Sábados de Loucura #38 – Mods

Nem me lembrava que no último artigo falei sobre o que era basicamente mods, no entanto o assunto estava mais focado nos Pokémon Romhacks que eram bastante populares na altura. Desta vez queria falar em geral sobre a ideia de mods e a maneira em como afectam videojogos.

Existe a conversa de se mods são legais ou não, e embora várias companhias estejam perfeitamente ok com modificações feitas por fãs, as mesmas podem muitas vezes colocar uma cláusula sobre mods devido a motivos legais. Por exemplo, se são familiares com Final Fantasy XIV então mesmo que não se tenham aventurado, devem conhecer a parte da comunidade que gosta de tomar parte de um… “especial role play” e que por vezes contam com a ajuda de mods para “ajudar a visualizar” a experiência.

Obviamente que a Square-Enix tal como outras companhias (e live service games) ignora o assunto e deixa a comunidade fazer o que lhes apetece desde que estejam no seu canto, mas se estas pequenas aventuras começam a chegar a onde deviam então a companhia obviamente vê-se forçada a exigir o seu direito de impedir mods e outro tipo de actividades devido não só a razões legais que os poderiam colocar em problemas (a classificação de idade, a transações entre jogadores, etc…) mas também porque daria uma má impressão ao público sobre o tipo de jogo que FF XIV é.

Um outro exemplo, imaginando que um jogo conta com cosméticos pagos e que alguém decide criar mods para meter esses mesmos cosméticos no jogo de forma gratuita, é certo que a esse ponto a companhia em questão irá começar a odiar mods e ir atrás de qualquer pessoa que os crie ou utilize porque a esse ponto estão a fazer pirataria. Por outro lado algumas companhias podem permitir mods mas ter problemas com o facto de estes serem colocados atrás de paywalls como Patreon ou semelhante, uma vez que tecnicamente o modder em questão está a fazer dinheiro com a propriedade da companhia ou de terceiros. Enquanto que é bastante engraçado colocar personagens de vários jogos, anime ou até pessoas reais em videojogo, por vezes pode haver quem não goste disso, a Nintendo por exemplo muito provavelmente não ficaria contente se os Pokémon chegassem a Palworld através de um mod (eles já não estão contente com mods de Minecraft que simulam os jogos de Pokémon).

Ou seja, mesmo que a companhia esteja perfeitamente ok com os fãs fazerem as suas criações e adições para o jogos, existe sempre questões legais a ter em conta e é por isso que apesar de ser permitido possam encontrar algumas cláusulas enquanto estiverem a ler os termos de serviço de cada jogo.

No entanto isso não quer dizer que mods são utilizados apenas para “espalhar mal”, existem vários casos onde a indústria abraçou mods e que tiveram um grande impacto no futuro dos videojogos. Vários modos de jogo populares em FPS tiveram origem em mods, e existem múltiplos jogos como Counter-Strike e Garry’s Mod que tiveram origem como mods, grande parte da razão pela qual a Valve começou a oferecer suporte oficial para mods na Steam através da “Steam Workshop“.

Modding não é só “colocar X personagem em jogo Y” ou “trocar (ou retirar) as roupas da personagem”, tal como já disse no parágrafo anterior, por vezes alguns mods adicionam experiências completamente diferentes, tornando o jogo mais interessante ou completamente mudando o jogo a ponto de este tornar-se em algo diferente. Outros mods por vezes podem ajudar a tornar as coisas mais fáceis como por exemplo jogos de horror, ou até adicionar dificuldades extra ou misturar tudo e tornar os encontros de um jogo em encontros aleatórios, e outros simplesmente estão a tentar melhorar o aspecto do jogo, restaurar conteúdo ou a eliminar alguns defeitos enquanto adicionam algumas qualidades de vida que tornam o jogo numa experiência bem melhor. Algumas companhias que estavam contra mods acabaram por mudar de ideias quando viram o imenso suporte e originalidade que os mods ofereciam, por vezes adicionando alguns desses mods de forma oficial e completamente mudando o futuro da série.

Na sua maioria, mods são algum bom que exploram a qualidade do que os jogos podem oferecer, e muitas vezes ajudam a melhorar a experiência de um jogo, e enquanto que as questões legais podem mudar de país para país, a maioria da industria está perfeitamente ok com o trabalho da comunidade (embora obviamente alguns possam dizer o contrário devido a questões legais, em especial se estão a falar sobre mods mais “excêntricos”). E a partir do princípio que ninguém está a lucrar directamente com os mods (ou seja, com uma paywall para aceder ao conteúdo que possa contar com direitos de terceiros, um link com doações normalmente é aceitado desde que os mods sejam grátis) grande parte da indústria não irá tomar acção.

Existem vários tipos e classificações de mods, e certamente cada companhia tem opiniões diferentes sobre os vários tipos de mods que existem, mas a realidade é que mods são uma necessidade para a indústria. Sem mods não haveriam jogos como Counter-Strike que teve um grande impacto na indústria, não havia GTA RP que conta com imensos participantes e que manteve GTA Online vivo e activo, não haveria grandes projectos que restauram conteúdo perdido como é o caso de Watch Dogs e Resident Evil 3, entre muitos outros exemplos. Por vezes até algo pequeno e insignificante pode ter um grande efeito num jogo em particular. E é sempre bem vindo caso achem que um jogo é um pouco repetitivo ou que não tem muito para oferecer, já que existe a possibilidade de tornar a vossa experiência em algo único e divertido.

Vejam aqui os 5 artigos anteriores:

37 – Romhacks

36 – Coisas sobre Anime

35 – Os quatro gigantes

34 – Son Goku

33 – Popularidade

Mathias Marques
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