Análise – Final Fantasy XV

 

Final Fantasy XV é um dos jogos mais esperados da última década pela grande maioria dos jogadores e no meu caso não me aquecia nem arrefecia cada vez que diziam que este seria adiado, no entanto no dia de lançamento já o estava a jogar e tenho a dizer que esta é uma das melhores aventuras deste ano. Isto vindo de quem não prestou atenção nenhuma à campanha de marketing gigantesca elaborada pela Square Enix que até teve direito a noodles, penso que seja um presságio de que este é mesmo um jogo a ter debaixo de olho, mas leiam a análise para descobrir, ou vejam as lives feitas no nosso canal de Youtube.

As aventuras de Noctis, Gladiolus, Prompto e Ignis têm um início atribulado com Regalia (o carro comprado com os impostos da população de Insomnia), a ficar no meio da estrada e a ser empurrado pelo grupo de 4 homens pelo deserto. O que se passa nesta história? Passa-se que esta é a história de um casamento atribulado uma vez que Noctis tem casório marcado e está a ir ao encontro da noiva quando se desenrolam os eventos que proporcionam a desgraça e urgência típica de Final Fantasy. Durante a história vemos as 4 personagens principais a sofrerem uma evolução gradual e a demonstrarem que são amigos de longa data, desde momentos de pura parvoíce a momentos críticos a história do jogo vai transmitido muito bem o que cada uma destas personagens significa para as outras e esse é um dos pontos cruciais para que o enredo não seja apenas uma desculpa.

No entanto, e tal como já dei a entender, não consigo elogiar o fio narrativo da mesma forma. Este está directamente ligado à forma como o jogo está construído e numa primeira parte têm um mundo vasto para explorar, Lucis e subsequentemente o jogo vai afunilando tanto em termos de história como em áreas para explorar é como se nos enfiassem num comboio sem travões onde o destino é o fim do jogo. Lucis é um continente bastante vasto e apresenta localizações geográficas bastante variadas desde vulcões a esgotos, tudo está interligado por estradas que serão percorridas por nós de lés a lés e é totalmente aberto à exploração quando queremos. A primeira parte desenrola-se aqui e tudo parece fazer sentido, existe tempo para tudo e a história arranca bastante bem, ainda que tenha sentido a falta de personagens importantes em grande número. Mas personagens para nos darem missões ou andarem a fazer cosplay não faltam assim como bandas sonoras de toda a série Final Fantasy para ouvir nas viagens de carro patrocinadas por encher o depósito de combustível por 10 Gil. Eos até pode estar repleta de daemons mas com este preço no combustível parece-me um local paradisíaco.

A partir de um certo ponto a história deixa de decorrer neste mapa e adopta um estilo mais clássico onde somos obrigados a seguir os eventos da história sem que possamos explorar os ambientes como queremos, no entanto em certos locais permitem-nos voltar às secções open world. Esta segunda parte da história parece bastante apressada e ao contrário de por exemplo Final Fantasy X onde seguíamos um certo caminho mas sempre ao nosso ritmo e mais importante, com bastante para explorar em todos os momentos, aqui parece que estamos a ser empurrados. Como um todo a história é “bonita” mas não satisfaz a minha fome por uma história épica, é bastante simplista e apesar de não ser totalmente óbvia não faz muito para surpreender pela positiva, aliás eu até fiquei bastante surpreendido pela insipidez da sua conclusão. Resumindo a primeira parte é bastante boa a segunda parte e a conclusão deixam imenso a desejar, diria que a história é mesmo o ponto mais fraco de Final Fantasy XV, é demasiado generalista para uma série com o peso de Final Fantasy.

Um outro aspecto que quase me fez arrancar cabelos é a câmara, vivi momentos de agonia com certos ângulos durante o combate, afinal de contas adorei contar as folhas de um arbusto enquanto era espezinhado e esquartejado, felizmente não foram momentos constantes e não morri por isso mas certamente que atrapalhou. O combate desenrola-se bastante bem e de forma fluída e rápida mas a câmara tende a atrapalhar de vez em quando. Falando então do sistema de combate este pode ser descrito como ataques a curta distância, ataques a longa distância com armas de fogo ou teleporte das mesmas e defender ou desviarmos-nos de ataques; tudo isto com 3 botões. É um sistema de combate que nos envolve muito mais nas batalhas e que troca a estratégia calculada por improvisação ou pelo aprender dos padrões de ataque dos inimigos.

As lutas começam quando encontramos inimigos a vaguear pelo mapa ou quando estes nos encontram a nós. Assim que a luta tem início a música de batalha também começa e alguns temas fazem mesmo lembrar Kingdom Hearts, devo dizer que Kingdom Hearts me veio imensas vezes à cabeça quer pelas parecenças no sistema de combate assim como pela composição musical. Se por acaso gostarem de sair à noite, tenham cuidado pois a início existem inimigos muito fortes a vaguearem pelo mapa, alguns obrigaram-me mesmo a voltar ao campo. Durante o combate vão também ter oportunidade de testemunhar a inteligência artificial quer dos inimigos quer dos vossos companheiros de equipa e apesar de termos total controlo sobre quando utilizamos items os nossos companheiros de equipa não são muito inteligentes passando a maior parte do tempo a queixarem-se com falta de hp, a mandarem piadolas em pleno combate ou simplesmente a grunhir enquanto massacram inimigos. Também importante de referir no que toca ao combate é o que diz respeito aos summon, estes momentos cinematográficos que enaltecem a pequenês e fragilidade do mundo perante estes “deuses” é sem dúvida algo a apreciar, o que poderá não ser propriamente do nosso gosto é o facto de não termos controlo sobre quando os podemos invocar. Isto cria aqui uma dualidade de necessidade e de ausência do controlo como quem diz que os “deuses” só nos ajudam quando querem, o que muitas vezes até se junta à necessidade.

Visualmente Final Fantasy XV é bastante apelativo, quer durante batalhas ou mesmo a apreciar a paisagem, algo que acontece com alguma regularidade quando a bordo do Regalia, tendo em conta que é um jogo open world o visual do mesmo consegue o seu auge em 3 momentos: quando numa área repleta de vegetação, quando em Altissia e sempre que existe um summon. Tudo parece bastante fluído e natural sendo um mundo bem construído e com bastante variedade na região open world do jogo, e sim, é lá que passarão a maior parte do tempo.

Final Fantasy XV tem também imenso para fazer e sobretudo evoluir, desde o sistema de evolução do nosso grupo que está interligado entre as personagens até às aptidões de cada membro. Prompto acha que é um excelente fotógrafo e eu discordo, Ignis acha que é um grande cozinheiro e eu não discordo, Gladiolus é um expert em sobrevivência e até encontra uns items catitas e Noctis gosta de pescar, algo que me consumiu mais tempo do que aquilo que quero admitir. Estas capacidades vão evoluindo com o uso e apesar de não serem essênciais todas elas têm a sua utilidade ou mais-valia, quanto mais não seja pescar entretém.

O sistema de evolução é feito através de experiência que é atríbuida após a conclusão de uma missão ou um encontro mas só é aplicada quando descansam. O AP são pontos atribuídos não só por evoluir mas também por fazer certas acções e são estes os pontos utilizados para ganhar novas habilidades. Para fortalecer as nossas personagens podemos adequar as suas idumentárias que têm os seus próprios stats, equipar certos items e claro, equipar armas. Noctis pode utilizar o que bem lhe apetecer enquanto que as outras 3 personagens têm bloqueios a certos tipos de armas, uma espécie de classes invisíveis.

Como um todo é uma aventura onde os pontos positivos ultrapassam largamente os pontos negativos que são na sua maioria pontos que poderiam estar melhores. Desde as personagens principais bem construídas, aos comentários entre as mesmas e até aos chocobos o espirito de Final Fantasy está cá. Assim sendo resta-me dizer que este é um jogo que facilmente recomendo a qualquer um que goste de RPG’s e aventuras, pois este é um jogo muito bem disposto e capaz de surpreender.

PS: Para tirarem o maior partido de Final Fantasy XV devem ver todos os conteúdos extra ou seja o filme Kingsglaive FFXV e o anime Brotherhood. Da abordagem de quem concluiu o jogo antes de ver estes conteúdos senti-me satisfeito mas ao mesmo tempo confesso que existem algumas coisas que fazem muito mais sentido depois de ver estes conteúdos.

 

Opinião extra por: Mathias Marques

Já falei várias vezes do jogo, abordando diferentes temas de cada vez, que nem sei por onde começar e o que dizer aqui na análise. Mas antes de tudo, ao contrário do Alexandre “tylarth” Barbosa, eu estava interessado em Final Fantasy XV desde a altura em que o mesmo era conhecido como Final Fantasy Versus XIII e com lançamento previsto para a PlayStation 3. Dez anos mais tarde o jogo finalmente é lançado, e eu estou mais que pronto para meter as minhas mão no mesmo. Será Final Fantasy XV a promessa que Final Fantasy Versus XIII fez há tantos anos atrás? Não. Mas é a promessa que fez quando foi re-anunciado como Final Fantasy XV.

Mais uma vez, ao contrário do Alexandre eu estive a par de tudo o que o estava relacionado com o jogo. Assisti aos Active Time Reports, acompanhei o anime e vi o filme, e tudo o que tenho a dizer é que o jogo nunca chegou a largar a história inicial de Final Fantasy Versus XIII, mas que a adaptou ao novo olhar que Final Fantasy XV tinha, o mundo aberto e centrado na amizade dos quatro protagonistas deste jogo. A fase inicial claramente está a gritar de exploração e oferece de tudo para agradar aos fãs de longa data, bem como atrair novos jogadores para esta franchise que vai fazer 30 anos.

No entanto, discordando com o Alexandre uma terceira vez, tenho a dizer que a história na parte inicial não é a melhor parte. As missões principais passam de rajada, e por vezes são um pouco soltas umas das outras, com o forte dos primeiros capítulos focado na exploração do mundo e nas actividades que fazem com o quarteto. Quer seja estar a ouvi-los a falar uns com os outros, acampar, sendo que certos locais apresentam eventos especiais entre um dos membros e Noctis, descobrir novas receitas, pescar, andar de carro/chocobo/pé, ou até as fotos do Prompto (que em defesa dele, na minha playthrough ele tirou bastante fotos boas, mas existe todo um sistema por detrás deste AI que não vamos estar a discutir). Já a segunda parte lembra-se que tem uma história para contar, e vais buscar as ideias originais de Versus XIII, mas como isso aparece do nada e o jogador está rapidamente a aproximar-se ao climax, não fica bem explicado e existe vária informação que nunca chega a ser introduzida, o que é pena tendo em conta que é possível ver o trabalho original de Nomura nas sobras do que Final Fantasy XV é apôs Tabata ter tomado a liderança do jogo.

A visão final de Tabata acabou por ser uma história focada nos quatro amigos em vez de uma apenas sobre Noctis, e tenho a dizer que este é provavelmente o melhor jogo dos últimos tempos no que toca a fazer com que nos ligamos às personagens e para que as mesmas sejam importantes para nós. O que é um objectivo difícil tendo em conta que bastava apenas um miligrama de condimento para uma das personagens ser totalmente insuportável e estragar a dinâmica do grupo, mas a coisa acabou por correr bem e as quatro personagens são bastante carismáticas, incluindo o Noctis que acabou por ser a maior surpresa de todas.

Ainda assim, tenho a dizer que a necessidade de saber qual era a visão que Nomura tinha é forte, e já que a Square-Enix tem estado a fazer actualizações, com próximas prometidas para o futuro de forma a corrigir o descontentamento dos fãs, não me importaria que a mesma adicionasse cutscenes de 20 minutos para desenvolver mais as personagens e a situação presente. Sim é fácil de pegar no conceito básico, e com a complementação do filme e anime ainda mais, mas continua a faltar algo que não estou a ver como poderá ser explicado se não em cutscenes longas. Em especial a ligação entre Noctis e o seu pai, que a meu ver teve mais foco no anime e no trailer de 5 minutos onde o Rei Regis estava a abraçar um pequeno Noct na chuva (e já agora essa cena não está no jogo)…

Deixando finalmente a história de lado, acho que a minha opinião sobre a exploração e o que é possível fazer no jogo já está exposta. É algo que a início poderá parecer chato, tendo em conta as longas viagens de carro e etc, mas rapidamente nos habituamos a isso, principalmente quando aceitamos várias missões de uma vez só e fazemos uso do sistema de quick travel. Eu por outro lado gostei das viagens de carro, já que me ofereciam um descanso entre hunt missions e side quests. Em termos de combate não tenho nada a acrescentar ao que o Alexandre já disse, sendo os problemas iniciais a câmara e os summons. Já o sistema de experiência a início deu-me problemas devido a ser preciso descansar para evoluir de nível, mas tendo em conta que dormia muito frequentemente, não encontrei problemas a não ser estar overleveled. Quanto ao sistema Ascension, que é parecido à Sphere Grid de Final Fantasy X, acaba por ser uma segunda mecânica de evolução, oferecendo várias secções como ataque, técnicas e etc, cabendo ao jogador escolher o que acha melhor para as aproximações que vai tomar.

Basicamente, Final Fantasy XV está longe do que Final fantasy Versus XIII prometia ser, mas não é por isso que não deixa de ser uma experiência gratificante. Ainda para mais quando a Square-Enix está ocupada a resolver problemas apontados por fãs, bem como os DLCs especiais (incluíndo um com multiplayer) apenas demonstra que até a produtora está a fazer o possível para agradar aos fãs apôs nos ter feito esperar. É mais que certo que o objectivo do jogo passou a ser o grupo de quatro homens com personalidades diferentes, e eu recomendo o jogo devido a isso mesmo. Na minha opinião a melhor maneira de aproveitar Final Fantasy XV é de avançar com calma, com o jogador a focar-se no mundo e personagens em vez de se embrenharem na história que até acaba por ser o ponto mais fraco do jogo. Não tenham medo se este é o vosso primeiro Final Fantasy, ou nem tenham receio de todas as mudanças feitas caso este não seja o vosso primeiro jogo da franchise, Final Fantasy XV é verdadeiramente um jogo feito para fãs e iniciantes, contendo uma aventura interessante, combate polido e uma amizade carismática entre as personagens.

 

Positivo:

  • Os 4 bros
  • Combate simples e eficiente
  • Banda sonora
  • Exploração de um vasto mundo com uma boa diversidade
  • Preço do combustível

Negativo:

  • História podia estar bem melhor
  • Alguns problemas com a câmara durante os combates
  • Falta de presença de personagens secundárias
  • Necessidade de recorrer a material adicional para entender melhor o mundo do jogo

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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