A estranha ausência da sala de cinema

Vamos começar pelos factos, eu não sou pessoa que vá todas as semanas ao cinema, diria que em média, vou quando um filme me chama a atenção e é digno de investir tempo e dinheiro em especial para o ver no grande ecrã.

Desde que entrou em vigor a pandemia, tornou-se quer impossível, quer duvidoso ir ver um filme ao cinema, mesmo que as salas e os serviços estejam preparados para responder em segurança, existem sempre dois pontos a ter em conta, a incerteza e os filmes disponíveis.

Basta recuar dois anos e olhar para os lançamentos de cada mês para ver que existia quase sempre uma boa razão para ir ao cinema, fosse para ver um bom filme, ou algo mais patusco com os amigos apenas pela paródia ou pelo clássico, “porque sim”.

Apesar da pandemia ter alterado algumas mentalidades no que toca à presença no espaço físico, também as distribuidoras começaram a pensar em fazer as coisas de forma diferente. Como há que manter a máquina a produzir, serviços como o Disney+ e HBO Max estão a ser pensados como um substituto da sala de cinema.

No entanto e para alguém que viu praticamente todos os filmes da Marvel no cinema, assim como outros tantos de grandes dimensões, não me vejo entusiasmado por esperar por algo num serviço de Streaming como tinha para ir ao cinema com a malta para ver o Senhor dos Anéis ou o Matrix.

Ir ao cinema ver algo é uma espécie de ritual, seja por alocar o nosso tempo para aquele dia, àquela hora. Seja por estar com os amigos todos e comentar o filme a quente logo à saída ou até mesmo pelo ritual de levar um balde de pipocas e sumo para acompanhar (salgadas para mim claro). Esta espécie de rituais fazem parte da experiência e para muitos um must ao longo do ano.

Por outro lado temos a experiência aumentada em si. Temos um ecrã muito maior do que alguém consegue ter em casa, um sistema de som que faz estremecer a sala e a tentativa de fugir aos filmes que precisam de óculos 3D. Nada disto é possível ter em casa de 99% das pessoas, embora consigam sempre arranjar alguém que fale durante o filme ou o cromo que deixa sempre cair o balde das pipocas (doces que agarram mais ao chão).

Quero com isto tudo dizer, que a experiência de ir ao cinema, além de ser o tal ritual em si, tem o seu próprio “charme” que estar sentado em frente à TV não tem. Alguma vez o próximo Avengers se for apenas lançado no Disney+ terá o mesmo impacto visto pela primeira vez em casa do que no cinema? Ou os próximos Avatar? Ou os filmes do Nolan? E como vai ser se vier um novo filme da Alita?

Claro que em contexto de pandemia, é de esperar que os cinemas parem e acabem por sofrer com isso, mas não consigo pensar num mundo sem salas de cinema onde podemos ir com os amigos, onde podemos combinar um encontro romântico, onde podemos ir dar umas gargalhadas toscas com o centésimo filme de comédia do Adam Sandler.

É estranho pensar que há pouco menos de um ano atrás fui ao cinema ver o filme do Sonic quando tudo ainda estava “normal” e que isso poderá vir a mudar no futuro se tudo continuar assim. Talvez para uma nova geração possa vir a ser normal, para nós, será sempre estranha a ausência da sala de cinema.

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