Análise – Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King (3DS)

E eis que o círculo de novos lançamentos para a parte mais clássica de Dragon Quest ficou completo. Apesar de todos os jogos clássicos – do primeiro ao oitavo – já terem tido um novo lançamento para dispositivos móveis, ainda faltava um jogo chegar à Nintendo 3DS, Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King.

Somos então apresentados a um novo jogo da série Dragon Quest que nos coloca na pele de um soldado do qual pouco se sabe. Este soldado está acompanhado por um bandido e outras duas personagens amaldiçoadas, um monstro que na verdade é um rei e um cavalo que é uma princesa. O feiticeiro de nome Dhoulmagus é o responsável por esta maldição, que não só transformou estes membros da realeza como também destruiu todo o seu reino. A procura para a quebra deste feitiço acabará por se tornar numa aventura bem maior do que era esperado.

Apesar de este ser o oitavo da série, mantêm grande parte dos ingredientes dos títulos principais que o antecedem. É um RPG por turnos onde a exploração gradual do mundo em questão irá determinar a nossa progressão e o desenvolvimento da história. Combater contra inimigos é uma tarefa mais estratégica do que se imagina, havendo um enfoque na defesa, cura tal como no ataque seja através de armas como a magia. Alguns ingredientes especiais foram introduzidos neste jogo, como a possibilidade de intimidarmos o inimigo para não combatermos.

Outra adição é a possibilidade de podermos saltar grande parte dos combates através da opção que aumenta a velocidade das mesmas. Sendo assim, não temos que ficar presos ao ritmo médio do jogo durante todos os combates que o jogo irá ofereceber, reduzindo ainda mais aquelas inúmeras horas de grind. Os combates não são feitos através de random-encounters, sendo que iremos vê-los no mapa mundo e abordá-los se assim quisermos. Estes também reagem à nossa presença, sendo que se forem mais fracos que nós, irão fugir.

Subir de nível e melhorar a nossa personagem é um dos factores mais importantes do jogo, por isso os combates irão cumprir um papel muito importante, no qual iremos aumentar o nível da nossa personagem, bem como colocar os vários pontos de habilidade no tipo de armas que cada um deles pode manusear. Ao aumentarmos a proficiência da personagem num certo tipo de arma – machados, por exemplo – vamos desbloquear novas habilidades e até efeitos de status que irão melhorar o desempenho da personagem com o seu uso.

Um aspecto importante é a progressão e a maneira como o jogo nos mantêm interessados durante o seu percurso. A história consegue agarrar-nos bem durante grande parte da sua duração. Tem mais momentos altos que baixos, mas sempre que parece começar a perder um pouco do seu interesse, acabamos por ser expostos a um momento importante que muda completamente a nossa perspectiva. Extras como a procura pelos golden slimes irão completar ainda mais esta aventura.

No que toca à apresentação, Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King é um jogo que se mostra bastante forte na 3DS, comparações com a versão PS2 à parte, o jogo está inteiramente em 3D e tem localizações belíssimas que iremos vislumbrar na nossa aventura. É um jogo que mesmo assim puxa os cordelinhos da potencialidade da consola, havendo alguns pop-ups e um pequeno loading antes de cada combate. A banda sonora mostra-se muito forte com composições incrivelmente memoráveis, sendo que no panorama da sonoplastia o único que fica um pouco aquém é a qualidade de som das vozes.

Se gostam de um bom RPG com inúmeras horas para dispensar, então têm aqui mais uma boa aposta de todo o grande catálogo de RPGs da Nintendo 3DS. É uma aventura que no geral fica uns poucos furinhos abaixo da versão PS2, mas não se deixem enganar pelo que vos digo, este jogo vale cada cêntimo que vocês gastarem. Havia algum medo da minha parte que o jogo sofresse de problemas graves de performance, como aconteceu com a versão Mobile deste jogo, mas aqui não acontecesse isso.

Dragon Quest 8: Journey of the Cursed King é uma aventura completa! É um RPG que luta no topo com os grandes da portátil da Nintendo e será garantidamente um jogo que não irão esquecer.

Segunda Opinião por:

Daniel Silvestre

As saudades que eu já tinha de Dragon Quest VIII. Joguei o jogo original na altura em que foi lançado para a PS2 e como grande fã do género, ficou entre os meus favoritos da consola.

Ver que foi quase transportado na íntegra para a Nintendo 3DS é motivo de celebração, mas também de alívio, pois tudo aquilo que não ficou perfeito, já era de esperar dadas as limitações da consola.

As adições do mapa que fica frequentemente no ecrã inferior e a velocidade do combate ajudam a que seja uma experiência mais rápida e menos confusa. Claro que sofre com inconsistências visuais e certos loadings fora do sítio, mas nada que seja demasiado demarcado.

Se nunca o jogaram na PS2, esta é a oportunidade de ouro para o fazer. Se já o fizeram, também é uma boa forma de o recordar, pois já lá vai demasiado tempo desde que a maioria o jogou.

Mesmo não sendo um jogo novo, Dragon Quest VIII na Nintendo 3DS é mais um trabalho bem feito e mais um grande JRPG para esta portátil.

Positivo:

  • Uma aventura inesquecível
  • História mantem-nos agarrados
  • Mundo bem construído
  • Personagens interessantes
  • Caça dos Golden Slimes

Negativo:

  • Qualidade visual e sonora sofre um pouco