2021 será dos anos mais importantes para os filmes de Ficção Científica

A última década que passou deixou uma forte pegada no que diz respeito ao género de Ficção Científica nas mais variadas produções cinematográficas, entre elas Interstellar (2014), Blade Runner 2049 (2017), Arrival (2016) ou até Mad Max: Fury Road (2015). Este legado que nos antecedeu foi bastante marcante, pois não apenas trouxe algumas das franquias mais populares do passado aos holofotes do presente, como Star Wars ou Tron, como conseguiu encontrar espaço para outras ideias e conceitos ímpares como Looper (2012) ou Ex Machina (2015).

Esta diversidade de conteúdos contribuiu em grande medida para redefinir o género, em especial em produções que envolvessem viagens no tempo e/ou exploração do espaço. Assim, a próxima década que nos encontramos terá um papel preponderante, de fazer jus aos seus antecessores, como terá de trazer algo de novo para a mesa, sem que se sinta a excessiva reciclagem de ideias que acontecem, maioritariamente, em por exemplo, filmes de Ação.

Assim indo ao encontro do tema, ao fazermos uma breve observação da galeria de filmes de Ficção Científica que 2021 tem para oferecer, vemos que este pode muito bem ser um enorme marco, que influenciará a restante indústria de cinema no decorrer da década. E embora filmes como a continuação de Avatar ou a última parte da trilogia de Jurassic World tenham sido adiadas para o ano seguinte, 2021 tem ainda espaço para o ressurgimento de outras franquias populares como o duelo titãs de Godzilla Vs. Kong ou a tão aguardada quarta parte da saga The Matrix.

[26 de Março] Começando então por Godzilla Vs. Kong, este será muito potencialmente aquele que prevejo, que atrairá o maior número de espectadores, não apenas nas salas de cinema em alguns países, mas sobretudo em subscrições da HBO Max. Pois tanto um como outro, tornaram-se figuras demasiado reconhecíveis na cultura pop da atualidade, o que se refletiu na especulação por parte de milhares de fãs (e não só) de qual será o desfecho deste confronto. Para quem não está familiarizado, estes dois titãs do cinema já se digladiaram no passado, mais especificamente em 1962, onde Kong ganhou, portanto só o tempo dirá se o mesmo repetirá a proeza ou perderá o título para Godzilla.

[5 de Março] No sentido oposto, Chaos Walking é uma das apostas inéditas do ano, pois além de ser baseado num conjunto de livros de Patrick Ness, será também a primeira vez que Tom Holland e Daisy Ridley, duas grandes estrelas em ascensão, contracenam juntos numa produção. A história é ambientada num futuro onde todas as mulheres desapareceram e onde os homens são atormentados por uma entidade apelidade de “The Noise” capaz de expôr todos os seus pensamentos.

[28 de Maio] Infinite é o filme que marca a estreia de Antoine Fuqua, autor de outros sucessos como The Equalizer, ao género de Ficção Científica, o que de acordo com algumas informações, esta poderá ser uma obra subsversiva do género. Contando com a presença de Mark Wahlberg, que interpretará uma personagem capaz de ter estranhas visões, mas que nada mais são do que memórias de vidas passadas. Tal como Chaos Walking, este filme pode ser também outro êxito do ano, que poderá passar despercebido.

[11 de Junho] Ghostbusters: Afterlife surge, para a surpresa de muitos fãs, depois do fracasso generalizado do reboot ou tentativa de remake do filme de 2016. Contudo, desta vez traz parte do elenco original, como três dos quatro caça-fantamas e ainda a atriz que interpreta o interesse amorosso da personagem de Bill Murray, a Sigourney Weaver. Ainda assim e como seria de esperar, o foco será em introduzir uma nova geração de caça-fantasmas, que eventualmente continuaram a franquia daí em diante com mais sequelas. O que não irá agradar certamente alguns fãs, esta decisão de passagem de testemunho em mais uma franquia popular.

[25 de Junho] Também o subgénero de super-heróis teria a sua dose de Ficção Científica representada, aqui pela sequela de Venom intitulada de Venom: Let There Be Carnage. Pessoalmente, como não fui grande fã do primeiro filme, tenho muitas dúvidas se será este filme que me irá fazer mudar de ideias acerca da forma como a Sony tem tratado esta personagem. Ainda assim a  presença de Carnage, significa que a mesma produtora está ciente do universo em que esta personagem está envolvida, o que é de alguma forma é um bom sinal.

[19 de Março] Embora o material original onde  Morbius foi baseado, favoreça a sua presença enquanto vilão numa história com Spider-Man enquanto principal, a Sony decidiu, por oposição, dar-lhe o total protagonismo. Digo desde já, e não querendo pôr em causa o mérito artístico de Jared Leto, que tenho muitas reservas de que Morbius seja uma boa história contada de forma cativante. A meu ver, parece-me que a Sony descobriu uma espécie de fórmula de sucesso nos seus filmes de origem de super-heróis, colocando um ator famoso no papel principal, e valorizando os efeitos e as cenas de ação, menosprezando a complexidade e criação narrativa, tal como foi no caso de Venom da mesma empresa.

[1 de Outubro] A versão adaptada de 1984 da saga Dune, pelas mãos de David Lynch, foi um fracasso estrondoso tanto em bilheteira como nas críticas tecidas ao mesmo. Após vários anos dados ao público para se esquecerem daquele desastre, chega a proposta de Denis Villeneuve, que já provou a sua mestria em produzir obras do mesmo género como foi o caso de Blade Runner 2049 que surpreendeu muitas pessoas. Outro factor a seu favor é sem sombra de dúvida, o elenco, pois além do ator em ascensão Timothee Chalamet, Dune traz consigo Oscar Isaac, Zendaya, Javier Bardem e até Jason Momoa. É dos filmes que mais promete este ano para os amantes de Ficção Científica e não só.

[22 de Dezembro] Por último e não menos importante, reservei dos filmes que aqui escolhi, o foco para The Matrix 4, ou The Matrix: Ressurections como aponta um leak recente. Desde que vi pela primeira vez esta trilogia de filmes que não me canso de os (re)assistir ao longo dos anos, dos quais o primeiro filme considero uma obra prima da sétima arte. Portanto quando soube que um quarto filme estava a ser produzido, fiquei obviamente contente, mas simultaneamente muito hesitante.

Não é fácil fazer jus à saga The Matrix e a sua influência no final dos ano 90 e restantes referências na cultura pop até aos dias de hoje. Por muito otimista que seja, há sempre muitos elementos que me deixam preocupados, pelo facto da Warner Bros trazer esta franquia de volta: Ora por ser um perigo enorme mexer com algo tão amado por tantas pessoas, correndo-se o risco de estragar ou adulterar o material original. Ora como uma red flag do desgaste criativo da indústria do entretenimento, desesperada por fazer mais alguns trocos com a nostalgia de uma legião de fãs.

A ausência de Laurence Fishburne enquanto Morpheus foi talvez a decisão, até agora, que mais me surpreendeu, e a internet não perdoou a Warner Bros. Mesmo assim, uma das diretoras da trilogia original está de volta, e tanto Keaun Reeves como Carrie-Anne Moss voltam a interpretar o seu papel enquanto Neo e Trinity, respectivamente. Os restantes detalhes acerca da história, elenco, visuais e até banda sonora, encontram-se a sete-chaves nos cofres dos grandes executivos da Warner Bros, o que pode ser um bom sinal, pois estão a guardar várias surpresas para a estreia do filme, ou outra red flag de como talvez não seja de todo o momento (ou se sequer alguma vez haverá tal momento) de mexer em The Matrix, só o tempo o dirá. Até lá, fiquem com uma das cenas mais marcantes do primeiro filme:

João Luzio
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