O que torna a série The Legend of Heroes especial

Por esta altura já devem ter ouvido falar sobre The Legend of Heroes, caso contrário não são frequentes do nosso site pois tanto eu como o Daniel Silvestre já demonstrá-mos ser grandes fãs da série. Mas se tanto as análises, as escolhas para jogo do ano e tudo mais ainda não foram suficientes para convencer-vos pelo menos a experimentar um dos jogos, então este artigo poderá “vender-vos”naquilo que a série tem de especial e que nos converteu em grandes fãs da mesma.

Não será necessário começar desde o início para explicar o que a série The Legend of Heroes é, fazendo antes uma abordagem em geral. Inicialmente The legend of Heroes era um spin of de Dragon Slayer, com o primeiro jogo a ser lançado em 1989, mas mais tarde o título The Legend of Heroes separou-se de Dragon Slayer e tornou-se na sua própria franquia.

Foi em 2004 com o lançamento de The Legend of Heroes: Trails in the Sky, a sexta entrada nesta série, que foi iniciada uma nova história que até ao momento resultou em 9 jogos e que ainda não foi concluída. Mas essa não é razão para ficarem alarmados pois a coisa é bem distanciada uma da outra apesar de estarem relacionadas.

A série Trails in the Sky, que deu origem a esta nova história, teve direito a uma trilogia que foi seguida por outras duas séries; Trails of Cold Steel e a Crossbell Arc que tem lugar ao mesmo tempo. Trails of Cold Steel recebeu quatro jogos e a Crossbell Arc teve direito a “Trails from Zero” e “Trails to Azure” que decorrem lado a lado com a primeira e segunda entrada de Trails of Cold Steel. Uma nova série Trails of Beginning está planeada para o futuro e que possivelmente irá concluir a saga iniciada com Trails in the Sky, com três histórias em paralelo que focam-se nas múltiplas personagens das séries anteriores e em novos protagonistas, mas por agora vamos focar-nos naquilo que já foi lançado.

Sendo assim vamos colocar de lado a Crossbell Arc que de momento ainda não foi lançada oficialmente no Ocidente. Recebeu traduções feitas por fãs mas com o remaster anunciado (e que irá contar com novos elementos de história) e o interesse que a Falcom demonstrou em publicar os jogos no Ocidente é bem possível que estes cheguem em breve (pessoalmente diria para o ano que vem já que este ano vamos receber a quarta entrada de Cold Steel).

Temos então neste momento disponível no Ocidente a trilogia Trails in the Sky (PC) e os três primeiros jogos de Trails of Cold Steel (PS3, PS Vita, PS4, Switch, PC). Com Trails in the Sky a dar início a esta aventura e Trails of Cold Steel a ter lugar pouco tempo após a terceira entrada de Trails in the Sky. Não é necessário pegarem numa série para poderem apreciar a outra, apesar de estas continuarem uma história maior as mesmas conseguem-se isolar uma da outra, daí os diferentes nomes que possuem.

Numa comparação pensem em Trails of Cold Steel como sendo Dragon Ball Z e Trails in the Sky como Dragon Ball original. É verdade que em termos de manga não existe separação mas o anime decidiu distinguir os dois, e algumas pessoas que viram Dragon Ball Z nem apercebem-se que existe toda uma outra série com as mesmas personagens, não sendo realmente necessário ver uma para ver a outra.

A série The Legend of Heroes é igual. Trails of Cold Steel continua a narrativa da situação militar que foi iniciada em Trails in the Sky mas conta com um novo elenco de personagens e história, permitindo aos novos jogadores inserirem-se na série sem terem a necessidade de jogar as entradas anteriores para terem contexto do que está a acontecer. Existem pequenas referências e personagens que regressam mas continua a ser uma história que foca-se nos seus eventos sem necessitarem de ter conhecimento da série anterior, em especial devido ao facto de Trails in the Sky ter lugar no estado de Liberl que está em guerra com o estado de Erebonia, onde a história de Trails of Cold Steel decorre.

Este é parte do charme da série, a situação militar que está a decorrer ao longo de todos estes jogos e os grandes eventos que afectam o mundo do mesmo. Existem uns quantos jogos que tem o tema militar mas poucos decidem realmente explorar o que este pode oferecer, e a série The Legend of Heroes aborda essa tema perfeitamente… com um pequeno twist que não irei revelar.

Por exemplo, enquanto que a primeira metade do primeiro jogo de Trails of Cold Steel serve para apresentar as personagens que fazem parte do grupo da Class VII, a segunda metade começa a explorar a situação militar e o facto de uma guerra poder iniciar-se em breve com a introdução de grandes nomes de nações e pessoas importantes. Parece ser demasiada informação na altura mas ao longo do jogo as personagens vão conhecendo algumas destas caras e a situação da guerra é melhor apresentada, dando a oportunidade ao jogador de absorver melhor esta informação e começar a ter uma ideia geral do que está em jogo.

No entanto a situação militar não é a única receber atenção; com as personagens a serem o maior foco da série e a razão pela qual muitas pessoas tornaram-se fãs da série The Legend of Heroes. Digo personagens mas não me refiro apenas ao elenco principal ou personagens secundárias mas também os NPCs que encontram ao longo da vossa jornada. Sim, até os NPCs recebem atenção e contam com algo especial.

Com isto quero dizer que cada NPC que o jogador encontra tem algo diferente para dizer de cada vez que a história avança, ou melhor dizendo, de cada vez que o tempo avança. O que um NPC tem a dizer de manhã será diferente do que este irá dizer à tarde, e o diálogo da maioria está ligado a uma pequena narrativa que pertence aos mesmos.

É engraçado falar com estas personagens ao longo de um jogo e ficar a conhece-las melhor, meros NPCs acabam por crescer dentro de nós devido às suas pequenas histórias que vão-se desenvolvendo naturalmente. Algumas destas histórias tornam-se em sidequests e o simples facto de o jogador ter acompanhado o seu percurso até este ponto acaba por ser um sentimento especial, embora as sidequests ofereçam o contexto necessário daquilo que aconteceu para o jogador não estar às escuras.

Este diálogo não é necessário nem adiciona nada de importante para o jogo, sendo simplesmente a vida destas personagens, algumas delas colegas e amigos do protagonista. Acompanhar a vida destas personagens é parte da experiência mas algo que o jogador pode evitar sem qualquer tipo de consequência.

Deixando os NPCs de lado existem também os membros do grupo, cada um com os seus problemas e a série sabe como atacar os mesmos, parecendo que vai por caminhos clichés ou demorar a tratar do assunto mas surpreendendo imensas vezes com a maneira em como estas personagens apercebem-se de que algo está errado não só com elas próprias mas também os seus colegas e abordando a melhor maneira de resolver o assunto.

É refrescante ver personagens que sabem usar a cabeça e tratarem do assunto de forma inteligente, ou por vezes utilizando métodos mais bárbaros para imediatamente resolver o problema em vez de continuar a arrastar o mesmo por mais um par de horas. A série ao invés de invocar em demasia os clichés habituais decide quebrar essa rotina com as suas personagens, fazendo com que estas acabem por ter mais charme.

Os primeiros lançamentos da série utilizam um elemento de estratégia mas em arenas fechadas ao invés de todo o campo servir para a batalha, mas mais tarde a série adapta o típico combate por turnos embora o jogador tenha a liberdade de mover-se livremente numa pequena arena. Apesar de mudar de sistema de combate as mecânicas da série continuam iguais em todos os jogos, com os elementos de Arts, habilidades únicas de cada personagem e que necessitam de uma barra especial, e Quartz, magia que o jogador pode equipar a qualquer personagem ao estilo matéria de Final Fantasy VII.

A banda sonora da também é algo digna de destaque, e de toda a série fico espantado ao afirmar que a música do menu principal de Trails of Cold Steel é a minha favorita. Já para não dizer que por alguma razão esse mesmo tema é chamado de “Class VII“, o grupo a qual o protagonista e o resto das personagens principais de Trails of Cold Steel fazem parte. Acho engraçado que um nome tão importante seja atribuído a um simples tema de menu principal ao invés de outro momento qualquer, mas quando olho para o ecrã tudo acaba por fazer sentido e este tema acaba por ser ainda mais forte quando o jogo é concluído.

Basicamente a série consegue cumprir todos os requisitos que são necessários para fazer um jogo bom. Jogabilidade, banda sonora, personagens e história (gráficos são relativos à altura em que os jogos saíram mas aguentam-se para os dias de hoje). E a boa parte é que apesar de centrarem-se na enorme história que está a decorrer por todo o continente, com cada a série a focar-se num dos estados e a continuar os eventos da série anterior, não ser realmente necessário jogar uma para entender outra. O que quer dizer que os fãs podem apreciar uma história continua enorme enquanto que os novatos podem apenas pegar nas suas séries que mais gostaram para viver a aventure principal das suas personagens favoritas.

Como última palavra, para quem está curioso, pessoalmente sugeria Trails of Cold Steel como entrada principal para a série. A jogabilidade ao estilo estratégia de Trails in the Sky pode não agradar a todos mas Trails of Cold Steel adapta o sistema de combate que irá ditar o resto da série, sendo uma boa introdução para verem se a apresentação da história e personagens tem algo que vos agarre ou não, levando-vos assim a experimentar o resto e ficarem colados ao destino destas personagens e do continente de Zemuria.

Podem ver todas as nossas análises de jogos da série Legend of Heroes nos links que se seguem:
Análise – The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel (PSVita)
Análise – The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel (PS4)
Análise – The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II (PS4)
Análise – The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III (PS4)

Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram