O que diz o Fox? – Artigo 11: 11NTÉ!

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Onze!

Nunca pensei chegar aos onze. Não é um número propriamente bonito, ou redondo, ou marcante ou… par (nada contra os ímpares, claro, até conheço um pessoalmente e não tenho nada a assinalar). Onze é aquele número que por um bocadinho não era outra coisa qualquer e, creio, sempre foi desvalorizado. Ou aproxima-se para dez ou fica uma dúzia. É, realmente, um número para esquecer. Mas eu não o esqueço. De tal modo, e para comemorar ter passado dos dez, decidi acabar a primeira série d’“O que diz o Fox?” nesse valor. O onze, não os dez.

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Como o próprio número, que está agora inscrito nos Recordes do Guiness como o número mais vezes referido num só parágrafo (o anterior), vou mostrar-vos algo que por um bocadinho também não foi outra coisa: “O que diz o Fox?”. Depois de ter escrito um PróximoNível ao Domingo” divertido e nostálgico sobre “O Rei Leão, e deste ter tido uma excelente recepção por parte de todos, recebi um convite do famoso jornalista e apresentador de televisão – o Daniel Silvestre – para a possibilidade de ter uma rubrica só para mim com um tema livre, ao qual fiquei muito entusiasmado e, como poderão ter reparado, disse que sim. Ao contrário da Pescada, que antes de o ser já o era, esta rubrica andou em águas de pesc… de bacalhau durante uns tempos e, na primeira tentativa, surgiu algo como isto:

Andava eu a passear por aí quando fui abordado por um sujeito que me disse algo como: “o artigo que escreveste no outro dia estava bastante engraçado.” Começamos bem… O que me quer este tipo? Quer dinheiro? Quer o meu telemóvel? As chaves do carro? “Já dei”, disse eu. Mas ele continuou a insistir. “A sério, bastante engraçado.” Nessa altura comecei a apressar o passo, olhando para baixo, fingindo que não ouvi. “E, já agora, tens horas que me digas?” Até tinha, mas não queria dizer. Quem é que neste mundo não sabe as horas? Estão em todo o lado, em todos os telemóveis, lojas, anúncios na rua, nos transportes públicos e, quem diria, até nos relógios (é verdade). Uma vez usei um truque. Disse: “sim, com certeza”, e levanto a manga do braço direito, como que a fingir que sou canhoto e “aaah, bolas, esqueci-me do relógio. Peço imensa desculpa.” Aproveitei a deixa e retirei-me. Não me julguem um qualquer infeliz. Mas há momentos delicados que me chamam à atenção, quando algo não está bem. Agora era igual. As horas? Não me parece…

Foi no momento seguinte que surgiram mais dois à minha frente. Grandes, imponentes. Metiam respeito. Será que todos iriam querer saber as horas? Tinham comboios para apanhar, ou quê? “Eles passam de quarto em quarto de hora”, sugeri eu, apontando para a estação, ali ao fundo. Barraram-me o caminho. “Teve piada, sabes?”, disse um deles.

Eu e a minha grande boca. Nunca se deve responder mal nestas situações. E com as mãos nos bolsos, os punhos fechados, gelados do frio – ou do medo – começo a preparar um caminho de fuga. Se empurrar um para a esquerda, desvio-me para a direita, atravesso a rua a correr e tento encontrar o… Mas não tenho tempo de pensar em mais nada e sou agarrado. Primeiro por um, fazendo pressão no braço esquerdo, depois outro, que me pousa a mão no ombro e, olhando-me nos olhos, diz: “Muita piada…” (engulo em seco). “Desculpa, não era minha intenção mandar-vos passear. Eu…” Já fui, pensei. “Estou a falar do teu artigo. Teve piada. Não queres escrever outro? Podias ter uma rubrica tua, escrevias sobre um tema livre, da forma que quisesses.”

Sempre ouvi dizer que o tempo abranda quando nos sentimos ameaçados. Que toda a nossa vida passa pelos olhos, ali, em algumas fracções de segundo. Foi aí que comecei a perceber o que me tinham dito, mas, ainda assim… “Desculpe, importa-se de repetir?” “Com certeza. Estava a dizer que gostámos muito do teu artigo e achamos que tem potencial para mais. Queres ter uma rubrica no PróximoNível?”

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Boas notícias! Não me iam fazer mal! Mas… O quê…? Uma rubrica minha no PróximoNível? A sério? Não acredito que me estão a fazer este convite. Eu nem percebo assim muito de jogos. Quer dizer, gosto de jogar, mas… é um hobby. É como os carros. Gosto deles, mas sei lá como é que eles funcionam? Os carros, isto é. E os jogos também, enfim. Como funcionam os jogos? Como? Bom, ele disse que podia escrever sobre um tema que quisesse. Na verdade, o PróximoNível não é apenas um site de jogos. É muito mais que isso. É muito mais que… Hmmm. Mas era semanalmente? De quinze em quinze dias? E se não tiver ideias, o que faço? Nunca tive um espaço para mim. Nunca escrevi assim para mais ninguém. Tirando os trabalhos da escola, naturalmente.

O que quero dizer é que nunca tive nenhum blog, ou algo parecido. Lembro-me de querer ter um blog, por acaso. Chamar-se-ia “A Garagem do Timóteo” (é o meu apelido), ou algo assim. Tinha de pensar melhor no nome, claro, se fosse com o projecto para a frente – olhando para ele agora, soa a ridículo. Ia ser sobre carros. Bruxo! Mas o que falava deles, não é? O que não falta por aí é informação. Oh, que ideia tonta, pensei. E desisti. Isto foi há mais de meia dúzia de anos. Será que voltou o bichinho?

Voltou, voltou. Tanto é que chegou aos onze bichinhos. Mas isso já é quase uma dúzia e o dono precisa de recarregar as baterias. E vocês, admitam, também não diziam que não a uma pausa, hem? Tenho que agradecer ao PróximoNível, pela enorme proposta que me fez. É sempre um prazer muito grande participar por dentro e por fora dos projectos que esta pequena grande equipa tem. Aos leitores (muitos mais do que imaginava) um grande abraço e obrigado por me acompanharem nesta, espero, primeira de muitas aventuras escritas a este nível: o PróximoNível!

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