007 Artigo Especial 2 – Quais os melhores filmes de James Bond? (Com SpeeDManiac)

Introdução

Depois da primeira parte dedicada aos atores que viveram a personagem por quase 60 anos, chega a segunda parte, que incide nos filmes em si. Antes de irmos aos ditos melhores filmes de James Bond, ainda tenho de salientar duas coisas. Em primeiro, originalmente, este segmento iria ser adaptado, como o anterior, na rubrica Do Pior…para o Melhor! Mas levando em consideração de que se tratam de 24 filmes, muitos dos quais, resumiria a minha opinião, em uma frase ou duas ou quiçá ter algo de especial a dizer, preferi esta abordagem mais simples.

Segundo, e como podem ver pelo título, desta vez fiz-me acompanhar de outro fã de Bond, um que faz parte da comunidade e acompanha o projeto há bastante tempo, sendo mais conhecido pelo nickname de SpeeDManiac. Cada um de nós escolheu três filmes que mais nos marcaram. Começo por dizer as minhas escolhas:

 

(1) 007 From Russia With Love (1963)

Começo com o segundo filme de James Bond e de Sean Connery. Este é talvez aquele que mais crédito leva por ser, na sua essência, uma história genuína de espionagem, com uma premissa que certamente irá soar familiar para qualquer conhecedor de Metal Gear Solid. Aqui, Bond é enviado numa missão, com o intuito de ajudar na transição de uma desertora soviética, para o lado do ocidente. Mas o que Bond não sabia, é que se tratava na verdade, de uma armadilha, orquestrada pela SPECTRE, de forma a assassiná-lo como vingança pela morte de Dr. No no primeiro filme de 1962.

O protagonista é obrigado, pela força das circunstâncias, a usar o seu lado tático e furtivo, ao invés de força bruta. É dos filmes que mergulha mais a fundo, na temática central da Guerra Fria, onde vemos claramente as particularidades de ambos os lados, e onde o clima de tensão aumenta drasticamente. Pois além do vilão principal, personificado aqui pela agência SPECTRE, querer a obtenção de um equipamento valioso, usando-o como chantagem com a União Soviética, a morte de Bond é parte central deste plano.

Portanto há uma forte tensão em cima da mesa, onde James Bond em pleno território inimigo, pode facilmente ser eliminado. Por ser tão diferente ao nível da apresentação e ambientação, fazem-no ser dos meus favoritos. Não há outro igual na série, que foi capaz de replicar a temática de espionagem, nesta época histórica, de forma tão icónica e marcante.

 

(2) 007 GoldenEye (1995)

É sem qualquer dúvidas, o meu filme favorito de James Bond. O primeiro que me introduziu a este rico universo de espionagem, e também a estreia de Pierce Brosnan no papel principal. GoldenEye é além de um dos filmes, senão o filme, mais lembrado de Bond, como também um clássico do cinema dos anos 90. Consegue equilibrar um tom sério, juntamente com um tipo de humor e carisma, proveniente da convincente interpretação de Brosnan.

Sem contar que contém, a meu ver, das melhores cenas de abertura, o melhor vilão e a famosa cena do tanque. Já que falei no antagonista, este é interpretado por ninguém menos do que Sean Bean, o eterno Boromir. Há diferença de outros vilões, a sua personagem é construída com base numa forte ligação com 007, também ele agente ao lado de Bond, com o número de 006.  Daí que a sua aparente morte no início do filme, e posterior revelação como mau da fita, seja dos momentos mais impactantes da franquia.

Por outro lado, tem possivelmente das Bond girls mais desinteressantes, ficando Xenia Onatopp, interpretada por Famke Janssen, muito aquém daquilo que era esperado, embora muitos fãs tenham uma opinião contrária à minha. Ainda assim consegue ser um filme consistentemente bom, sempre com um truque debaixo da manga, capaz de tornar a experiência rica em cenas e, acima de tudo, bastante cativante até aos dias de hoje.

 

(3) 007 Skyfall (2012)

Depois do desastre que foi Quantum Of Solace, teria de surgir um filme que iguala-se ou supera-se Casino Royale, e com grande certeza digo, que foi precisamente o que aconteceu. Esta longa metragem toma contornos pouco usuais. É dos filmes mais “pessoais” de James Bond, que o envolve diretamente a si e aos seus aliados, como M. Neste último ponto, Judie Dench entrega a melhor performance que alguma vez foi dada à personagem, construindo uma relação quase materna com 007. Que posteriormente, no filme, contribui para um dos momentos mais agridoces da série.

Skyfall tenta também incorporar alguma espionagem pura à mistura, algo que tinha sido deixado um pouco de lado, desde que Daniel Craig assumiu o manto. Foi este o filme que me convenceu realmente que Craig estava à altura para interpretar Bond e se tornaria um dos mais marcantes para mim. As cenas de ação nunca estiveram numa posição tão elevada na fasquia da série, houve um esforço visível para aumentar o escopo e cinematografia neste requisito. Tendo ainda das melhores músicas temas de 007, através da voz de Adele.

E ainda nem sequer abordei o vilão, pois assim que tomei conhecimento que tinha sido dado cast a Javier Bardem, sabia que algo de bom iria sair dali. Superou as minhas expectativas, ao ponto de considerá-lo, de longe, um dos melhores da franquia inteira. Como não podia descrever de outra forma, cito as palavras do próprio Roger Ebert na sua análise ao filme em 2012 – ‘Tal como Christopher Nolan reviveu os filmes de Batman com “The Dark Knight”, aqui é James Bond que é erguido e preparado para outros 50 anos’.

 

Passo agora a palavra ao SpeeDManiac para dizer as suas escolhas:

 

(1) 007 Dr. No (1962)

Apesar das limitações, tanto no orçamento como no panorama geral do cinema, Dr. No conseguiu muito. Não só foi um dos primeiros filmes a mostrar o que era ser um agente secreto, como nos deu a ideia geral do que é um James Bond. A icónica música, o genérico inicial, enfim, tudo nasceu aqui. O Sir Sean Connery desempenha um papel duma vida, que lhe deixou a reputação imperpétua.

A somar ao trabalho dos restantes atores, temos também as temáticas da rebeldia, do jogo de casino, da traição das Bond girls, das reviravoltas de acontecimentos, da demonstração da radioatividade, dos planos de dominar o mundo, tudo conceitos e ideias comuns atualmente, mas que em 1962 vieram impressionar e enraizar-se no globo.

Como muitos filmes antes do seu tempo, teve uma crítica negativa, devido a todas as nuances modernas e arrojadas. Mesmo assim, não impediu que muitas obras viessem parodiar e homenagear esta saga. A famosa cena do cigarro de cianeto, da entrega da nova walther ppk, da aranha e várias outras, são exemplos de que a mistura de conceitos simples, na ordem e medida certa, podem destacar-se e elevar um filme de ação de relativo baixo orçamento até ao posto de obra-prima influente.

 

(2) 007 Thunderball (1965)

Ficar fascinado a ver um filme da saga de James Bond não é uma tarefa propriamente difícil. Todos oferecem algo, por pouco que seja. E apesar de ter crescido a ver os filmes da era do Pierce Brosnan, é-me mais fácil identificar com os clássicos. No caso deste filme, destaco os gadgets, as cenas de automóveis, o formato variado de cenas aquáticas, a postura das Bond girls, todos os efeitos visuais, as cenas da SPECTRE e a cena indicadora do potencial do MI6, com os 9 agentes 00.

Esta última ideia, nunca chegou a ser explorada em pleno, apesar de várias aparências e referências ao longo da saga. Um grupo de espiões a funcionar em conjunto seria uma possível opção. A nível do guião e da narrativa, é um filme que gerou controvérsia no que toca aos seus criadores, mas polémicas aparte, é um filme brando com alguma complexidade. Vemos o típico de um filme de James Bond na medida certa, sem extremos.

Talvez uma edição melhor das cenas aquáticas, teria reduzido o tempo do filme sem estragar o ritmo, mas pessoalmente acho que encaixa bem no estilo da era. No geral, é um filme sólido que representa bem a franquia.  No que toca a automóveis, este filme apresenta-nos vários modelos que ainda hoje são carismáticos. Não só o famoso Aston Martin DB5 aparece, mas também modelos da Ford como o Mustang, Thunderbird e Fairlane. E não esquecendo todos os outros veículos aquáticos, que sempre foram presença na saga.

 

(3) 007 Casino Royale (2006)

Numa saga tão vasta como a do 007, é complicado escolher um filme como aquele que mais gostamos, porque todos têm várias nuances. Mas Casino Royale destaca-se. Foi o reboot da saga no que toca a adaptar melhor os livros, assim como trazer um sentimento moderno à mistura. E dentro do possível, veio introduzir um aspeto mais realista e verosímil aos olhos do público.

O Daniel Craig fez um excelente trabalho, contrariando as expectativas de muitos. Não só criou um Bond brutal e impiedoso, como também o mostrou humano e delicado. Vemos a génese da personagem, tal como na obra original. De um Bond apaixonado, passamos a um destroçado. Mudança assente neste filme e nos seguintes, onde o vemos ainda mais mortífero.

A narrativa da Vesper Lynd é o mote da mudança, que cria o James Bond que a maioria da saga nos deu a conhecer. Não só este filme é uma história de origem, como nos mostra o potencial completo da personagem. E só os primeiros vinte minutos do filme são um caso de estudo no que toca a cenas de ação.

 

Podem ver a primeira parte clicando aqui. Quanto à terceira  e última parte, esta sairá algures na próxima semana.

João Luzio
Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram