Análise – Cinderella

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Numa era em que a Disney se encontra focada em dar um novo tratamento aos seus clássicos, chega-nos um dos mais amados contos, Cinderella.

Nesta adaptação de Kenneth Branagh, Cinderella mostra-se muito próxima do filme animado de 1950, contrastando com o filme do ano passado Maleficent, que acabou por dar a volta à história que conhecíamos. O primeiro impacto com o filme dá-se com o primeiro olhar sobre o mundo de Cinderella, uma mistura entre CGI e o mundo real.

Como todos nós de uma forma ou de outra já conhecemos o velho conto de fadas, aquilo que realmente interessa não é o que vai acontecer, mas sim como. Ao contrário do que aconteceu com Maleficent, Cinderella não se destaca por nos mostrar a história oculta, mas sim por recontar a sua história, e como todos os contadores de histórias, existe sempre espaço para alguns detalhes extra.

CINDERELLA

A produção musical do filme está em segundo plano nesta adaptação, aliás existem apenas dois momentos musicais durante todo o filme. Assim coube a Patrick Doyle preencher a banda sonora do filme. No seu todo, talvez mais alguns momentos musicais tivessem enaltecido este re-imaginar de Cinderella, já que existem alguns momentos onde uma canção ao bom estilo Disney faz mais do que explicar.

Uma das mudanças que mais me agradou foi com a Senhora Tremaine (Cate Blanchett), a madrasta. Pela primeira vez, fiquei a saber o verdadeiro porquê por detrás do seu comportamento vil, chegando mesmo a ter alguma condescendência para com a mesma. No fundo a madrasta continua a ser o contrário de Ella (Lily James), que nesta adaptação nos relembra constantemente de que é uma boa e amável rapariga.

Já quanto às suas filhas, Anastasia (Holliday Grainger) e Drizzela (Sophie McShera), estas são puramente o alvo de várias cenas cómicas do filme, desde os seus actos às suas falas.

A primeira metade do filme mostra então a transformação de Ella, a filha de um rico mercador, em Cinderella, a empregada das suas meias-irmãs e madrasta. Esta primeira parte é demasiado rápida e não chega a transmitir o verdadeiro sofrimento prolongado a que Cinderella é sujeita. Em vez disso, é utilizada uma cena bastante cruel que derruba totalmente Ella.

CINDERELLA

Para os momentos mais pesados, foram introduzidos alguns elementos de modo a aliviar a tensão, como os clássicos ratinhos do conto de fadas, com um destaque para Gus Gus. Estes proporcionam algumas gargalhadas durante o desenrolar da história, sendo muito bem-vindos. Falando em clássicos, qualquer pessoa que tenha visto o filme de animação, certamente lembrar-se-à de vários momentos do mesmo, por exemplo, os confrontos entre Lucifer e os ratos. Alguns destes momentos estão presentes nesta adaptação e dão alguma satisfação extra a quem se lembrar dos mesmos.

No entanto é na segunda parte do filme que a magia ocorre.

Até aqui pode-se dizer que o filme entretém, mas é com a entrada em cena do Príncipe (Richard Madden) e as personagens ligadas à família real que o filme começa a brilhar. Cinderella ganha um novo alento e a noite do baile é o momento mais marcante do filme, quer seja pelos actores, história ou parte técnica. Todas as cenas desta noite fazem-se sentir como a grande aposta de Kenneth Branagh. Na minha opinião foi uma aposta ganha, proporcionando alguns momentos inesperados assim como outros que deslumbram. Durante a primeira dança do baile, os planos escolhidos fazem com que este transmita um grande impacto.

CINDERELLA

Existe ainda um ponto do qual não falei, no que respeita à prestação dos actores, não existem momentos que os façam brilhar. Durante todo o filme fica a sensação de dever cumprido sem medalha de honra, onde a excepção é a cena onde a madrasta ouve a conversa entre Cinderella e o seu pai, que aliás é uma das minhas favoritas.

Cinderella não substitui o clássico animado mas também não é nenhuma meia-irmã tresloucada, por isso, acaba por ganhar o seu lugar ao lado do mesmo.

Positivo

  • Um clássico re-imaginado
  • Simplicidade de Cinderella
  • Momentos cómicos e nostálgicos
  • História bem apresentada
  • Algumas das cenas são absolutamente espectaculares
  • A madrasta está muito bem trabalhada

Negativo

  • Primeira metade do filme tem um desenvolvimento demasiado rápido.
  • A banda sonora está claramente em segundo plano
  • Prestação dos actores é competente mas nada de especial

pn-muitobom-ana

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Kanudo

Admite que houveram momentos no filmes em que te apeteceu gritar “The King of the North!”.

tylarth

nem por isso

Kanudo
Silver4000

Já comentei no skype, mas o povo tem de saber.
Aquela última imagem a madastra parece estar sentada!

Daniel Silvestre

Gosto bastante do facto de terem dado uma razão à madrasta para ser má. Um vilão só porque sim ou é bastante imponente. Esta via parece mais lógica para ela e ainda bem que fizeram assim.

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