Análise – Yakuza Kiwami

Se por um lado é verdade que Shenmue foi um dos jogos mais marcantes no que toca a viver o dia a dia de um japonês que tem como rotina lutar, explorar toda uma cidade e jogar uma série de mini-jogos, por outro, Yakuza acabou por ser o substituto inesperado para muitos que queriam mais do género.

Tudo isso começou com o primeiro Yakuza em 2005 (2006 para nós), na PS2. Para alguns era uma proposta estranha viver o dia-a-dia de um membro dos Yakuza, especialmente numa geração marcada pela explosão de GTA. Felizmente, a legião de fãs que conseguiu cativar, ditou o lançamento de mais jogos.

Yakuza Kiwami surge na realidade como um remake da versão original, albergando mais conteúdo, um detalhe visual muito melhor do que o típico remaster e alguns mini-jogos extra. Tendo jogado um pouco do primeiro, fiquei bastante agradado com as alterações que pude encontrar.

A história é o centro de tudo em Yakuza, ao ponto de existir segmentos de mais de dez minutos de história corrida onde não fazemos mais do que assistir. Embora o tema central seja altamente sangrento e recheado de conspirações e momentos mais negros, existe aqui muita coisa igualmente pateta ou feita para ter piada. Algumas personagens são uma comédia pegada e certos momentos são feitos de propósito para aliviar a tensão.

Embora a forma como a história é contada não seja o mais agradável para aqueles que não querem uma coisa tão maçuda, por outro, quando comparado com os restantes jogos de Yakuza, é simpático ver como a história acaba por fluir mais naturalmente com menos personagens principais. Mesmo que existam flashbacks e destaque para outros elementos, esta é a história do Kazuma e os holofotes estão virados para ele.

Mesmo mantendo a maioria do que já tinha, a SEGA surge aqui com mais algum conteúdo para alargar a história. Existem missões secundárias com alguma variedade, a cidade tem várias missões e acontecimentos alternativos que podem surgir de forma aleatória e até foi adicionada uma nova forma de aprender mais tipos de combate. Estes são ensinados pelo sempre estranho (mas hilariante) Goro Majima, que pode aparecer em qualquer lado para nos desafiar para combates especiais.

Os combates continuam a manter o mesmo estilo da série, com o regresso dos múltiplos estilos de combate que já tinham aparecido em Yakuza 0. Os estilos de combate podem variar entre posições mais agressivas ou mais rápidas e dinâmicas. Eu sou um fã sério do estilo Beast, o qual permite agarrar mais o inimigo e também os objectos do cenário para os usar como arma. Existem combos e especiais para fazer, que aumentam a variedade e exagero da acção.

Cada vitória em combate (ou em outras situações), acaba por conferir experiência e por vezes dinheiro. Com ele entram na vertente mais RPG de Yakuza Kiwami, havendo muitas habilidades para desbloquear, coisas para comprar para ajudar em combate, ou apenas aproveitar tudo aquilo que o mundo de jogo oferece.

Yakuza Kiwami decorre em Kabukicho, uma das zonas de Tóquio. Esta foi recriada para o jogo e moldada às necessidades do mesmo. Existem várias zonas para explorar, não faltando até lojas para visitar. Algumas das localizações englobam actividades extra, como Karaoke, bowling ou até uma espécie de Wrestling embaraçoso entre meninas vestidas de insectos. Não é certamente o mesmo conteúdo que encontram nos Yakuza mais recentes, tanto em quantidade como complexidade.

A SEGA podia ter feito apenas uma espécie de Remaster para Yakuza, mas Yakuza Kiwami foi alvo de um trabalho que o coloca ao nível da qualidade visual da actual geração. Os cenários e personagens estão muito bons e perto do que existe em Yakuza 0. A fluidez está bastante boa e os loadings enormes que me fizeram por de lado o primeiro Yakuza, estão bem mais rápidos. Quanto a vozes e banda sonora, só existem coisas boas para dizer.

Yakuza Kiwami é um grande remake do primeiro Yakuza, com muitas melhorias para a apresentação da história, combate e actividades diversas. Mesmo assim, não se livra de parecer um dos menos vastos e ser bem mais curto que todos a seguir a Yakuza 2. De qualquer forma, eu gostei bastante de todo o tempo que gastei com Yakuza Kiwami e consigo facilmente recomendar este jogo a todos aqueles que gostam de jogos de acção com uma história longa que exige alguma paciência. Vale bem a pena viver ou reviver a primeira aventura de Kazuma e os restantes compinchas.

Positivo:

  • Um verdadeiro Remaster
  • Conteúdo adicional
  • Visual actual
  • Sistema de combate melhorado
  • História focada numa só personagem

Negativo:

  • História demora a arrancar
  • Menos actividades que o normal
  • Picos de dificuldade

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