Análise – Ancestors Legacy

Ancestors Legacy é um jogo do género RTS (Real Time Strategy) desenvolvido pela Destructive Creations , que nos põe na pele de várias nações e respectivos exércitos conhecidos, ao longo da história. Aqui, ao contrário, de um RPG por turnos, todas as nossas ações e do inimigo acontecem em simultâneo. O que para um jogo histórico, acaba por reforçar a imersão do jogador naquele ambiente.

Por falar nisso, o modo de história deste jogo é um dos seus pontos fortes. De início, temos a opção de escolher uma entre quatro campanhas, a Anglo-Saxónica, a dos Vikings, a Germânica e a dos Slavs. Todas estas nações apesar de historicamente diferentes, acabam por servir o mesmo propósito e ter as mesmas funcionalidades aquando do gameplay. Ainda neste modo de jogo, todas as campanhas incluem cinco capítulos únicos. Contudo, só após desbloquearmos a campanha dos Vikings, que serve como tutorial, é que as outras três ficam disponíveis.

Adicionalmente, ao longo das diversas histórias, entre cada capítulo, é nos apresentado uma cutscene com um estilo muito próprio e bastante dinâmico, o que acaba por ser bastante enriquecedor na experiência e naquilo que o jogo quer retratar historicamente.

Nesta experiência, o que realmente faz a diferença é o gameplay. Como referi, o jogo trata-se de um RTS, logo cada cenário de guerra, terá uma nação ou exército de um lado e a nossa, que escolhemos, de outro. Algures no meio destes dois lados opostos, existem vilas e territórios para conquistar e/ou proteger, no caso de serem aliados. O que para além de nos dar um ponto estratégico de maior proximidade com a área do inimigo, permite-nos deter determinados recursos, que nos vão facilitar a conseguir mais unidades de soldados ou a reforçar as defesas das nossas bases.

As unidades de soldados variam entre swordsmen (usam espadas), axemen (usam machados) e spearmen (usam lanças), cujas habilidades funcionam num sistema de pedra-papel-tesouro (um pouco como Fire Emblem ou Pokémon), em que por exemplo, os swordsmen são mais poderosos contra os spearmen, contudo são mais fracos contra os axemen, e assim por diante. Há ainda as unidades de archers (usam arco e flecha) e de cavalry (montados a cavalo), que variam a sua vantagem competitiva, consoante a distância face ao inimigo.

Portanto, aqui o segredo é saber posicionar correctamente e antecipadamente as unidades certas, nos locais adequados. No entanto, esta tarefa está longe de ser fácil, uma vez que a A.I (Inteligência Artificial) do inimigo está bastante bem nivelada, e consegue, em muitas ocasiões, fazer-nos emboscadas ou ataques às nossas bases , nos piores momentos das piores formas possíveis. O que para um jogo de RTS é um ponto bastante positivo, pois o grau de entretenimento que se tem com uma experiência destas, varia consoante a intensidade da dificuldade e da inteligência do inimigo, o que pode ou não fazer a experiência ser mais proveitosa e dinâmica.

Em contrapartida, o jogo acaba por se tornar repetitivo, independentemente do nível de dificuldade que é exigido. Aspecto este que é reforçado pelos cenários ou mapas onde decorrem as batalhas, que acabam por ser mais do mesmo, tirando um ou outro caso pontual, no modo de história. Ainda nesta parte visual, e como a versão a ser analisada foi na Nintendo Switch, os gráficos acabam por ficar comprometidos, em comparação com as outras versões disponíveis do jogo. De longe, portanto com o zoom no mínimo, o jogo acaba por “disfaçar” parcialmente este problema, contudo, ao se aumentar o foco do zoom, as animações beiram uma qualidade vista na geração passada ou até anterior.

Ainda nas particularidades desta versão, Ancestors Legacy acaba por ser uma experiência difícil, aquando da escolha de se jogar no modo portátil da Nintendo Switch. Levando em conta a quantidade de informação necessária no ecrã para jogarmos, o que num ecrã de reduzida dimensão, torna-se confuso e custoso de se acompanhar o que estamos a fazer. Portanto, recomendo a jogarem no modo de TV, que a experiência fica igual às restantes versões.

Os efeitos e a banda sonora acabam por reforçar, uma vez mais, a componente histórica do jogo, que nos põe na pele de um verdadeiro general de guerra nesta experiência. Todas as falas das personagens importantes, leia-se, os heróis (figuras históricas) no modo campanha, têm os seus diálogos com voz. O que facilitou a fluidez da minha jornada naquele mundo, sem necessidade de ler paredes de textos. Contudo, aquando dos momentos de tutorial, o jogo faz questão de nos forçar a ler determinados segmentos de texto para nos habituar às mecânicas, contudo, isto é só recorrente no início de Ancestors Legacy.

Quanto aos controlos estes não podiam estar melhores, levando em conta que se trata de uma versão de consola, logo os controlos estão à partida limitados ao número de botões. Mas, neste critério, o jogo está bastante simplificado para que qualquer jogador se consiga habituar rapidamente aos mesmos, nas primeiras horas de jogo.

Jogos RTS, como é o caso de Ancestors Legacy são verdadeiras experiências “infinitas”, na medida em que, mesmo após a conclusão das campanhas das diferentes nações, há sempre muita coisa por onde se pode pegar. Seja num modo mais simplificado, onde se entra diretamente no campo de batalha, sem grandes rodeios com história, ou até para se rever alguns momentos marcantes no modo de história. Portanto, cada experiência é única e diferente, cabendo ao jogador utilizar as suas próprias estratégias e habilidades para derrotar o campo inimigo.

Desta maneira, Ancestors Legacy é um grande jogo de RTS, que nos põe diretamente em inúmeros momentos históricos, enquanto estrategista das decisões que acontecem em campo de batalha. Para além disso, é também um ótimo título que acresce à biblioteca de jogos da Nintendo Switch, cujo género já fazia muita falta nesta consola. Todos os seus constituintes acabam por contribuir para entregar uma experiência única, que dá uma lufada de ar fresco nesta plataforma.

Positivo:

  • História cativante e bem executada;
  • Cutscenes que acompanham o modo campanha;
  • Simplificação dos controlos;
  • Nível de dificuldade da A.I dos inimigos bem equilibrada;

Negativo:

  • Gráficos deixam muito a desejar;
  • Pouca diferença entre cada exército;
  • Por vezes repetitivo;

João Luzio
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