A PS Vita é um caso de estudo. A segunda portátil da Sony era uma consola com tudo para vencer e ser uma das melhores de sempre no que toca a presença e qualidade, mas acabou por desaparecer com o passar do tempo.
10 anos depois do seu lançamento (17 de Dezembro de 2001), a PS Vita continua a ser uma consola fantástica, em especial se pensármos na sua versão inicial com ecrã OLED. Esta era uma consola do futuro e pronta para o futuro. Tinha todos os botões e analógicos necessários para correr todos os tipos de jogos, tinha um ecrã fantástico e era uma consola poderosa e muito ergonómica.
Até hoje, a PS Vita foi a portátil que mais se aproximou de uma verdadeira consola a sério até chegar a Nintendo Switch, isto porque era possível fazer quase tudo aqui e muito mais, afinal a PS Vita não era apenas uma consola para jogos e funcionava até como uma expansão das outras consolas da Sony, sendo uma excelente ferramenta para Remote Play.
O grande problema da PS Vita foi apenas um e esse problema está recheado de ironia, pois a Sony foi a responsável por ir cravando a maioria dos pregos que fecharam o caixão da consola.
Para começar e depois do que sucedeu com a PSP, a Sony devia ter percebido que a pirataria é uma inevitabilidade e mais vale fazer com que o utilizador tenha toda a possibilidade de ter mais facilidade de escolha. Para isso, em vez do cartão de memória proprietário, resolveu criar um cartão de memória específico que ia sempre por dezenas de euros em dinheiro. Isto fez com que a maioria optasse pelos cartões mais baratos ou tivesse de investir muitos euros por uma necessidade básica.
Isto e outras decisões estratégias como preço e line-up mais conservador a início levaram a Sony a saltar do barco antes de perceber sequer como podia salvar a consola. Coube a companhias como Falcom e NIS e estúdios Indie levar a consola às costas nos últimos anos. Ou seja, ao contrário do que fez a Nintendo com a Nintendo 3DS, a Sony deserdou a PS Vita e deixou-a morrer.
Apesar de todos estes dissabores e de uma morte prematura, a PS Vita ainda teve direito a grandes jogos e proporcionou grandes experiências. Temos grandes jogos que viram a luz do dia aqui como Freedom Wars, Uncharted Golden Abyss, Wipeout 2048, Killzone Mercenary, Persona 4 Golden, Rayman Origins, Zero Escape: Virtue´s Last Reward, Danganronpa e Gravity Rush. Sagas como Ys, Disgaea, Legend of Heroes, Atelier, Tales e Monster Hunter estiveram presentes e ainda surgiram centenas de Indies com nomes sonantes.
Numa situação ideal e com mais apoio da Sony ao longo dos anos, a junção dos jogos in-house com todas as companhias externas e indies, a PS Vita tinha tido muito mais sorte do que teve e efectivamente merecia.
Eu adorei todos os momentos que passei a jogar na PS Vita e fiz muito boas memórias. É uma pena que uma consola tão poderosa e com tanto para dar tenha tido uma vida tão curta, especialmente com o nome Vita.
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