Review – Street Fighter VI [Nintendo Switch 2]

Street Fighter VI estabeleceu-se como um como uma referência moderna no género de jogos de luta. Ao contrário do lançamento original de Street Fighter V, este jogo cativou o público com a sua jogabilidade refinada, um elenco de personagens carismáticas e uma abundância de conteúdo que agradou tanto a veteranos como a recém-chegados.

A transição de um jogo tão exigente e de nova geração para uma plataforma híbrida portátil como a Nintendo Switch 2 levanta uma questão fundamental: será que o novo hardware da Nintendo consegue suportar a fluidez e a fidelidade gráfica que são cruciais para um jogo de luta competitivo, ou será que tiveram de ser feitas concessões significativas?

Embora possam comprar apenas o jogo base, a versão de loja e a que tivemos acesso para análise, é a que inclui os dois primeiros anos de conteúdo, pondo quase em paridade com outras plataformas no formato portátil. Temos de começar pelo mais importante, um jogo de luta competitivo exige uma taxa de fotogramas inabalável de 60 fps para que cada movimento, cada combo e cada parry sejam executados com precisão. Apesar de várias concessões, a performance dos combates é mantida na Nintendo Switch 2 e isso é verdadeiramente o que importava de ser mantido.

Graças ao hardware mais potente da nova consola, o jogo consegue manter uma taxa de FPS estável e consistente, seja a jogar no ecrã portátil ou na televisão. As quedas de performance que seriam um problema na Switch e até em outras consolas, funcionam aqui bastante bem nos modos normais de combate e o único momento em que mudam para 30fps (ou menos), são os combates do modo World Tour. Em termos visuais, o jogo não sacrifica a sua direção artística. A resolução é significativamente melhorada em ambos os modos, com a versão docked a atingir 1080p nativos, mas a portátil sacrifica alguma resolução, aumenta o desfocamento dos elementos em distância, detalhe dos cenários e até sombras.

Jogando em modo Doca, os modelos das personagens, os cenários dinâmicos e os efeitos visuais dos Critical Arts são renderizados com uma fidelidade que realça o estilo artístico único da Capcom e mantêm o registo visto nas outras plataformas. Também é sem dúvida, a melhor forma de o jogar, pois o modo portátil é quase que um segundo recurso caso queiram jogar em qualquer lado.

O que eleva esta versão de Street Fighter VI para a Nintendo Switch 2 a um patamar de preço-valor, é o seu vasto conteúdo, que engloba um pacote mais completo. O subtítulo Years 1-2 não está lá por acaso: vocês têm acesso não apenas ao elenco base, mas também a todos os personagens, trajes e cenários lançados nos dois primeiros anos de vida do jogo. Isto significa que, desde o primeiro dia, terão uma seleção avantajada de lutadores, desde os clássicos Ryu e Chun-Li, até às novas personagens como Jamie e Kimberly, e aos lutadores DLC que foram sendo adicionados, como Rashid e Akuma e Mai de King of Fighters.

Ao ligar o jogo, são brindados com três “zonas” de jogo, sendo elas o modo World Tour, o modo de jogo online e os modos para jogo local. A inclusão do modo World Tour, uma aventura RPG que nos leva a explorar o mundo e a aprender com os lutadores lendários, é uma experiência ideal para o formato portátil, levando a que progridam na história e nas missões secundárias em qualquer lugar. O Battle Hub, o espaço online onde se podem encontrar outros jogadores, continua a ser uma parte central da experiência, com a estabilidade de conexão do novo hardware a garantir uma jogabilidade online fluida e com baixo lag, crucial para a comunidade competitiva. Também é o local onde podem comunicar com outros jogadores antes das partidas e até jogar alguns clássicos Capcom em Arcades virtuais.

Por fim temos o modo de jogo local, onde existem várias coisas, como o modo história em formato arcade, modos de combate livre contra o computador ou contra outros seres humanos, entre muitos outros modos de competição ou treino. É sem dúvida o local onde passei mais tempo, pois já tinha jogado o modo World Tour na PS5. É também o modo que nos deixa ver os combates a correr como deveria ser e o verdadeiro centro de um bom jogo de luta que se preze.

Street Fighter VI foi construído para ser acessível, mas com uma profundidade que recompensa a dedicação e os jogadores que dedicam tempo. De qualquer forma, caso queiram uma experiência mais novatos ou que não têm tanta destreza, a inclusão dos controlos Modernos, que permitem executar combos e movimentos especiais com combinações simples de botões, é perfeita para os jogadores casuais ou para quem quer jogar em viagem sem ter de memorizar longas sequências de botões. No entanto, para os veteranos, os controlos Clássicos estão lá, intactos, com toda a sua precisão e complexidade, tal como deve ser. É uma boa combinação entre acessibilidade e complexidade que torna este jogo numa experiência completa, seja para quem quer apenas divertir-se ou para quem leva o jogo mais a sério.

A Nintendo Switch 2 adapta-se bem a ambos os estilos. Os comandos Joy-Con, embora pequenos, oferecem uma resposta satisfatória para um jogo casual, mas para uma experiência mais séria, o Pro Controller, seja da Nintendo Switch original ou o novo, continuam a ser a melhor opção, pois tanto os analógicos, como o D-pad são muito mais práticos e não fustigam tanto os dedos.

Por fim, a versão para a Nintendo Switch 2 inclui um modo bastante dispensável onde usam os Joy-con de formas pouco intuitivas com movimentos e alguns botões para combater. Embora seja giro de fazer uma ou duas vezes, especialmente por ser aplicado num modo de “perda de calorias”, não é de todo a melhor forma de jogar Street Fighter e é altamente dispensável. De qualquer forma, é uma opção e não vai ferir o ego de nenhum veterano certamente.

Em suma, Street Fighter VI Years 1-2 na Nintendo Switch 2 é uma boa consagração e conversão de um dos grandes jogos de luta da atualidade num formato que só seria possível ver em coisas como a Steam Deck ou outras consolas portáteis do género. A Nintendo Switch 2 demonstra o seu poder conseguir dar uma experiência de combate sem muitos compromissos no modo doca, com uma taxa de fotogramas perfeita, visuais aprimorados e todo o conteúdo dos dois primeiros anos de jogo. Como é lógico, se forem apenas jogar em modo portátil, preparem-se para maiores perdas a nível de grafismo.

Se ainda não têm Street Fighter VI ou querem viver a experiência na Nintendo Switch 2, então podem ficar descansados, não está ao nível das consolas caseiras mais potentes ou de um bom PC, mas consegue ser bastante impressionante à mesma, com um resultado que honra o estilo de jogo que é e não fica assim tão longe das outras plataformas, sendo uma versão totalmente válida, especialmente para quem tiver apenas a Nintendo Switch 2.

Daniel Silvestre
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