Review – Xenoblade Chronicles X: Nintendo Switch 2 Edition

Xenoblade Chronicles X na Nintendo Switch 2 um regresso necessário e definitivo do capítulo mais singular na história da Monolith Soft. Quando o jogo estreou originalmente na Wii U em 2015, aqui no PróximoNível falámos da sua ambição enorme e a criação de um dos mundos abertos mais impressionantes da indústria (podem ler a análise aqui), mas também assinalou as limitações do hardware da época, marcado por um alcance limitado e texturas inconsistentes. Com a chegada da atual geração da Nintendo, todas as concessões do passado foram eliminadas, permitindo que a exploração do planeta Mira alcance finalmente todo o seu esplendor visual e técnico.

A premissa da narrativa coloca a humanidade como refugiada num planeta alienígena hostil após a destruição da Terra, no meio de uma guerra intergaláctica. Na pele de um avatar totalmente personalizável, vocês juntam-se à organização BLADE para reconstruir a civilização a partir da cidade de New Los Angeles e mapear os cinco continentes de Mira.

O grande triunfo desta versão para a Nintendo Switch 2 é o salto de gigante na performance e na nitidez visual. O planeta Mira surge agora numa resolução nativa em 4K na doca e a 1080p no modo portátil, mantendo uma taxa de 60 fps perfeitamente estáveis. A remoção dos elementos de loading agressivos e do efeito de pop-in de texturas ou inimigos à distância transforma a travessia dos cenários numa experiência contínua e muito mais impressionante. Ver os ecossistemas vivos e as criaturas colossais no horizonte a movimentarem-se sem grandes efeitos esborratados faz agora ainda mais sentido.

A direção artística dos cinco continentes de Mira é amplificada por um sistema de iluminação global e efeitos atmosféricos bastante mais trabalhados. Desde as florestas bioluminescentes de Noctilum até aos desertos escaldantes de Oblivia ou às tempestades de areia e chuvas ácidas que afetam a visibilidade, tudo ganha uma densidade mais próxima da atual geração. Na nossa análise, já tínhamos apontado Mira como um dos cenários mais bem concebidos dos RPGs modernos, e esta versão reafirma esse estatuto ao fazer cada ecossistema parecer vivo e genuinamente perigoso.

O sistema de combate em tempo real de Xenoblade Chronicles X, baseado na grelha flexível de Artes, escolha de classes e no posicionamento tático em redor do inimigo, corre com uma resposta exemplar. A mecânica do Soul Voice, que exige coordenação e timing para curar a equipa e desferir ataques combinados devastadores, beneficia da estabilidade da fluídez, tornando as batalhas contra a fauna local mais suaves. A profundidade da personalização de equipamento e das árvores de habilidades oferecem centenas de horas de otimização estratégica para os entusiastas de bons RPGs recehados de pontos de experiência e níveis. A transição entre o combate a pé e a entrada no mecha é instantânea, e a capacidade de voar livremente pelos continentes a alta velocidade é facilitada pela ausência de quebras de desempenho. A sensação de escala ao sobrevoar paisagens que anteriormente demoravam dezenas de minutos a atravessar a pé continua a ser um dos momentos mais gratificantes do género.

A interface de utilizador e a navegação no mapa, que na consola original dependiam fortemente do ecrã tátil do GamePad para a colocação de sondas e gestão da rede FrontierNav, foram redesenhadas de forma bastante intuitiva para a nova consola. O acesso ao mapa e à gestão de recursos é agora feito através de menus rápidos, bastante acessíveis com um simples toque de botão, garantindo uma gestão fluida da economia e dos pontos de interesse de Mira sem interromper o ritmo de exploração.

As funcionalidades online e a vertente multijogador cooperativa mantêm-se como um pilar central da longevidade. A integração na nova infraestrutura de rede da Nintendo permite formar esquadrões de jogadores de forma simples para cumprir tarefas globais, partilhar recursos e enfrentar os bosses de esquadrão em arenas dedicadas. A estabilidade das ligações garante que jogar em cooperação com amigos é uma experiência sem grandes sobressaltos ou atrasos de sincronização.

A vertente sonora continua a ser dominada pela banda sonora impressionante e eclética de Hiroyuki Sawano, que mistura orquestra épica, rock eletrónico e temas vocais que definem a identidade futurista do jogo. A qualidade de áudio foi totalmente remasterizada, permitindo uma separação de canais mais limpa que destaca a grandiosidade da música nos momentos de exploração e a energia frenética das batalhas contra a fação alienígena Ganglion.

No modo portátil da Nintendo Switch 2, Xenoblade Chronicles X impressiona pelo nível de detalhe que consegue manter sem comprometer a autonomia da consola. A densidade vegetativa e a geometria complexa dos cenários verticais permanecem praticamente intactos, conferindo a sensação de ter um universo vasto e dinâmico, um feito técnico que demonstra o alcance prático da arquitetura da nova consola, mesmo que se trate de um jogo de uma geração mais antiga.

Por fim, há que dizer que Xenoblade Chronicles X na Nintendo Switch 2 é a transformação merecida para este jogo. Ao reparar as limitações técnicas que impediam a versão original de atingir o que vemos aqui, esta edição é claramente a melhor versão deste jogo e o salto para a Nintendo Switch 2 significa que este colosso está finalmente livre da prisão da Wii U, e na melhor versão possível após uma passagem tímida pela primeira Switch. Agora para poder ser apreciado por toda a uma nova geração de jogadores.

Daniel Silvestre
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