Quando a vida coloca os jogos em pausa

Ser uma criança, sem grandes responsabilidades e com muito tempo livre é uma das fases mais divertidas das nossas vidas. Mesmo que infelizmente alguns não tenham essa possibilidade, eu fui uma das muitas crianças que teve uma infância recheada de brinquedos, jogos e acima de tudo, tempo livre para gastar.

Quando somos mais novos, mal podemos esperar para ficar adultos, começar a ter responsabilidades e ser donos do nosso nariz. Mesmo que isso pareça tentador, na vida nada deve ser feito com pressa e crescer é a pior delas.

Ainda me lembro que conseguia gerir perfeitamente a escola, a vida social e os videojogos como se cada um fosse um bocado de um bolo que era fácil de repartir. Se são adultos, sabem o que acontece daqui em diante, se são mais novos e estão a ler estas linhas, então fiquem a conhecer um episódio recente de como uma pessoa que trabalha com videojogos, sem dar por isso, passou quase um mês inteiro sem jogar.

Como bem sabem, no mês passado fiz a análise de Ghost of Tsushima aqui no site e adorei toda a aventura que vivi. A Sucker Puch fez um trabalho fantástico e quando penso em Ghost of Tsushima, associo logo a um dos melhores jogos que joguei nesta geração. Claro que depois dele teria várias coisas para jogar, nem que fosse para meter algo em dia ou jogar para análise.

 

Agosto é aquele mês em que estamos quase todos de férias e há muito mais tempo para tudo. Por isso que grande jogo joguei eu este mês? Que jogos tinha eu para jogar e meter em dia? Nenhum.

Agosto de 2020, tal como o próprio ano em si, está a ser um mês totalmente estranho e por estranho que pareça, posso dizer que não me sentei para jogar e apreciar um jogo. O máximo que fui jogando aqui e ali foi Pokémon GO e como devem saber, não é exactamente um jogo em que sentamos em frente ao ecrã e vivemos horas de uma aventura com história e jogabilidade mais complexas.

Claro que agora perguntam. Como? Alguém que está à frente de um site de videojogos, alguém que dá aulas num curso de animação e videojogos, alguém que está directamente envolvido nas acções de jogos da Fnac. Como é possível que não tenha jogado absolutamente nada este mês? Essa nem é a pior parte da pergunta, mas sim: Como foi que nem dei por isso?

Só pensei nisto quando o fim do mês começou a chegar e percebi que ainda não tinha sequer activado a versão PS Plus do Fall Guys. Sabem, aquele jogo que todos falam e estão a jogar? Ainda nem o tinha adicionado à biblioteca da PSN. Vergonhoso não é? Na verdade, nem por isso, e a realidade é que passei um mês inteiro sem jogar algo mais “a sério”, pelo motivo que os mais velhos já sabem e os mais novos vão perceber um dia. Porque a vida acontece.

Ao contrário de ser um mês de férias, para mim, Agosto foi um mês inverso. O trabalho foi mais que muito em todos os trabalhos e projectos onde estou envolvido e fiz várias mudanças na minha vida que envoveram uma grande entrega de cabeça e alma. Foi um mês em que tive de estar em todo o lado ao mesmo tempo e resolver coisas que já estavam para ser resolvidas há meses. Felizmente, foi também um mês em que foram concluidas inúmeras coisas que só podiam ser feitas com dedicação e tempo.

Como devem perceber, tudo isto acabou por ir colocando as jogatanas no fundo da lista de prioridades. Simplesmente, porque a vida foi acontecendo. Quer isto dizer que os jogos são menos importantes ou que até estou menos interessado neles? Muito pelo contrário, estou cheio de saudades de jogar e tenho vários jogos para terminar que mal posso esperar por ter um bocado para eles. Aliás, para eles e para tirar o pó que se foi acumulando (bem presente na imagem no topo do artigo).

Quero jogar ainda mais Legend of Heroes antes que chegue o Trails of Cold Steel 4 este ano. Quero experimentar Fall Guys, quero jogar muito o Cyberpunk 2077. Quero dedicar o tempo que ainda não tive ao Borderlands 3, quero meter as mãos nas consolas de nova geração, entre tantas outras coisas.

Felizmente, no meio de tudo isto, ainda bem que temos uma grande equipa aqui no PróximoNível à qual pude ir entregando praticamente todos os jogos que foram chegando para análise durante este mês. Assim como outras tarefas que foram surgindo.

Se formos a ver, existem sempre pequenos momentos onde podemos sentar em frente ao ecrã e disfrutar de um bom jogo, mas esses momentos são ainda mais preciosos quando a vida nos obriga a ir fazendo pequenas paragens. É bom ver que não pensei uma única vez nisso até ter tempo para pensar nisso, o que é sinal que os jogos são parte da minha vida e não apenas um complemento.

Verdade seja dita, já não é exactamente a primeira vez que a vida me impede de me dedicar aos videojogos. Podia até estar a jogar algo em vez de escrever este artigo, mas quero que vejam que isto acontece a todos e muitos já devem ter passado, ou vão passar por isto. Não se preocupem, se para vocês os jogos não são apenas um acessório, por mais que demore, haverá sempre tempo para parar e vontade para regressar.

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