Análise – You Should Have Left

A produtora Blumhouse Productions, também conhecida por ter feito Unfriended (2014) e Get Out (2017) entre outros filmes, entrega mais uma produção do género, desta vez protagonizada por Kevin Bacon. Apesar do renome da produtora, esta obra que aqui irei analisar, fica muito aquém da qualidade até então apresentada, sendo um dos pontos mais baixos da sua história.

Em You Should Have Left (2020) acompanhamos Theo Conroy (Kevin Bacon), que por ser atormentado pelo seu passado, decide mudar-se para uma nova casa em Wales, juntamente com a sua mulher, Susanna (Amanda Seyfried) uma atriz, e a sua filha, Ella (Avery Essex). A história do filme é baseada num livro de mesmo nome, de David Koepp, onde a inspiração para esta narrativa foi retirada.

Apesar de se auto-intitular de horror psicológico, o filme demora até quase dois terços da sua duração, para fazer jus ao género. De forma leviana, os momentos considerados de horror são tocados superficialmente, sem grande impacto notório. Fazendo esta obra assemelhar-se mais um drama psicológico, do que outra coisa. Neste sentido, You Should Have Left vai ao encontro do passado da personagem de Theo, cujas ações são fortemente influenciadas pela alegada suspeita de ter assassinado a sua ex-mulher.

Ainda assim, estes momentos de “horror psicológico” traduzem-se apenas, em alucinações e paranóias do protagonista. Portanto, Kevin Bacon acaba por levar às costas, toda esta vertente da narrativa, acabando pelas outras personagens, ficarem alheadas da temática, apesar de estarem fisicamente presentes.  Somado à reduzida dimensão do elenco, que é maioritariamente composto pelas três personagens que mencionei anteriormente, a tensão acaba por cair drasticamente em alguns momentos, e até perder por completo o impacto, em outros.

Não irei falar mais acerca da história, visto que se entrar em mais detalhes quanto a este aspecto acabo por entrar em território de spoilers. Saliento apenas, que ao longo filme é construído um mistério e toda uma camada interpretativa, daquilo que se está a passar, contudo, só no final deste, é que o espectador terá uma (tentativa de) reposta daquilo que efectivamente aconteceu.  Quanto aos aspectos técnicos, esta produção joga muito pelo seguro, levando em conta o orçamento limitado. Portanto não há nada apontar, tirando o facto de que, apesar de ter um elenco conhecido, não faz jus à dimensão do filme em si, o que acaba por desapontar imenso. Nem mesmo a banda sonora ou os efeitos especiais têm qualquer tipo de brilho, que os faça sobressair, ficando em última análise, suprimidos pelo mistério.

You Should Have Left é um filme que aparentemente tinha tudo para dar certo, até mesmo ao longo do filme, essa ideia fica no ar. Contudo, o build-up construído para se chegar ao enigma central do enredo, decepciona em todos os aspectos. Permanecendo a ideia, de tudo aquilo introduzido e exposto na história, não teve assim tanto impacto que poderia ter tido. Adicionalmente, aponto que devido ao carácter interpretativo da obra, nunca é dada “uma solução” adequada, sobrando somente, um nevoeiro de perguntas e dúvidas na mente do espectador, aquando da sua conclusão.

Positivo:

  • Contribuição de Kevin Bacon;
  • Premissa da história…

Negativo:

  • …contudo decepciona aquando da sua conclusão;
  • Pouco aproveitamento dos elementos do género de horror psicológico;
  • Aspectos técnicos são mais do mesmo;

João Luzio
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