Análise – Call of Duty: Vanguard

Tal como dita a tradição, Call of Duty está de regresso para mais uma versão da sua série. Numa era em que Warzone está claramente a ter um grande sucesso, os lançamentos anuais podiam sofrer algum estilo de apagão, no entanto, Vanguard é a prova que a Activision quer continuar a manter a tradição.

Call of Duty: Vanguard parece construído tal como uma manta de retalhos. O menu está segmentado entre os três modos principais e caso tenham os jogos anteriores, também podem aceder a cada um através do menu principal. Bem se sabe que a maioria nem chega a jogar a campanha, mas por aí mesmo que vou começar.

Para mim, apesar de gastar algum tempo no online, a campanha é exactamente aquilo que me interessa mais num Call of Duty. Em Vanguard temos uma história dedicada a um grupo de elite que tem de decifrar um enigma misterioso da segunda guerra mundial e ao mesmo tempo, conseguir infiltrar as linhas inimigas.

Embora perceba a ideia de que a maioria não quer saber da campanha, eu quero saber e por isso não acho divertido ter de instalar o jogo e ter de instalar a campanha de forma idependente. Isto quer dizer que o Disco de jogo é apenas uma licença e que se quiser jogar esta campanha daqui a 20 anos quando os servidores já estiverem em baixo, nada disto está disponível.

Não que a campanha de Call of Duty: Vanguard seja algo que queira jogar novamente, pois embora tente contar uma história interessante através de personagens distintas, acaba por ser uma mistura estranha entre momentos que tentam ser icónicos ou marcantes, sem nos dar espaço e tempo o suficiente para sentir grande empatia por estas personagens.

Entre estes heróis, Petrova é claramente uma das melhores e é aquela que nos faz passar pelos momentos mais marcantes da guerra quando a Rússia é invadida. No entanto, dez minutos depois de ouvirmos um discurso bonito do pai e de conhecer a casa onde vive, o pai é morto e isto pouco ou nada nos toca. Este é apenas a personagem mais interessante da equipa e sofre com oportunidades desperdiçadas, o que diz bastante sobre o quanto a campanha consegue cativar. Longe vão os tempos de Price e Ghost aparentemente.

Durante toda a história vemos um pouco das origens de cada personagem e conhecemos os nazis mauzões que não vão muito além disso. Além do mais, tendo em conta que estes estão sempre a falar de um “grande segredo”, parece que estamos a ver uma série de adultos a discutir um projecto secreto para organizar a festa de anos de alguém ao mesmo tempo que essa pessoa está na mesma sala.

Quanto aos cenários, este começa bastante mal, com missões onde está quase sempre de noite ou bastante escuro e só mais tarde é que temos acesso a zonas bem mais interessantes e com maior sentido de ambiente e espetáculo de guerra, do que apenas corredores com pontos de combate pré-definidos.

É uma campanha quase memorável, com personagens com as quais quase nos importamos e com uma acção que quase tenta estar ao nível de Modern Warfare ou Black Ops, o que não deixa grandes saudades nem grandes recordações e me deixou até bastante indiferente.

O próximo modo é o Zombies e uma vez mais o tiro saiu bastante mal dado. A edição deste ano tenta fazer algumas coisas diferentes, mas sofre com ausência de conteúdo e com uma repetição enorme de elementos.

Para começar, a história a que podiam estar habituados já não está aqui e será (quando a Treyarch quiser) lançada mais tarde. Como a análise é agora, é algo que está a menos e como tal é com isso que tenho de contar. Além disso os cenários são bastante regulares e pouco marcantes, com o estilo típico de uma invasão zombie comum.

A tudo isto podemos juntar um sistema de progresso que gira entre três estilos diferentes e que estão constantemente a repetir com dificuldades mais complicadas. No entanto não existem bosses memoráveis, nem situações em que sentimos que está a ser inovador ou a trazer ideias mais interessantes para a mesa. É o mesmo modo de Zombies de sempre mas muito mais básico e sem uma história que o faça andar como deve ser.

Por fim temos o modo mais importante e a minha segunda opção. Poucos são os Call of Duty mais recentes que me fizeram interessar verdadeiramente pelo mulijogador Online desde Call of Duty 4: Modern Warfare e Call of Duty: Modern Warfare 2. Call of Duty: Vanguard é capaz de ser o que mais me prendeu em anos, mas acho que isso está ligado ao facto de tudo o resto ser tão desapontante.

O modo online é exactamente aquilo que tem sido nos últimos anos, tanto para o bom, como para o mau, ou seja, pouco mudou, mas continua a ser verdadeiramente divertido e desafiante como sempre. De mesma dose temos imensos momentos de frustração com todas as vezes que morremos em situações de clara vantagem ou com todos aqueles que nos matam sempre pelas costas.

Existem os típicos loadouts com personagens e armas que podemos escolher, prestiges para desbloquear, armas e melhorias para coleccionar e uma série de lobbies e modos para jogar. Os meus favoritos continuam a ser os clássicos de Domination e Kill Confirmed, mas os novos modos de equipa em arena também são giros e funcionam bastante bem. Claro que depende de com quem vocês jogam e para isso recomendo vivamente jogar c0m alguém conhecido com os quais possam falar e coordenar.

No global, a experiência online é bastante forte e não tive pr0blemas de ligação ou desconexão. Talvez o maior problema seja mesmo o facto de haver tanta gente que se esquece de desligar os microfones e metem música a tocar.

No que toca ao visual, Call of Duty: Vanguard tem uma direcção artística muito boa e um visual muito forte. Não só as animações são boas no geral e o jogo corre com muito boa fluídez, como as cinemáticas estão mesmo impressionantes no geral. Claro que continuam a existir problemas de inteligência gritantes por parte dos inimigos e ainda pior, os problemas de colisão quando um inimigo morre numa explosão e ficam presos no cenário é demasiado frequente.

Quanto ao departamento sonoro, temos uma boa qualidade sonora no que respeita à música ambiente que toca em quase todos os momentos e temos ainda uma óptima prestação vocal de todos os actores que fazem parte da campanha.

Assim sendo, Call of Duty: Vanguard é uma grande mistura de momentos altos, momentos assim-assim e momentos que parecem vazios e inacabados. Com a quantidade de anos com que Call of Duty já tem no seu cadastro, é normal que a série tenha os seus altos e baixos e sem dúvida que Call of Duty: Vanguard é um dos seus baixos. Não é certamente o pior que a série já esteve, mas sem a presença do Multiplayer, seria bastante mediano.

Positivo:

  • Bom visual
  • Jogabilidade de qualidade
  • Banda sonora e trabalho vocal
  • Online funciona bastante bem

Negativo:

  • Campanha sem grande profundidade
  • Modo zombies bastante incompleto
  • Poucas ideias interessantes no geral

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