Análise – The Witness

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Sou testemunha do quê? – Esta foi a pergunta que fiz ainda antes de começar a jogar e muito sinceramente agora tenho uma pequena ideia do “quê”, mas não é algo que seja dito pelo jogo, é algo que retirei da minha experiência ao jogar The Witness.

A primeira coisa que vemos é uma porta ao fim de um túnel, não sabemos como fomos ali parar, porque é que ali estamos ou sequer quando. O mundo de The Witness começa com a sua própria versão de um tutorial, uma área fechada com fios pretos que ligam um portão a monitores. Logicamente seguimos os cabos até aos monitores e através de tentativa e erro, começamos a perceber o que é necessário fazer em cada puzzle.

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Começamos com algo bastante simples e um objectivo concreto, abrir a porta. Logo de seguida fica a questão, então e agora? A ilha em que estamos é vasta, colorida e um autêntico regalo para a vista. Por entre tantas cores garridas o mundo chama-nos a todos os locais sem medos. Nós movemo-nos apenas com o analógico, não sendo possível sequer saltar, podemos no entanto correr com o premir de um botão.

Com um mundo que se abre rapidamente, repleto de liberdade, cabe-nos apenas escolher o local onde queremos ir. Como desde logo reparei que era impossível ver o que já tínhamos feito ou não, optei por completar uma área na sua totalidade antes de avançar. Acabei por ir para uma área que baseia todos os seus puzzles no tema “Reflexos/Simetria”.

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Mais uma vez foi uma questão de seguir cabos e completar puzzles, alguns são imediatos, outros requerem que pensemos um pouco e outros parecem completamente impossíveis. Isto é, até percebermos como os solucionar, pode ser algo directo no ecrã, uma regra a cumprir durante o puzzle ou até algo que vimos no cenário.

Quando completei esta área na sua totalidade apareceu um laser no céu que aponta para um local no mapa e somos então levados a pensar que em cada área existirá um destes laser e que o objectivo será completar todos. Se assim o é ou não, deixarei ao vosso critério.

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Tudo o que descrevi até agora foi puramente o que testemunhei e entendi, é então que me deparo com um tipo de coleccionável em forma de cassete. Ao ouvir a mensagem, começamos a perceber um pouco o tema do jogo e do que se estava realmente a passar, ou pelo menos gosto de pensar que sim. Sem me alongar muito quanto às poucas parcelas de história que terão que ter atenção aos detalhes para terem acesso a esta, aqui nada é dado gratuitamente. Bem ao estilo de Professor Layton o custo a pagar é a solução dos puzzle.

Ainda assim nem tudo é um mar de rosas, quando referi a inexistência de uma forma de ver o que completámos ou não, não foi por acaso. A ilha ainda é grande e The Witness vai-se tornando cada vez mais complexo conforme avancem pelos puzzles. Podem dar de caras com um puzzle que irá parecer impossível e o “tutorial” para esse puzzle estar num outro qualquer local da ilha. Às vezes a tentativa e erro é um método possível outras vezes a sorte, mas na sua maioria existe uma regra que não é bem perceptível a início. Isto implica que saiam da área e caminhem até encontrar uma espécie de tutorial.

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Agora devem estar a pensar: Então e porque não usas os lasers para saberes o que já completaste? E eu respondo: É uma ideia interessante, então e se a área não tiver um laser, ou existirem puzzles secundários que não são necessários para activar o dito laser?

Ainda assim The Witness tem duas formas de ser completado, uma requer que façam parte dos puzzles o que vos irá levar a um dado local, mas podem sempre optar por concluir todos os puzzles. De qualquer forma, preparem-se para dar cabeçadas na parede enquanto dão voltas e voltas a tudo o que mexe sem fazer qualquer progresso. Até que apareça aquele momento satisfatório em que conseguimos a solução, ou a uma dada altura o alívio de ver um dado puzzle pelas costas.

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O mundo de The Witness é vasto o suficiente para nos perdermos e constrito na medida certa para que não nos afastemos do objectivo ou pelo menos é essa a ilusão que dá. Em The Witness até o sistema de Fast Travel pode ser um puzzle se olharem para ele da forma correcta. A falta de música assim como de vida selvagem entrega-nos uma experiência solitária mas satisfatória com cada puzzle conquistado.

The Witness não é um jogo para todos, têm que obrigatoriamente gostar de quebra-cabeças e estar preparados para perder bastantes horas em busca das soluções. Para um jogo com uma apresentação tão simples e acolhedora, The Witness consegue ser uma câmara de tortura e um SPA em simultâneo.

 

Opinião extra por: Sérgio Batista

Perto da altura em que Braid foi lançado em 2009, eu sabia que Jonathan Blow estava a prepara um jogo chamado The Witness mas nunca prestei muita atenção sobre do que se tratava. Sabia que decorria numa ilha e resolvíamos puzzles em painéis, pouco mais. Mais de 5 anos depois, The Witness trata-se disso mesmo: resolver puzzles espalhados numa ilha.

De forma muito simplista, todos os puzzles têm a mesma solução: traçar uma linha de um ponto circular até uma extremidade. À primeira vista pode parecer algo repetitivo, mas o jogo introduz várias regras e lógicas novas que tornam os puzzles sempre refrescantes, o que é impressionante tendo em conta que a maioria dos puzzles consistem em traçar linhas num painel.

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Alguns puzzles envolvem sombras, outros luz e uns podem até trazer um pouco de frustração. Mas assim que decorre o momento “Eureka!” é uma sensação muito satisfatória e torna-se quase viciante quando o cérebro começa a funcionar e conseguimos resolver vários puzzles de seguida. Isto é, até depararmos com outro puzzle complicado. Quando isso acontece, estamos livres de explorar outra área da ilha e voltar mais tarde.

Mesmo que não haja muita interação com o meio à nossa volta para além de puzzles, a ilha é um local verdadeiramente deslumbrante. Existe uma grande variedade visual e tudo foi pensado ao pormenor, dando a sensação que cada detalhe existe para um propósito ao ponto de deixar-me paranóico. De momento tenho 7 horas no jogo, já completei perto de 150 puzzles e ainda nem explorei metade da ilha. E estou a adorar cada momento.

 

Positivo

  • Mundo colorido e atractivopn-recomendado-ana
  • Simples de começar e complicado de acabar
  • Desafiante
  • Demora largas horas para completar e serão sempre horas desafiantes
  • Qualquer coisa pode ser um Puzzle

Negativo

  • Inexistência de um sistema para ver o que já foi feito

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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