Jogos do Ano 2020 – As escolhas do João Luzio

Neste ano tão invulgar, poucas novidades seriam capazes de dar alguma luz no fundo do túnel, contudo, no meio do entretenimento, e em especial no dos videojogos, a situação foi diferente. Vários foram os títulos que ofereceram experiências únicas e de elevada qualidade, outros, trouxeram ao de cima a nostalgia do passado, através de remakes ou ports.

Devido ao maior tempo livre, que a infeliz situação pandémica, provocou na minha e na vida de muitos, aproveitei para investir, e não só, em géneros de jogos que há muito não lhes dava a devida atenção. Apesar do número elevado de adiamentos, muita coisa ficou por jogar, tal como Hades, Persona 5 Royal ou Resident Evil 3, entre outros, que mais tarde poderei dar uma chance.

(As listas dos melhores jogos do ano são criadas pelas experiências e opiniões pessoais de cada editor, sendo a escolha dos seus favoritos.)

 

10 – Liberated (Nintendo Switch, PC)

Um jogo que mistura vários elementos que eu gosto numa experiência única – ambientação noir/cyberpunk; história contada em formato graphic novel; complexidade das personagens; rebelião de uma minoria contra um regime autoritário num mundo distópico. Efetivamente é um jogo curto, mas cada pequeno momento que passei nesta jornada e neste mundo, valeu a pena. Já fazia tempo que não tocava em algo tão particular como Liberated, e ainda bem que o fiz, pois estaria a perder umas das grandes hidden gems de 2020.

 

9 – West Of Dead (PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC)

Desde a primeira vez que vi este jogo num vídeo de apresentação, que fiquei totalmente agarrado à mistura do estilo visual cel shading com um tom sombrio. Quando por fim o joguei, as minhas expectativas foram totalmente excedidas, foi dos melhores jogos rogue-like que alguma vez joguei. A curva de aprendizagem pode ser de alguma forma difícil ao início, mas é compensada com o nosso contínuo investimento em querer saber dominar as mecânicas de West Of Dead. Os restantes elementos como a banda sonora, ambientação e o gameplay aditivo, fazem deste jogo ser um dos meus indies predilectos, e com certeza que merecia um lugar nesta lista.

 

8 – Alwa’s Legacy (PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC)

Tal como o anterior, este foi outra grande surpresa no mundo dos indies, mas desta vez do género de plataformas, que tenho bastante apego pelo mesmo. Shovel Knight tinha deixado uma forte marca no meu padrão de qualidade, no que toca a indies, e mesmo assim Alwa’s Legacy consegue ser mais expansivo, em quase todos os aspectos, e muito mais desafiante. Efetivamente as suas mecânicas são relativamente simples e fáceis de aprender, mas a sua aplicabilidade nas diversas situações, inverte esta situação. É daqueles jogos que passam uma sensação mista, onde mesmo sendo desafiante, sinónimo de estar focado e concentrado ao ecrã, permito-nos estar relaxados, enquanto exploramos e saboreamos esta aventura no mundo de Alwa.

 

7 – Ancestors Legacy (PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC)

É raro eu ter tempo e motivação para  investir num RTS ultimamente, no entanto, quando recebi Ancestors Legacy para analisar, fiquei completamente agarrado. O facto do jogo ser em tempo real, faz com que sejamos mais calculistas e ponderados na nossa abordagem, qualquer falha ou erro, pode estragar uma campanha perfeita. Sinto que, no futuro, irei aqui voltar mais vezes, nem que seja apenas para (re)jogar uma ou outra missão que me ficou na memória. Graças a ele, voltei novamente a mergulhar no mundo dos RTS, e até já tenho alguns em mente para futuros playthroughs.

 

6 – Amnesia Rebirth (PS4, PC)

Em 2010 havia sido lançado Amnesia: The Dark Descent, que a meu ver é o melhor jogo do género de terror/horror alguma vez produzido, sim, até melhor do que Outlast ou Silent Hill. E como seria de esperar, quando esta continuação foi revelada, sem qualquer tipo de aviso prévio, fiquei a contar os dias, até lhe puder colocar as mãos em cima. De facto, Amnesia: Rebirth oferece uma experiência “diferente” do primeiro, mas concisa. Aqui, em vez da mansão com vários pisos e armadilhas, temos um cenário mais expansivo com túneis, ruínas e cavernas. O terror psicológico é, novamente, uma constante com maior peso, afastando-se mais do confronto físico com as criaturas, apesar de haver em alguma quantidade. Para quem dominou as mecânicas do primeiro, e desgostou Amnesia: Machine For Pigs, este título foi um retorno em grande à franquia, e agora mais do que nunca, quero novas ideias em torno deste universo, a serem produzidas num futuro próximo.

 

5 – Bioshock: The Collection (PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC)

Por esta altura, todos já estamos familiarizados com a franquia Bioshock, e como não podia de ser, mais um ano, mais uma consola ganha o port desta trilogia. Apesar de Bioshock: Infinite ser aquele mais se distancia dos restantes, é aquele que tem o gameplay mais polido e divertido da série. Seja como for, se nunca experienciaram até agora, nenhum destes títulos, o que não falta é a variada oferta nas mais diversas plataformas disponíveis.

 

4 – Sniper Elite 4 (PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC)

Demorei imenso para dar uma oportunidade aos jogos Sniper Elite, e só quando o quarto título chegou à Nintendo Switch, e recebi para analisar, dei a derradeira hipótese. Realmente foi daquelas experiências que mais prazer me deu durante este ano, pois sendo grande apreciador de jogos como Metal Gear Solid ou Hitman, este jogo consegue trazer ao de cima várias mecânicas destes últimos para criar algo próprio. Inicialmente, julgava que irei passar a maior parte do meu tempo em torno da mira da minha sniper, mais rapidamente percebi a complexidade do gameplay, no que toca à nossa movimentação pelo cenário e no embate dos inimigos. Uma experiência que veio no momento e na altura certa.

 

3 – Super Mario 3D All-Stars (Nintendo Switch)

Quando se trata de nostalgia, a Nintendo consegue ser um prato cheio de títulos que marcaram a infância de muitos, e que como não podia deixar de ser, fui uma das suas muitas vítimas, este ano. Efetivamente, quando recebi Super Mario 3D All-Stars para analisar, saberia que iria colocá-lo algures na minha lista do ano, era uma aposta certa, agora vendo em retrospectiva vejo que a nostalgia falou muito mais alto do que o normal. A diversão que esta trilogia de jogos me providenciou é indescritível, e numa altura tão pessimista como estamos a viver, todos os pequenos prazeres de alegria, são mais que bem-vindos. É curioso ver como mesmo passado estes anos todos, e tentando ocultar a nostalgia, estes jogos continuam a ser tão bons quando eram, na altura do seu lançamento, o que prova que algumas coisas são realmente intemporais.

 

2 – Ghost Of Tsushima (PS4)

Desde que me lembro, que a filmografia de Akira Kurosawa sempre foi uma forte influência na minha vida, como tal quando anunciaram Ghost Of Tsushima, e especialmente aquando da revelação do gameplay, que fiquei bastante interessado, no que esta nova aposta no universo dos samurais poderia trazer para cima da mesa. Não há palavras suficientes capazes de explicar o quão impressionante é o trabalho de arte deste título, cada paisagem, cada olhar no horizonte, cada detalhe está incrivelmente bem executado. Somando a isto, a história e imersão no folk-lore dos samurais, e o gameplay robusto, fazem deste título um dos grandes lançamentos de 2020. Tenho intenções de investir mais horas e dedicar-me a completar Ghost Of Tsushima na sua totalidade, de forma a reter tudo aquilo que a Sucker Punch pretendia entregar aos jogadores com esta obra-prima.

 

1 – Star Wars: Squadrons (PS4, Xbox One, PC)

Alguns anos atrás já havia experimentado algumas tech-demos de VR, mas nunca tinha realmente investido na área. Com a aproximação do lançamento deste jogo, o qual por si só já era razão para querer jogá-lo, por acaso tive a oportunidade de simular esta experiência com o VR, e que experiência. Devo dizer que foi muito graças a este factor, que me agradou tanto, que o coloquei em primeiro lugar, pois caso tivesse jogado na versão “normal”, teria sido um jogo que colocaria algures no final desta lista. Posto isto, o gameplay de Star Wars: Squadrons é impecável, faz-nos sentir na pele daqueles pilotos e no controlo das mais diversas naves, do Império e da Rebelião. O modo online vale muito a pena, pois eleva o nível de competição a um patamar ajustado, não sendo demasiado frustrante vencer a equipa adversária. A campanha podia ter sido um pouco mais desenvolvida, mas serve o seu propósito.

 

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Podem ver as restantes listas de jogos do ano do PróximoNível aqui:
Jogos do ano 2020 – As escolhas do PróximoNível

João Luzio
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