Análise – Transformers: War For Cybertron T2 – Earthrise

Em meados do ano passado, a Netflix já havia presenteado, os seus subscritores, com a primeira parte da série Transformers: War For Cybertron – Siege, a qual contava os primórdios do conflito entre Autobots e Decepticons e a sua ascensão em Cybertron. Um pouco antes do ano acabar, foi lançada antecipadamente a segunda temporada desta história, intitulada de Earthrise. Toda a equipa e restantes aspectos técnicos de direção e animação foram mantidos nesta sequela, portanto, esta temporada começa logo onde a anterior terminou, sem que se sinta grande estranheza.

Com o advento dos acontecimentos finais de Siege, parte dos resquícios da resistência dos Autobots, chefiados por Elita-1, mantiveram-se em no combate pela libertação de Cybertron. Enquanto, que os restantes, liderados por Optimus Prime estão numa nave à deriva no espaço, com destino para a Terra. Sem entrar em grandes detalhes, toda a dinâmica desta temporada é em explorar o mundo para lá de Cybertron, aqui dá-se muito mais importância à restante mitologia deste universo tão vasto.

Se a primeira temporada entrou com o pé direito, esta continua o legado, mantendo relativamente o mesmo impacto. No entanto, mas sabe a muito pouco. Efetivamente, e como já referi, os elementos da produção anterior foram mantidos nesta temporada, ainda assim levando em conta todas as bases construídas em Siege, deixa a desejar por uma melhor execução nas ideias introduz. Novas personagens são apresentadas, mas mesmo estas são deixadas de lado, até mesmo quando já estão a ganhar algum brilho, em prol de colocar em cima da mesa, as mesmas ideias e conceitos já abordados. Torna-se de algum modo repetitivo, ouvir vezes sem conta os ideais de Optimus Prime, e de como Megatron planeia conquistar Cybertron das mais variadas formas.

De outro ângulo, e indo ao encontro das personagens, Bumblebee que tanto carisma e protagonismo teve em Siege, acaba por ser uma das muitas personagens deixadas de lado. Pois como irei mencionar a seguir,  praticamente toda a narrativa e construção da mesma, gira em torno de Optimus Prime e Megatron, fazendo as restantes figuras, parecendo quase como meros figurantes, face à amplitude dada à globalidade da série.

O tom e ambientação sombria apresentada na primeira temporada é mantida aqui, contudo,  volta a embater nos mesmos temas já referidos, o que acaba por tirar parte do seu charme, anteriormente bem executado. Toda a extensa galeria de Autobots e Decepticons é colocada como meros peões na história, indo o foco todo para o antagonismo dos líderes de ambas as facções. Por um lado, vai ao encontro do que seria esperado para a construção do carácter destas figuras, por outro lado, esvanece qualquer potencial que tinha em humanizar estes exércitos robóticos, ao tratá-los como um meio para um fim, nomeadamente em momentos de maior tensão.

E o que disse, acaba também por se aplicar à generalidade da temporada, é notório como Earthrise é apenas uma mera ponte, que serve de ligação entre SiegeKingdom (terceira e última temporada). Há claramente uma maior correria em chegar do ponto A ao ponto B, de maneira a que todas as pontas soltas sejam deixadas em aberto, para que a seguinte as conclua. O que, como seria de esperar, deita por terra todo o tempo necessário para desenvolver a narrativa, no tempo e na ordem correcta.

Um dos pontos fortes de Siege, que foi muito elogiado pelos fãs, esteve relacionado com as batalhas entre estes dois lados opostos na guerra por Cybertron. Embora, estes confrontos estejam presentes e bem animados, em Earthrise estes não têm tanto espaço, face a outros elementos mais introspectivos e filosóficos, aqui adequadamente retratados. Para alguns poderá ser uma maçada ter de estar mais atento a conversas e diálogos, para outros pode ser a oportunidade de explorar e entender os reais motivos por detrás das ações destas personagens.

Seja como for, e colocando numa balança cada elemento com o seu respectivo peso, Earthrise continua, com menos brilho, a grandiosidade deixada pela tão aclamada primeira temporada. Se por um lado, manteve-se de alguma forma o padrão de qualidade, por outro lado, acrescenta novo conteúdo, que para muitos pode ser “mais do mesmo”, sem grande relevância para a história. E mesmo levando em conta, todo o esforço criativo para tornar a monotonia de Earthrise mais interessante, está claro como aqui se dá um grande destaque para aquilo que virá posteriormente, em Kingdom.

Se gostaram da temporada anterior, e pretendem ver mais conteúdo deste universo que já conhecem, ficando a saber como a história continua, diria que vale a pena dar uma chance a Earthrise. Se por outro lado, apenas viram a anterior pelo puro entretenimento e apelo gráfico dos combates entre Autobots contra Decepticons, diria que não perdem muito em deixar esta segunda parte de lado. Em síntese, Earthrise pode não chegar ao mesmo nível de Siege, mas tem todos os elementos presentes, para deixar qualquer um empolgado para a última parte da série.

Positivo:

  • Mantém, de alguma forma, o mesmo padrão de qualidade técnica da temporada anterior;
  • Abordagem mais filosófica e introspectiva;
  • Exploração de novas personagens e conceitos;
  • Antagonismo entre Optimus Prime e Megatron;
  • Aumenta a antecipação para a última temporada;

Negativo:

  • Deixa de parte, o desenvolvimento de várias personagens apresentadas na primeira temporada;
  • Algumas temáticas repetem-se demasiadas vezes;
  • Earthrise serve apenas para preencher o vazio existente entre temporadas;
  • Não consegue almejar todas as expectativas criadas em Siege;
  • Temporada deixa a desejar por muito mais;

João Luzio
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