Análise – Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter

Quando Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter me apareceu à frente fui desenterrar uma memória bastante má, trata-se da memória de alguém que desistiu de um jogo da série passado pouco mais de uma hora e foi com esse terror que comecei uma das melhores aventuras que tive nos últimos tempos.

Apesar de gostar das obras de Sir Arthur Ignatius Conan Doyle confesso que Sherlock Holmes nunca caiu nas minhas boas graças muito por culpa de ser um produto do seu tempo, hoje em dia o que se pede de um protagonista é um pouco mais arrojado e a minha encarnação favorita de Sherlock Holmes é a realizada por Robert Downey Jr.. Não é que não goste da original, apenas prefiro esta reencarnação mais modernista e é isso que este Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter entrega.

Algo que irão reparar é que este jogo foge a imensos clichés e ainda goza com isso, é um jogo que entrega algum divertimento extra a quem conhece este universo e é bastante apelativo para quem não conhece, aliás este será um bom ponto de entrada se tiverem interesse em conhecer 221B Baker Street.

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Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter é composto por alguns casos soltos mas com uma narrativa contínua que culmina no último caso de uma forma épica. Ainda assim cada um destes casos soltos é único, não só cada um destes casos tem as suas personagens e locais como nos desafia de formas diferentes. O jogo começa sempre por nos entregar uma personagem para analisarmos juntamente com um problema, este acaba por ir evoluindo e vão conhecendo mais suspeitos e alargando a vossa busca a novos locais. Cada um destes casos deverá demorar cerca de 2 a 3 horas a ser resolvido e em cada um deles senti-me como se estivesse a ver um filme. Todos estes casos estão muito bem trabalhados e todas as personagens de interesse conseguem entregar personalidades únicas e cabe-nos a nós desvendar os interesses destas para levar a investigação a bom porto.

A análise às personagens é feita através do que observam nas personagens assim como perguntas bem colocadas, algo que só conseguirão analisando pistas e fazendo apreciações correctas do estado e aspecto das personagens. Por exemplo uma das personagens do segundo caso tinha tudo para ser culpada, mas um pequeno detalhe em que reparei mudou completamente a minha opinião e não coube ao jogo dizer-mo, fui eu que tive de pensar por mim mesmo no que fazia sentido tendo em conta o que me foi mostrado. Isto é uma grande parte de Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter, o jogo quer que puxemos pela mioleira e é algo que em nada o penaliza, pois tudo o que vemos tem uma razão.

A forma para encontrar o suspeito do crime no entanto é feita através de um ecrã de deduções. Através das pistas que vamos encontrando vamos juntando uma com outra e vamos criando cenários, e conforme escolhemos o que nos parece correcto vamos ligando os pontos até chegar ao culpado. Mas aqui entra algo ainda mais espectacular, nós podemos acusar a pessoa errada e a história continua. Esta pressão de muitas vezes não saber se estamos correctos e mesmo assim sermos donos e senhores do destino de outros faz com que nos sintamos responsáveis pela busca da verdade. Algumas vezes consegui reunir provas contra uma personagem, mas faltava-me ainda ver que outras personagens poderiam estar envolvidas e senti-me na obrigação de investigar.

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Tal como já devem ter deduzido, o quadro de deduções contempla apenas as provas encontradas e algumas vezes terão que usar a vossa percepção pessoal do caso para encontrar o que faz mais sentido. Pois se acharem que a personagem X estava a beber chá ás 4 em vez de estar às 5, significa que o culpado pode ser outro e essa parte cabe-nos a nós decidir. No fim de cada caso existe uma conversa entre vocês e a pessoa que acusam, se acertaram essa pessoa pode vangloriar-se do acto ou mesmo assim negar, tal como uma personagem que é inocente dirá que é inocente, o jogo perguntar-vos-á, mais uma vez, se querem confirmar a vossa decisão ou voltar atrás no tempo e fazer uma acusação diferente. Pessoalmente não gostei muito desta hipótese uma vez que nos deixa ter acesso a informação extra que não deveria estar ao nosso alcance e ao voltar atrás no tempo já eliminamos um suspeito. No entanto lembrem-se que o suspeito pode estar a mentir.

Se pensam que o jogo se baseia apenas em procurar pistas e analisar suspeitos desenganem-se, o jogo está repleto de puzzles variadíssimos e situações únicas que fazem desta uma aventura a não perder. Não vos quero contar nenhuma delas porque as acho absolutamente geniais e não quero estragar a surpresa. Fiquem apenas com a ideia que vão encontrar situações cómicas, situações de grande tensão, situações quase irreais mas sobretudo vão ver uma grande aventura cheia de momentos fantásticos. No entanto algumas destas situações baseiam-se num elemento de jogabilidade inédito que nunca voltamos a ver o que normalmente se traduz em pouco polimento e existem momentos que se tornam estranhos devido a isso. Já no que toca a puzzles, estes vão de fáceis a “eu quero ver o mundo a arder”. Existem puzzles realmente complicados mas todos eles têm uma solução relativamente óbvia se souberem o que procurar. Mas caso o desafio seja demasiado para vós existe um botão para solucionar automaticamente estes puzzles. Pessoalmente não o utilizei mas tive momentos de frustração em que a tentação de carregar no botão foi imensa pelo que percebo e aplaudo a decisão de o colocar lá para quem o quiser utilizar.

Enquanto investigam o cenário podem dar de caras com um destes puzzles ou vestígios do que procuram, para os ver têm que utilizar o poder de percepção de Sherlock e outras vezes enquanto tentam pensar em como algo aconteceu utilizam uma outra artimanha de Sherlock, a imaginação. Estas duas habilidades são bastante importantes para solucionar os casos e na sua maioria torna-se evidente quando as utilizar, ainda assim existem alguns locais em que será preciso estarem posicionados de certa forma para que estas surtam efeito.

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Em cada caso irão conhecer novas personagens assim como aprofundar a vossa relação com algumas personagens que vos acompanham durante toda a aventura de Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter. Neste jogo irão também jogar em algumas ocasiões com outras personagens como o Dr. Wattson, estas personagens têm as suas próprias características que são diferentes das de Sherlock. Existem ainda personagens que nos acompanham durante a narrativa principal e apesar de estranhar as personagens estas acabam por fazer parte uma história excelente.

No que toca a apresentação, existe uma cidade de Londres com bom aspecto mas também existem algumas localizações fora da cidade que deixam algo a desejar, no fundo este jogo faz lembrar as conversões HD dos últimos tempos, uma apresentação limpa mas relativamente simples tendo em conta o que se faz hoje em dia. Em termos de animações também vemos algumas que não parecem naturais mas que acabam por não estragar o ambiente, o que por outro lado não será verdade no que diz respeito à voz de uma ou outra personagem que está deslocada da sua representação corpórea. Por exemplo a voz de Kate, que é irritante, apesar de melhorar com o tempo não ajuda em nada algumas cinemáticas. No que diz respeito a Loadings a Frogware encontrou uma solução interessante para Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter. Podem optar por utilziar uma viagem de carroça como ecrã de loading e durante esta viagem que pode demorar 1 minuto são livres de explorar o menu, rever pistas, actualizar as vossas deduções etc. É uma forma útil de aproveitar um ecrã obrigatório.

Para mim Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter foi uma surpresa, não estava à espera de gostar tanto desta aventura, desde que comecei até que a terminei, não descansei. Foi uma experiência que me surpreendeu em cada novo caso e eu só queria que houvesse mais casos para resolver, fiquei completamente agarrado a este jogo e a chorar por mais. É uma experiência que agradará aos fãs do género e que também é um ponto de partida para os interessados. Resta-me esperar por uma sequela que seja, pelo menos, tão boa como esta.

Positivo

  • Personagenspn-recomendado-2016
  • Momentos inesperados
  • Narrativa
  • Todos os casos são diferentes e interessantes
  • Imensos Puzzles diversificados
  • Liberdade total de raciocínio

Negativo

  • Visual um pouco datado em algumas áreas
  • Alguns segmentos do jogo utilizam mecânicas pouco polidas e causam situações estranhas
  • Voz de Kate

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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