- Plataformas: PS4, PS5, Switch, Switch 2, PC
- Versão de Análise: PC
- Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.
Após uma recepção bastante mista de Trails through Daybreak 2, a Falcom decidiu quebrar o vidro e activar o alarme de emergência para chamar uns convidados especiais.
Neste caso a Falcom acabou por reintroduzir algumas das personagens favoritas dos fãs e mais uma vez voltou a adaptar o formato de histórias concorrentes. Vamos mais uma vez estar ao encargo de Van Arkride e companhia que continuam a lidar com casos de origem duvidosa, e no que toca aos outros grupos somos reunidos com Kevin Graham que vem até Calvard com uma missão importante e que acaba por juntar-se a um grupo inesperado, com o terceiro e último grupo a ser Rean Scharwzer e alguns velhos membros de Thors e Class VII que são convidados especiais de Calvard.
A história tem lugar alguns meses após os eventos do jogo anterior, e desta vez Calvard é o centro da atenção do continente de Zemuria com um dos momentos mais importantes para o continente, anunciando da sua primeira exploração espacial. No entanto nem tudo é simples uma vez que enquanto que Calvard está ocupada com as estrelas, um novo grupo com más intenções começa a atacar civis, já para não falar que esta missão espacial possa estar ligada com a profecia que dita o fim do continente de Zemuria.
Tendo ouvido as reclamações quanto à história do jogo anterior, a Falcom decidiu meter mãos à obra e fazer a certeza que Trails beyond the Horizon possui uma história digna da série Trails. Tal como é óbvio irão encontrar velhas caras familiares, mas também irão contar com pequenos pedaços de história que regressam para fazer parte de um mistério maior. Este é um dos pontos fortes deste jogo uma vez que ainda haviam pequenos pedaços de história que indicavam a algo mais importante e maior que o continente de Zemuria, com Trails beyond the Horizon finalmente a abordar estes temas e a alargar o mundo de Zemuria com novas possibilidades pode-se dizer que a série Trails está novamente a ir na direcção correcta.
O regresso de Rean e companhia após alguns jogos de ausência também é bem vindo, trazendo novamente aquele sentimento especial ao ver o quanto estas personagens que passaram várias anos com os jogadores estarem um pouco mais velhas. Já para não falar que os líderes de cada grupo contam com os seus próprios momentos de ligações pessoais com outras personagens tal como já é familiar na série, fazendo com que os momentos que Rean passa com os seus amigos tornem-se em momentos de nostalgia e reflecção sobre o passado, o quanto mudaram, e os planos para o futuro.
Isto é uma experiência que a maioria dos jogos não oferecem, ver as nossas personagens crescer e voltar a reunir com as mesmas após várias entradas apenas para lembrar as velhas aventuras que tiveram lugar vários anos atrás tanto em termo de jogo como de vida real. É um sentimento especial que apenas os que estiveram a seguir a série por ordem irão sentir.
No que toca aos outros grupos, existem alguns momentos com Van e companhia que eram necessários para poder avençar com algumas histórias secundárias, em especial após Trails through Daybreak II não ter feito muito neste caso. Por outro lado o grupo de Kevin podia ter recebido um pouco mais carinho e atenção, não oferecendo muito tempo para ver como a relação entre Kevin e o grupo autoproclamado como “Picnic Battlefront” se desenvolve. Existem alguns momentos entre os grupos mas a história necessitava de um pouco mais tempo tanto para o lado de Kevin como de Rean.
Falando sobre a história em si, Trails beyond the Horizon tem uma história sólida com o foco inicial a recair sobre o antecipado lançamento do primeiro foguetão que dará início à primeira exploração espacial de Zemuria, juntamente com os estranhos eventos que tem estado a ocorrer. À medida que a história vai avançando as personagens vão descobrindo uma conspiração maior que afecta todo o continente de Zemuria, algo que a série tem estado a indicar à vários jogos atrás. Pois tal como é habitual a série Trails adora deixar pistas para histórias futuras e grandes eventos que vão acontecer, e Trails beyond the Horizon faz um trabalho excelente ao pegar em todas essas pequenas peças e atar tudo num dos eventos mais importantes da série.
Passando à jogabilidade, Marchen Garten está de regresso sob um novo nome, Grim Garten, sendo uma dungeon opcional que já é familiar para os jogadores, oferecendo um lugar para treinar todas as personagens e até ver as mesmas interagir um pouco, pode ser opcional mas conta com elementos de história importantes tal como o Reverie Corridor. Uma das novidades da Grim Garten e que é muito bem vindo é a possibilidade de ver eventos entre Van, Rean e Kevin com as outras personagens que os jogadores não tiveram oportunidade de ver, juntamente com pequenos mini episódios que oferecem mais contexto para alguns eventos e personagens secundárias, sendo algo que estava em falta no jogo anterior.
O combate também viu algumas novidades, o “Blitz System” é uma nova adição que faz uso dos membros que não estão activos no campo, com os mesmos a oferecer um ataque extra ou aumentar a potência de um ataque ou efeito de uma habilidade de suporte. Outra novidade é o “ZOC” que oferece um turno extra quando activado, e durante o combate activo ZOC abranda o tempo para os inimigos, permitindo aos jogadores organizarem-se um pouco quando rodeados por inimigos ou ao enfrentar um adversário forte. Falando em combate activo, agora é possível transformar Van para o seu modo Grendel, com outras personagens com semelhantes estados ou transformações também a beneficiar deste novo sistema
Quanto ao resto tudo continua igual aos dois jogos anteriores; o sistema orbment; os minijogos; a qualidade gráfica e performance do jogo, em especial a versão PC que contém mais opções de personalização; a banda sonora de peso; vão continuar a encontrar qualidade e carinho numa das maiores séries RPG de sempre. Trails beyond the Horizon demonstra mais uma vez que a Falcom possui uma série de RPG de ouro, e que após mais de 20 anos a história interligada começa a chegar ao seu ponto alto e abrindo lugar para a sua conclusão que começa a formar-se no horizonte.
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