Análise: 300: Rise of an Empire – 300: O Início de Um Império

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A primeira década do novo milénio ergueu sobre os ombros um estilo cinematográfico reservado, até então, para os filmes independentes e/ou Série B: o gore. A democratização da tecnologia permitiu a ascensão da violência enquanto arte, algo que as grandes produtoras, e os conservadores, não autorizavam. Mas tendo em conta que o dinheiro faz girar o mundo, e as massas querem gore, filmes como 300, Sin City e Saw venceram nas bilheteiras e na cultura-pop moderna.

Verdade seja dita, e mérito seja feito, o grande público não se deixa enganar a troco de “meia dúzia de tostões”. Se os filmes oferecem violência e cenários dantescos, têm de ser modelados com nota artística. Para que a violência gratuita exista na Sétima Arte, tem de possuir alguma substancia que estimule a massa cinzenta. Eventualmente, 300: Rise of an Empire não encaixa no estatuto de estímulo ideal para os neurónios, mas distingue-se como regalo para os olhos – blá, blá, bá, efeitos visuais, blá, blá, acção frenética, blá, blá, corpos cortados às postas…

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300: O Início de Um Império desenrola-se antes, durante e depois dos acontecimentos do filme original. O guerreiro grego Themistokles (interpretado por Sullivan Stapleton) alcançou o estatuto de lenda, após evitar uma invasão persa em Maratona e aniquilado Darius (interpretado por Igal Naor), Rei da Pérsia, e pai de Xerxes (interpretado por Rodrigo Santoro). Com o desejo de vingança, alimentado por Artemisia (Eva Green), Xerxes regressa à Helénia mais forte e com votos de destruição, obrigando a união entre os Gregos e o regresso de Themistokles ao terreno de batalha.

Em 2005, o realizador Zack Snyder lançou alguns actores que aproveitaram o sucesso do filme (Gerard Butler e Michael Fassbender). Desta vez os protagonistas são diferentes, mas a sequela conta com alguns regressos, nomeadamente, Lena Headey   (Queen Gorgo), David Wenham (Dilios) e Andrew Tiernan (Ephialtes), e algumas caras novas, com destaque para Hans Matheson, Callan Mulvey Jack O’Connell.

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A batuta da realização foi entregue ao israelita Noam Murro, que contém no currículo a comédia Smart People. A missão era simples, emular o estilo de Zack Snyder, com slow motion e momentos de combate coreografados. A rigor, Noam Murro conseguiu aplicar a estratégia, contudo, o filme fica órfão de um cunho de autor que neutralizasse a sensação de fotocópia.

Do ponto de vista técnico, 300: O Início de um Império é satisfatório. O original nunca perdeu de vista a banda-desenhada, e a sequela nunca perdeu de vista o filme original. Os efeitos visuais são interessantes, e elementos com realismo duvidoso ficam em segundo plano perante a acção frenética. Os momentos em câmera lenta são sempre excitantes e poderosos. A banda-sonora está bastante boa, colocando o espectador pronto para a batalha.

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É complicado gerir o sentimento de frustração. 300: O Início de Um Império poderia ter sido um “filmaço”, mas não é. Mesmo tendo em conta que se trata de um filme inspirado numa banda-desenhada, inspirada em factos reais, os motivos que desencadeiam as cenas de acção (o prato forte) poderiam partir de manobras políticas mais elaboradas (elementos que contribuem para a popularidade de Game of Thrones e Naruto).

Se em 2005, Zack Snyder refrescou o panorama dos filmes de acção com 300, em 2014 a lufada de ar fresco não se fez sentir com a mesma intensidade. As cenas de combate aquáticas, e algumas linhas de diálogo, não são suficientes para camuflar a ausência de tridimensionalidade nos personagens (a técnica do dilema nunca se aplica porque os personagens estão formatados para a guerra).

O expoente máximo do pecado é o clímax. (SPOILER) Se as manobras políticas estivessem dramaticamente consistentes, o fim teria sido satisfatório (Grécia unida).Tendo em conta que o filme privilegiou o efeito sobre o conteúdo, o espectador merecia a cabeça de Xerxes. Se o momento acontece fora de cena (talvez venha aí uma trilogia), é altamente frustrante.

 

Positivo

  • O duelo entre Artemisia e Themistokles
  • Cenas em câmera lenta
  • Backstory dos personagens
  • Caracterização

 

Negativo

  • Artemisia não é Xerxes nem Themistokles é Leonidas
  • Clímax
  • Exposição narrada
  • Flashbacks do próprio filme?
  • O filme deveria ter estreado no verão de 2013. O que andaram a fazer na sala de pós-produção durante 8 meses?

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tylarth

O primeiro filme dos 300, foi o primeiro filme que vi deste género/aspecto, não notei muito a ausência deste tipo de acção por causa da série spartacus; mas não tinha a noção que já tinha sido há 9 anos que o primeiro estreou.
Eu realmente não entendo o que vai na cabeça destes tipos, a acção bem pode ser um regalo para a vista, mas se como dizes existe uma fraca história por trás fica sempre a saber a pouco no fim.

Edgar Silvestre

há quem argumente que é complicado desenvolver personagens em hora e meia, eu não concordo. personagens mais complexas e uma história mais trabalhada e teria sido um optimo filme

tylarth

É bem mais complicado que numa série por exemplo, mas tendo em conta o que já foi feito em certos filmes.

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