em 3 jogos há muito lore mas muito pouca história propriamente dita. É permitido basicamente tudo, por isso a dimensão das escolhas e as suas variantes parecem mais significativas. Mas de longe achar que TotB seja melhor que GoT por isso, sendo que não é.

O trabalho em GoT tem sido simplesmente Excelente, sem tirar nem pôr, de uma fidelidade em termos de atmosfera incrível, e a qual só tenho a apontar defeitos de gosto pessoal (eu gosto muito de ver os eventos ‘reais’ da série acontecerem – tal como do último episódio – mas acho muito perigoso estar tão perto desses eventos e de personagens relevantes pelos simples facto de isso estar a tornar possíveis plot holes. Mais relevante ainda é perceber se os eventos do jogo se iram tornar CANON dentro da série/universo. Adorava que o George RR Martin se pronuncia-se sobre o assunto.)

Silver4000

O problema é eles apresentarem escolhas entre batata e cebola e receber batata nas duas.
No 1° WD ainda se desculpava, mas agora que este tipo de jogos está a ficar famoso (ou melhor, já é), estar sempre a ver a mesma fórmula é algo mau, pois só não chateia como dá a impressão de que a TT não quer saber.

O TotB por outro lado veio mostrar que entre escolher batatas ou cebolas, tu tens o que escolhes, embora na minha opinião seja mesmo por a Gearbox talvez estar a meter a mão na história. Mas é o primeiro jogo desde o WD que toma uma rota diferente para cada jogador com as suas escolhas, pois estas importam mesmo, o que dá um sentido único à história, que em parte é o objectivo destes jogos.

Eu falei com o tylarth sobre as nossas escolhas no TotB e fiquei surpreendido ao ver que o que ele escolheu nas decisões importantes realmente tomou um caminho diferente do meu, ao contrário do que eu esperava. E também já andei a ver um ou outro playthrough e está realmente diferente, quase que uma outra história.

Ainda não joguei nenhum dos GoT, estava para o fazer na semana passada mas não o fiz. Por isso não posso dizer nada quanto a esse caso.

Nirvanes

A Telltale não quer saber? A Telltale só tem melhorado, desde os diálogos à frequência e pacing das acções (acabou-se a seca da primeira season do WD). Em termos narrativos sempre foi esta a fórmula e vai continuar a ser. Eu quero uma história boa mais do que 2 histórias ou 3. Tudo o que acontece é variável, pouco mas é. É sobre os pequenos detalhes. No primeiro WD podias escolher entre salvar a Carlie ou o Doug no ínicio, no primeiro playthrough escolhi a Carlie, e há pouco tempo voltei a jogar e escolhi o Doug. Só a variação de diálogos, as pequenas diferenças (, o Doug é um egenhocas, no motel está a desenvolver uma campainha, na quinta salva-te com uma daquelas canetas laser, e na hora da morte, morre por acidente e não de propósito como com a Carlie) já valem a pena. A Clem ficar com a camisola se roubares o carro, e depois se jogares a season 2, no fim, ela a relembrar a viagem na caravana… aparece com a camisola. Se não tiveres roubado o carro ela não aparece com a camisola. Os pequenos detalhes são mesmo significativos, não é a big picture, a big picture aqui é sempre a mesma história e tem de ser, tão simples quanto isso. É impossível eles escreverem algo tão bem 3 ou 4 vezes e manter sempre a qualidade. Eu prefiro uma com muita qualidade.

E a escolha entre batata ou cebola não dá sempre batata. Dá batata com um pouco de cebola ou cebola com um pouco de batata. As variações aparecem, simplesmente não são significativas para toda a gente. Para mim são.

TotB não tem uma boa história. Tem um universo para aparvalhar, não queiras comparar é impossível. Estamos a falar de um blank canvas, nem sequer tem de manter grande coerência, uma personagem podia morrer e aparecer viva na cena seguinte só pela piada. Há um humor caracteristico do universo e acção over the top que simplesmente não é possível da mesma forma em mais nenhuma das séries.

Como disse, isso pode acontecer por causa do universo onde se insere. Há um sentido de aparvalhamento enorme – e isto não é uma crítica. As guidelines no universo de borderlands são muito mais ténues em quase tudo.

Duvido que mudes de opinião ao jogar, mas é certo é que a história está muito rica e que está super coerente no universo e isso vale mais do que qualquer ramificação de acontecimentos. Ainda por cima estamos a falar de uma série com 6 episódios ao contrário das outras, tem muito mais tempo para ver as variações acontecer.

Silver4000

Digo que não quer saber quanto às escolhas.
É verdade que quanto à acção e o resto que melhorou imenso em relação ao WD 1, isso deu para ver no WD 2 se usar-mos como comparação. Ou o Wolf Among Us, uma série diferente, mas que havia sempre acção em todos os episódios.

O que referes em relação ao Doug é à Carlie é um exemplo do que quiz demonstrar ao dar o TotB como exemplo, esquecendo por momentos que ambos morrem num fim, é uma escolha que oferece uma história diferente a duas pessoas. Os pequenos detalhes é um extra que torna a história ainda mais única.

Agora escolhas onde só muda uma ou duas falas para mim não é grande coisa, até porque muitas vezes algo pode ser dito com uma intenção diferente da que desejávamos.

Eu não estava a falar da história mas mais das escolhas em si 😛
Claro que o universo do Borderlands não é para se levar a sério, e enquanto a TT consegue fazer boas histórias dramáticas (WD 1), ou bons “mistérios” (Wolf), a meu ver, a cena das escolhas calha melhor num universo parvo como o do Borderlands. Enquanto que no resto se não dá para oferecer isso ao mesmo nível, deviam de investir na aura de “série” que estes jogos tem.

Nirvanes

Não é tanto acção, é mais o ritmo das coisas. Sem tempos mortos. Quando não há ‘acção’ há intensidade de diálogos e coisas relevantes a acontecer. Tipo raramente acontecer aquelas actividades secantes… por exemplo ainda agora no Life is Strange tive de explorar o cenário e encontrar 5 garrafas vazias. Esse tipo de actividades nos jogos da Telltale já não existem.

Mas o que acontece em relação ao Doug e à Carlie é o que muita gente critica, ambos morrem, ou seja não significa nada. E desse tipo de decisões há muitas, continuou a haver no segundo jogo (tipo a logo no segundo episódio da segunda temporada de WD onde tens de escolher entre ajudar um ou outro. Se ajudares um ele sobrevive e ou outro morre, se ajudares o outro ambos sobrevivem àquilo). E o GOT está cheio de escolhas dificeis simplesmente nenhuma delas ainda mostrou esse tipo de detalhes diferentes até agora, mas não é necessariamente mau por isso. Eu acho que a ilusão é muito forte, e é o impulsionador número 1 da narrativa.

Certo, mas acho que estás a julgar mal a TT quanto a isso, porque nem sempre é assim.

Eu sei, mas o facto de haverem mais escolhas também influencia a qualidade da história, porque é preciso serem mudanças mais ou menos crediveis, sendo que em Borderlands é super fácil fazer as variações pelo simples facto de ser um universo absurdo.
Exacto, calha melhor, A VARIAÇÃO, agora as escolhas em geral está bem em todos os jogos que têm feito. São pequenas variações apenas. Se o TotB deixa ter vários caminhos melhor, é porque pode. Acredito que o jogo que vão fazer do Minecraft seja igual.
E eles investem na aura da série 😀 simplesmente usam a ideia de escolhas em diálogo e na narrativa para impulsionar a história, mesmo que dizeres X em vez de Y não faça grande diferença é isso que te ajuda a estar presente dentro do jogo. Se não fosse assim eram jogos muito mais secantes.

Silver4000

Sim isso das garrafas mostra que eles estão a ficar melhor.
O WD 1 parecia um point and click, e os seguintes já possuem muito mais interactividade e menos partes mortas.

Bem, eu no primeiro não condenei muito, sim fiquei chateado ao descobrir que quando sacrifiquei uma pessoa para salvar outra no fim acabou por não levar a nada. Mas na 2a temporada foi “pior” de se engolir pois já era uma narrativa repetida (a parte das mortes) e é uma forma desbarata de se livrarem de personagens para não terem que lidar com a história delas a meu ver.

Sim eu quanto a isso não os estou a julgar.

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