O Dolby Theatre foi palco da 86 ª Cerimónia de Entrega dos Óscares da Academia. Do ano passado para o presente, existem algumas diferenças incontornáveis que merecem destaque. À cabeça, o decréscimo de qualidade dos candidatos (Argo, Lincoln e Vida de Pi não tiveram sucessores à altura), do apresentador e do espetáculo.
Depois da escolha arriscada em Seth MacFarlane, a produção recuperou a anfitriã de 2007 (Ellen DeGeneres), que incutiu uma apresentação gaguejada, sem números artísticos, pincelada com algumas graçolas interessantes, mas com um tique à “A Tua Cara não Me É Estranha”, ou seja, uma apresentação dedicada aos amigos, puco respeitosa para com o público, raramente conectada ao Cinema e à importância do evento. Se MacFarlane comprometeu-se em dar o melhor espetáculo, arriscando, improvisando e sentindo o peso da responsabilidade, Ellen nunca disfarçou o facto de que “não passava de mais um domingo”.
Os números artísticos aproveitaram os ilustres nomeados para o Óscar de Melhor Canção Original, e mais um número musical em memória dos actores desaparecidos. Numa era em que os músicos não encaram o Grammy enquanto reconhecimento máximo no mundo da música, será que o Óscar apropriou-se esse lugar? Para a história fica o Óscar recebido por Robert Lopez, que atingiu o prestigiado EGOT, o Grand Slam dos artistas, com reconhecimento nos Emmy, Grammy, Óscares e Tony Awards.
Quanto aos vencedores da noite… desde o golo do Ivanovic nos descontos em Amesterdão não acontecia tamanha injustiça. É curioso Brad Pitt ter subido ao palco para receber o prémio na categoria de produtor, quando é certo que a Academia é composta por seis mil membros, e essa elite é formada por actores, técnicos, críticos e estudiosos, que votam em si ou nos “compadres”. A influência faz a diferença e a qualidade do filme pode ficar em segundo plano (só na casa de Brad Pitt são uns poucos a votar).
Sem retirar mérito a Steve McQueen e ao legado de Solomon Northup, afinal não foi só a Academia a render-se ao filme, outros galardões prestigiado (BAFTA, Globos de Ouro e Spirit Awards) também elegeram 12 Anos Escravo, existiam nomeados com a estrutura narrativa mais sólida (Filomena, Nebrasca e Lobo de Wall Street), conceitos originais (Gravidade e Her), e mensagens positivas (O Clube de Dalas). Embora admita que posso ser eu que estou enganado – esperava muito mais de Django Libertado (Disney com Cowboys) e Her (Anita apaixona-se pelo iPhone) e receberam ambos o Óscar de Melhor Argumento Original.
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