Arknights: Endfield – Primeiras impressões

Arknights: Endfield finalmente viu a luz do dia no dia 22 deste mês e posso dizer que já consumiu um pouco mais de vinte horas da minha vida.

Sendo um grande fã do original Arknights, tendo participado até numa das suas betas, estava mais que ansioso pelo lançamento de Endfield. Posso dizer que após estes primeiros dias com o jogo, Arknights: Endfield tem tudo e muito mais que podia esperar.

Devo dizer que apesar de ter dispensado quase um dia completo no jogo ainda não avancei muito na história. Fiz o suficiente para completar o prólogo-tutorial e desbloquear a base central (a nave Dijiang), e por agora não aconteceu muito na primeira área inicial para além de lidar com um dos gangues locais e ter o meu primeiro encontro com um dos vilões. Isto ainda não é muito para ter uma ideia se a história em geral irá fazer um bom uso das suas personagens ou temas como a extração de originium. A minha exploração está por volta de 80% total e fiz umas quantas side quests que achei um pouco interessantes em termos de tema, e também encontrei várias referências e ligações ao Arknights original que tem lugar um século antes.

É interessante ver personagens que estão a explorar um novo planeta (neste caso a lua de um planeta) e no processo de extrair recursos desse mesmo planeta, neste caso originium que foi plantado pelas personagens e que está agora a ser recuperado como energia. O facto de em Arknights original originium ser a grande razão pela qual existe imensa discriminação e guerra devido à doença terminal que causa oripathy, e em Endfield todos estarem ok com isso cria muitos alarmes que perguntam “somos os bons da fita?”. Mesmo que oripathy seja mais controlada em Endfield isso não quer dizer que seja realmente uma boa idea tratar um planeta e os seus habitantes assim. Felizmente isto é algo que a história tem tocado um pouco e espero que no futuro a ideia seja mais explorada, afinal de contas este era um dos pontos mais significantes em Arknights, e Endfield tem feito imensas referências ao mesmo que apenas os fãs do original vão notar.

De todas as vezes que certos tópicos foram mencionados ou na história principal, documentos ou até nos perfis das personagens associadas a Rhodes Island, a minha cabeça fica com imensas questões sobre o que aconteceu ou quais as ligações entre certas personagens em Endfield com as de Arknights. Possivelmente será algo que com o tempo será revelado, mas espero pelo menos que o jogo explore um pouco mais estas ligações, em especial os “reconveners” que são clones das personagens originais de Arknights e que mantém as memórias das suas vidas anteriores. A ideia já por si mesma é interessante, mas ligada a um jogo “prequela” e com imensa história fica ainda mais interessante.

O combate apesar de ser acção em tempo real conta com um pouco de estratégia, sendo bastante interessante e divertido. Existe uma mistura de classes tal como no Arknights original, mas para além disso existe a adição de elementos e estados físicos. As quatro personagens estão no campo e irão lutar juntamente com a personagem que está a ser controlada pelo jogador, havendo uma habilidade para criar combos após certas condições serem criadas. Por exemplo, quando a personagem controlada terminar o seu ataque com um ataque final isso irá activar um combo por parte de Perlica caso esta esteja na equipa. Um outro exemplo é o de Snowshine activar o seu combo quando a personagem controlada é atacada e perde vida até um certo nível. Cada personagem conta com o seu próprio combo e condições, fazendo com que a criação da equipa tenha em conta esses elementos para melhor funcionar.

Para além disso os inimigos irão sofrer de múltipos estados ligados aos elementos e estados físicos. Personagens com ataques físicos irão complementar-se, havendo quatro opções que os jogadores podem explorar para criar um ataque mais forte, enquanto que personagens com ataques elementais vão criar condições elementais. Uma forma simples de entender como funciona é: existem quatro estados físico: Crush, Lift, Knock Down e Breach. Qualquer um destes ataques que sejam feitos num inimigo num estado normal irá pôr o inimigo no estado “vulnerável”, sendo que após esse estado qualquer ataque com Lift e Knock Down irá adicionar mais níveis ao estado vulnerável, enquanto que Crush e Breach irão utilizar todos os níveis “vulnerável” para fazer mais dano ao inimigo. Ataques com estados elementais também seguem o mesmo formato, criando um pouco de estratégia para as equipas que os jogadores querer criar e a qual altura utilizar as habilidades em combate. Pode parecer complicado mas não é nada mais do que “combinar X com X parar criar XX ou combinar X com Y para criar XY”.

A outra parte da jogabilidade é talvez uma das principais razões pela maioria dos novos jogadores não ficarem agarrados ao jogo. Arknights: Endfield tirou imensa inspiração em jogos como Satisfactory e Death Stranding, havendo uma enorme mecânica de criação de linhas de produção. Cada região irá contar com uma base inicial onde os jogadores vão criar as suas linhas de produções, ou para criar items que precisam de utilizar durante a exploração, ou para criar items que serão usados para investir nas pequenas colónias que vão sendo desbloqueadas. Existe imenso nesta parte do jogo já que conta com metade de jogabilidade em Endfield, demorando um pouco até os jogadores entenderem como funciona ou o que necessitam de criar tendo em conta a sua situação. Felizmente a Hypergryph pensou nisso e decidiu criar o sistema de “blueprints”, permitindo aos jogadores de criarem e partilharem as suas criações, assim se estiverem a ter um mau tempo com esta parte do jogo sempre podem seguir os planos de outro jogador para tornar a vossa vida mais fácil.

Tal como em Death Stranding, por vezes algumas destas criações como ziplines, estações médicas ou até pequenas mensagens deixadas por outros jogadores irão aparecer no nosso mundo, sendo possível partilhar tanto estas como as nossas próprias criações com outros jogadores. Não é todos os dias que jogos deste género aparecem e com este nível de interação entre a comunidade sem que os jogadores estejam juntos no mesmo mundo, o que torna estas criações em algo especial, especialmente quando a comunidade começa partilhar as suas ideias e recentes criações. É óbvio que isto é apenas o início, e devido a isso parece ser demasiado para o jogador, mas tendo em conta que Arkights: Endfield apenas tem três dias de existência, é natural que à medida que o tempo vai aançando e o jogador vai desbloqueando novas coisas e melhorando a linha de produção que as coisas ficarão mais simples.

Baseado nas minhas horas de jogo e no que nos é oferecido no início, Arknights: Endfield é um excelente jogo onde os produtores estão a fazer o que querem tendo em conta o universo de Arknights ao invés de seguir o que é popular e criar apenas um outro jogo open world de acção. Muitos não irão gostar mas Endfield não foi criado para essas pessoas, os produtores sabem disso, os fãs também sabem e ninguém está preocupado pois Endfield entregou tudo o que prometia e muito mais. A qualidade em termos de apresentação, cutscenes, personagens e até optimização é excelente e um exemplo que até produtoras de jogos AAA deviam de seguir pois hoje em dia não há desculpa para a desgraça que alguns jogos entregam em termos de performance e compatibilidade com computadores mais velhos.

Mathias Marques
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